Banco Central pode reavaliar cenário para IPCA, diz Campos Neto; juros futuros sobem

Inflação de março avançou 1,62%, a maior alta para o mês desde 1994

Foto: José Cruz / Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira (11) que a autoridade monetária está avaliando a surpresa negativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março. O indicador, divulgado na última sexta (8), mostrou avanço de 1,62%, a maior alta para o mês desde 1994.

“Estamos sempre reabertos a analisar o cenário. Tivemos uma surpresa negativa neste último número, surpresa que se deu em vários países. Vamos analisar os fatores que geraram surpresa inflacionária e vamos comunicar no momento que for mais apropriado”, afirmou Campos Neto durante participação em evento na manhã desta segunda-feira (11).

Após as declarações, os contratos futuros de juros ganharam força, indicando que o mercado vê espaço para uma elevação ainda maior da taxa Selic. Por volta das 10h10, os DIs com vencimento em julho de 2023 eram negociados a 13,11%, mostrando alta de 22 pontos-base. Os contratos de julho de 2025 estavam sendo operados a 11,87%, aumento de 17 pontos-base.

O presidente do BC ressaltou que a velocidade de passagem do reajuste dos combustíveis para a bomba foi maior que o esperado, mas indicou que esse não foi o único fator que impulsionou os preços no mês passado.

“O índice mais recente foi uma surpresa. A gente tinha mencionado uma velocidade de passagem dos preços para a bomba mais rápido”, disse Campos Neto. “Parte foi isso, mas teve vestuário e alimentação no domicílio. Estamos analisando essa surpresa, que se fez presente em vários outros países.”

Saiba mais: 
Banco Central sob pressão: surpresa com inflação de março já faz mercado ver IPCA de 8% em 2022

Com a surpresa do índice no mês passado, analistas já esperam uma inflação de até 8% neste ano. Para 2023, que é o horizonte relevante da política monetária, os mais pessimistas já veem um avanço de 4,5% nos preços (bem acima do centro da meta para o ano, de 3,25%).

Nesse cenário, cresce a pressão para que o colegiado leve os juros a um patamar além de 12,75% ao ano – esse é o nível que o BC vinha afirmando ser suficiente para entregar a inflação na meta em 2023.

Atualmente, os juros estão em 11,75% ao ano, e o BC já contratou uma nota alta de 1 ponto percentual na próxima reunião, sinalizando que o ciclo de aperto monetário deve parar por aí.

Analistas ouvidos pelo Boletim Focus, entretanto, já esperam uma taxa Selic em 13% ao ano.

Mesmo esse patamar já é considerado otimista por parte do mercado. Para os analistas do Bank of America, que agora esperam um IPCA de 8% no fim deste ano e de 4,5%, em 2023, a alta de preços é generalizada, e acontece mesmo fora de combustíveis e alimentos.

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