Navegue:
Sem IPOs, emissões de renda fixa têm maior captação no 1º trimestre desde 2012

Sem IPOs, emissões de renda fixa têm maior captação no 1º trimestre desde 2012

Volume de captações de renda fixa cresce 58% no primeiro trimestre e soma R$ 89,1bilhões, maior valor desde 2012, diz Anbima

grpafico de alta para ilustrar emissões de renda fixa
Por:

Compartilhe:

Por:

Com o mercado de renda variável desfavorável para novas ofertas de ações, as empresas buscaram o mercado de renda fixa local para levantar recursos. O volume total de captações no primeiro trimestre deste ano chegou a R$ 89,1bilhões, acima dos R$ 56,4 bilhões obtidos pelas companhias no mesmo período de 2021 e o maior valor desde 2012, quando começa a série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Esse volume ainda pode aumentar R$ 19,7 bilhões considerando as ofertas públicasde títulos em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O resultado do primeiro trimestre foi impulsionado pelas emissões de debêntures, que estabeleceram um novo recorde para esse período ao movimentarem R$ 55,9 bilhões. O valor é quase o dobro na comparação com os três primeiros meses do ano passado.

José Eduardo Laloni, vice-presidente da Anbima, ressalta que o cenário internacional teve um papel importante no resultado da renda fixa no primeiro trimestre. “Temos um cenário desfavorável para emissões de títulos no mercado externo, diante da expectativa de aceleração da alta dos juros nos Estados Unidos, do fortalecimento do real e da instabilidade gerada pela guerra na Ucrânia. Isso tem incentivado as companhias a levantarem capital no mercado doméstico, principalmente por meio de ofertas de debêntures”, afirma em nota.

Os principais destinos dos recursos captados pelas empresas via debêntures foram capital de giro (34,2%) e refinanciamento de passivo (24,2%).

Emissões de CRI e CRA crescem

Com a maior demanda dos investidores por ativos de renda fixa, com a alta da taxa básica de juros e da inflação, as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Imobiliário (CRI) também cresceram 120,6% e 10,74% no primeiro trimestre respectivamente.

Esses papéis atraem os investidores pessoas físicas porque oferecem isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos.

As emissões de  notas comerciais, instrumento que foi viabilizado com a Lei 14.195/21, somaram R$ 9,9 bilhões e foram utilizadas por 25 companhias, o que as torna o segundo título com a maior captação no mercado brasileiro no período, segundo a Anbima.

Ofertas de ações secam

De outro lado, o cenário de maior incerteza no mercado local, com eleições neste ano, e externo, com a guerra na Ucrânia e alta de juros nos Estados Unidos, é desfavorável as novas ofertas de ações e levou 25 companhias a cancelarem suas emissões neste ano.

Em março não houve nenhum IPO (oferta pública inicial de ações) e foi registrada apenas uma emissão subsequente de ações (follow-on)  no valor de R$ 6 milhões, realizada pela Allied Tecnologia.

No mercado externo, nenhuma operação foi registrada em março.

No primeiro trimestre, não foi registrado nenhum IPO e houve oito operações de follow-ons, que somaram R$ 11,3 bilhões, volume menor que os R$ 32 bilhões verificados no mesmo período de 2021.

Atualmente, existem cinco operações não precificadas em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Já as ofertas de Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro), ligados à cadeia do agronegócio listado em Bolsa, cuja emissão foi autorizada desde julho de 2021, somaram R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre, referentes a sete operações.

Compartilhe:

Compartilhe: