Os temores de que novas medidas de política monetária poderão ser adotadas pressionaram o Ibovespa, principalmente depois que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a instituição irá analisar os dados de inflação de março. Diante disso, o pregão fechou em baixa de 1,16%, aos 116.952 pontos, com R$ 17,03 bilhões em volume negociado.
Em abril, a performance do índice é de queda de 2,54%, enquanto o desempenho do acumulado do ano é de alta de 11,57%.
No exterior, os mercados também caíram diante de temores de aperto monetário e desaceleração econômica. Em Nova York, o Nasdaq teve baixa de 2,18%, o S&P 500 caiu 1,69% e o Dow Jones recuou 1,19%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve perdas de 0,49%.
Outro ponto que pode estar pesando sobre os mercados é que esta semana é mais curta por causa do feriado da Páscoa, na próxima sexta-feira (15), que tende a deixar os investidores mais cautelosos em suas posições, como forma de se resguardar num cenário volatilidade.
Inflação, inflação, inflação
Campos Neto afirmou nesta segunda-feira que a autoridade monetária está avaliando a surpresa negativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março. O indicador, divulgado na última sexta-feira (8), mostrou avanço de 1,62%, a maior alta para o mês desde 1994.
“Estamos sempre reabertos a analisar o cenário. Tivemos uma surpresa negativa neste último número, surpresa que se deu em vários países. Vamos analisar os fatores que geraram surpresa inflacionária e vamos comunicar no momento que for mais apropriado”, afirmou ele durante participação em evento realizado nesta manhã.
Após as declarações, os contratos futuros de juros ganharam força, indicando que o mercado vê espaço para uma elevação ainda maior da taxa Selic.
Na front político, segue a expectativa de uma possível redução adicional do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), depois de o presidente Jair Bolsonaro declarar que a medida ainda está em discussão.
Além disso, em meio a greves de uma série de categorias do funcionalismo, o governo federal vem estudando maneiras de negociar reajustes com os servidores. As opções sobre a mesa são um aumento no auxílio alimentação, um reajuste amplo de 4% e 5% a partir do segundo semestre, e um aumento de salário para apenas algumas categorias.
Ucrânia e China em foco
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse nesta segunda-feira que soldados russos estão se preparando para uma nova ofensiva no leste do país, enquanto a Rússia afirmou que não irá interromper sua operação militar para novas negociações de paz, segundo a agência de notícias Reuters.
Com isso, cresce a expectativa de que novas medidas de apoio à Ucrânia sejam anunciadas pelos países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Apesar da tensão, o petróleo tipo Brent fechou em baixa de 4,18%, a US$ 98,48. Na semana passada, a commodity começou a cair após notícias de que a AIE (Agência Internacional de Energia) e os Estados Unidos planejam uma liberação de 120 milhões de barris de petróleo de suas reservas.
Em relatório, a analista da corretora britânica CMC Markets, Tina Teng, comenta que os esforços conjuntos reduziram os preços do produto apenas no curto prazo. De fato, a continuidade da guerra da Ucrânia ainda traz muitas incertezas que afetam a comercialização da commodity.
O mercado também está de olho na China, que vem adotando novas medidas de bloqueio para conter a disseminação da Covid-19, chegando a implantar lockdowns em Xangai, a capital financeira do país. As medidas aumentam as dúvidas sobre o crescimento econômico do país e, com isso, o minério de ferro teve baixa.
Destaques do pregão
Na Bolsa, as maiores baixas do Ibovespa foram de BRF (BRFS3), Cogna (COGN3) e WEG (WEGE3), com perdas de 7,11%, 5,65% e 4,66%, respectivamente.
A queda nas ações da BRF vem na esteira de um relatório do Goldman Sachs recomendando a venda das ações, com preço-alvo de R$ 14,50 – abaixo dos R$ 16,20 do fechamento de hoje. Os principais motivos por trás da tese do banco são a deterioração do mercado brasileiro, a escalada da inflação e a concorrência intensa.
Depois de altas sequenciais na semana passada, as ações da Eletrobras tiveram baixa nesta segunda-feira, depois de o TCU (Tribunal de Contas da União) informar que a análise da privatização da companhia está fora da pauta desta semana, em mais um sinal de que o processo pode acontecer de forma mais lenta do que o governo federal pretendia. A ação ordinária (ELET3) fechou em baixa de 2,73% e a preferencial (ELET6), de 2,03%.
Na ponta oposta, as maiores altas do índice foram de Braskem (BRKM5), Ambev (ABEV3) e Cielo (CIEL3), com ganhos de 1,88%, 1,81% e 1,46%, nesta ordem.
A ação da Braskem repercutiu a notícia de que a J&F teria feito uma proposta para comprar as fatias da Petrobras e da Odebrecht na companhia, em um negócio de US$ 27 bilhões, segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Recentemente, a companhia recebeu uma proposta de R$ 13,6 bilhões da gestora americana Apollo Capital pela fatia da Novonor (antiga Odebrecht) na Braskem.
Mais cedo, em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Imobiliários), a Braskem disse que “não é parte das eventuais discussões dos acionistas sobre vendas de participações acionárias”.
A ação da Ambev, por sua vez, sobe diante das expectativas com o Dia do Investidor da companhia, que irá ocorrer nesta terça-feira (12) e na quarta-feira (13).