O anúncio da troca no comando da Petrobras foi um dos principais acontecimentos da semana que passou. O mercado financeiro até que recebeu bem a indicação de Adriano Pires para a presidência da empresa, apostando que com ele a política de preços para os combustíveis será mantida. A Petrobras, porém, parece ainda ter dúvidas sobre o assunto, pois formalizou que enxerga a interferência do governo brasileiro como risco aos seus negócios.
A polêmica em torno dos preços dos combustíveis – e de quem deve pagar a conta quando eles sobem – ainda deve levar tempo para se dissipar, principalmente porque a guerra na Ucrânia, evento que deflagrou sanções a Rússia e fez os preços do petróleo dispararem desde fevereiro, parece longe de acabar.
Nesta semana, o valor do barril ficou mais comportado depois que os Estados Unidos anunciaram um plano para liberar estoques da commodity ao mercado pelos próximos seis meses. Isso diminuiu drasticamente a defasagem entre os preços dos combustíveis vendidos no Brasil em relação ao exterior.
Segundo dados da Abicom divulgados na sexta-feira (1), o valor do diesel vendido no Brasil está apenas 2% abaixo do praticado no exterior, enquanto o da gasolina está 1% mais alto. Uma semana antes, as defasagens eram de 17% e de 7%, respectivamente.
Isso remove, ao menos temporariamente, a pressão para novos aumentos de preço pela Petrobras. Apesar disso, ainda permanece a pressão inflacionária do último reajuste, ocorrido em 11 de março, e que ficará mais evidente na próxima sexta-feira (8), quando será divulgado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março.
Nos Estados Unidos, o foco também estará sobre a inflação e, mais precisamente, sobre a atitude que o banco central do país tomará para contê-la.
Na quarta-feira a instituição divulga a ata da reunião de política monetária mais recente, e os investidores devem se debruçar sobre o documento para ter certeza de que a próxima alta nos juros americanos será de 0,5 ponto porcentual.
Veja os destaques do noticiário da Agência TradeMap na semana.
B3 erra: investimento estrangeiro no Brasil é menor
O volume de investimento externo direcionado ao Brasil aumentou significativamente neste ano, mas parte deste crescimento foi resultado de um erro nas contas da B3.
A empolgação do investidor estrangeiro com o mercado brasileiro é quase 30% menor do que se pensava, segundo dados corrigidos pela Bolsa.
Tesouro IPCA subiu mais, mas ainda vale a pena?
Os títulos do Tesouro atrelados ao IPCA chegaram a subir mais de 7% e lideraram ganhos no Tesouro Direto em março.
Para os próximos meses, analistas ainda veem estes papéis como investimentos interessantes, diante da inflação ainda elevada e conforme se aproxima o fim do ciclo de alta da taxa Selic, que vinha beneficiando os papéis pós-fixados.
Direto ao ponto na brMalls
Três gestoras que possuem participações na brMalls (BRML3) querem que a empresa deixe os acionistas votarem a proposta de fusão feita pela Aliansce Sonae (ALSO3).
A administração da brMalls é contrária ao aceite por considerar a oferta da Aliansce baixa demais, mas análise da Agência TradeMap aponta que a proposta tende a ser satisfatória.
Mais farmácias na Bolsa, mais concorrência no mercado
Antigamente visto como um negócio familiar ou “de bairro”, o setor farmacêutico se consolidou como um dos grandes casos de crescimento ao longo dos últimos anos no Brasil e, com modelos de negócio distintos, tem chamado atenção dos investidores.
A expansão deste segmento – que há poucos anos tinham poucos representantes na Bolsa – também traz riscos, em particular o da aceleração da concorrência.
Ataques cibernéticos a empresas: como o investidor se protege?
Ataques cibernéticos estão cada vez mais comuns. Desde 2021, quatro empresas do Ibovespa foram alvo: Fleury, Lojas Renner, CVC e Americanas. A ação contra as companhias é um risco para os investidores. Como se proteger?
Especialistas ouvidos pela Agência TradeMap apontam que diversificar a carteira é uma das formas de o pequeno investidor diluir o risco de eventuais perdas com papéis de empresas alvo desses ataques.
Agenda da semana
Devido à greve no Banco Central, o Boletim Focus e o Relatório de Poupança não serão divulgados nas datas previstas. Os novos dias de apresentação dos dados ainda não estão definidos.
Na segunda-feira, a instituição americana Census Bureau divulga as encomendas à indústria nos Estados Unidos em fevereiro.
Terça-feira será a vez do HSBC apresentar o PMI (índice de gerente de compras) de serviços em março. O PMI da Markit sai no mesmo dia .
A Zona do Euro informa as vendas no varejo de fevereiro na quarta-feira. E os EUA, divulgam os estoques de petróleo bruto atualizados. Neste dia, teremos uma das principais agenda da semana.
O DoL (Departamento do Trabalho americano) informa os pedidos de auxílio desemprego atualizados nos EUA na quinta.
E na sexta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informa o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março.
E também a Anfavea (associação das montadoras) divulga a produção de veículos em março.