Sem Bolsas americanas, Ibovespa sobe 1,21%, acima dos 112 mil pontos, com impulso de commodities

Petróleo salta com decisão da Opep+ e agravamento da crise energética na Europa

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock

Sem a referência das Bolsas dos Estados Unidos, fechadas por conta do feriado do Dia do Trabalho, o Ibovespa foi embalado pela alta das commodities e fechou o pregão desta segunda-feira (5) com avanço de 1,12%, aos 112.203 pontos. Foram R$ 15,4 bilhões em volume negociado.

Com a valorização de hoje, o saldo do Ibovespa no mês de setembro passou para alta de 2,45%. Os ganhos acumulados desde o início do ano já somam 7,04%.

Commodities ajudam

O índice brasileiro foi sustentado principalmente pela valorização de ações ligadas a commodities, depois de o petróleo e o minério de ferro apresentarem altas.

O minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian subiu 3,98%, a US$ 99,80 por tonelada, diante da percepção de uma melhora na demanda chinesa de aço, em meio ao início de alta temporada de construção no país asiático.

No setor, destaque para Vale (VALE3), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e Gerdau (GGBR4), com avanços de 3,66%, 1,86% e 1,45%, respectivamente.

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O petróleo tipo Brent, por sua vez, saltou 2,93%, a US$ 95,75 por barril, levando consigo as ações da 3R Petroleum (RRRP3) e da Prio (PRIO3), que subiram 3,49% e 6,45%, nesta ordem.

A Petrobras, porém, destoou da alta da commodity e caiu depois da primeira troca de diretoria desde que Caio Andrade assumiu o comando da estatal. Paulo Palaia, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, passa a ocupar a diretoria de Tecnologia da petroleira. A ação preferencial da companhia (PETR4) caiu 0,24%, e a ordinária (PETR3) recuou 0,22%.

O principal fator que ajudou a valorização do petróleo foi o agravamento da crise energética na Europa. Primeiramente, na sexta-feira (2), o G7, grupo dos países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França, Japão), anunciou que irá estabelecer um teto de preço para a importação do petróleo russo em resposta à guerra na Ucrânia.

Também na sexta, a Gazprom, estatal russa de fornecimento de gás, disse que o gasoduto Nord Stream permanecerá paralisado por conta de uma nova falha. Em comunicado oficial, a estatal informou que o gasoduto, principal fornecedor do produto para a Europa, apresentou alguns vazamentos de óleo durante uma manutenção recente.

Somado a esses fatos, nesta segunda a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e países aliados) decidiu reduzir a produção em 100 mil barris por dia. O corte de produção vinha sendo sinalizado por membros do cartel, como a Arábia Saudita, nas últimas semanas. O mercado achava que a Opep+ poderia manter ou reduzir a oferta de petróleo.

Economia em foco

O cenário coloca ainda mais pressão sobre a inflação na Zona do Euro – na quinta-feira (8), o Banco Central Europeu informa a nova taxa de juros do bloco, e o movimento reforça a chance de uma alta agressiva, de 0,75 p.p (ponto percentual). Na região, o índice Euro Stoxx 50 fechou o pregão de hoje em baixa de 1,53%.

Nos EUA, a expectativa da semana é principalmente pelo Livro Bege (relatório detalhado sobre a situação da economia americana), que será publicado na quarta (7), e pelo discurso de Powell na quinta-feira. A expectativa é que o documento e a fala do presidente do Federal Reserve ajudem a calibrar as apostas para os juros americanos.

No Brasil, o indicador mais aguardado da semana é o IPCA de agosto, que será informado na sexta-feira. O alívio proporcionado pela redução nos preços de combustíveis pela Petrobras e a desaceleração da alta de preços de alimentos e bebidas devem permitir uma nova queda nos preços medidos pelo indicador.

Por aqui, os analistas ouvidos no Boletim Focus revisaram para cima suas projeções para a taxa Selic em 2023. Agora, a mediana dos especialistas acredita que os juros estarão em 11,25% no final do ano que vem, contra 11% no levantamento da semana passada.

Apesar de as apostas para o IPCA terem se reduzido para 2022 (de 6,70%, na última pesquisa, para 6,61%) e 2023 (de 5,33% para 5,30%), os analistas já esperam preços mais pressionados em 2024 (de 3,41% para 3,43%).

Os especialistas também revisaram para cima suas apostas para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e no próximo. Agora, as apostas são de uma alta de 2,26% neste ano e de 0,47% no próximo (contra expectativas anteriores de 2,10% e 0,37%, respectivamente).

Finalmente, os analistas mantiveram suas projeções para o câmbio de 2022 e 2023 (R$ 5,20 para o final de ambos os períodos) e para os juros básicos deste ano (13,75% ao ano).

Pão de Açúcar e saúde em destaque

Apesar de as ações ligadas a commodities serem as maiores responsáveis pela alta do Ibovespa, devido a seu peso no índice, elas não foram as que mais subiram no pregão. No fechamento, as maiores altas do Ibovespa eram de Pão de Açúcar (PCAR3), Prio e JHSF (JHSF3), com avanços de 9,72%, 6,45% e 3,97%, nesta ordem.

No caso da supermercadista, Nicolas Merola, analista da INV, diz que a ação da empresa se beneficia de dois fatores. O primeiro é um arrefecimento da curva de juros no Brasil, enquanto o outro fator é a intenção do Pão de Açúcar em separar a operação da subsidiária colombiana Éxito.

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“Desde a divulgação do fato relevante, no dia 8 de agosto, a ação tem subido”, afirma Merola. De fato, de agosto para cá, o papel da empresa já valorizou 41,11%.

Na sequência, as ações de empresas de saúde subiram em bloco, com destaque para SulAmérica (SULA11), em alta de 3,77%, e Fleury (FLRY3), com avanço de 2,88%. A suspensão temporária da lei que estabelece um piso salarial para profissionais da enfermagem, concedida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, neste domingo (4), traz um alívio temporário para as companhias do setor, que vinham sendo pressionadas por temores de aumento de custos.

Na outra ponta, as ações que mais caíram foram as de Positivo (POSI3), Marfrig (MRFG3) e Banco do Brasil (BBAS3), com recuos de 2,68%, 2,41% e 2,12%, respectivamente.

Criptomoedas

O Bitcoin (BTC) estendeu para hoje o clima de estabilidade observado durante o final de semana em um dia de baixa liquidez nos mercados globais por causa do feriado nos Estados Unidos.

A maior cripto do mundo segue abaixo de US$ 20 mil enquanto investidores esperam por novos sinais do ritmo de subida dos juros americanos.

Por volta das 16h55, o BTC registrava queda de 1,1%, vendido a US$ 19.767, segundo dados da Binance disponíveis na plataforma TradeMap.

No caminho oposto, o Ethereum (ETH) apontava para cima com a aproximação da atualização da blockchain. Na mesma hora, a segunda maior cripto do mercado tinha alta de 0,9%, negociada a US$ 1.590.

Sem grandes mudanças lá fora, por aqui a novidade ficou pelo anúncio de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central (BC) e ex-ministro da Fazenda, como novo integrante do quadro consultivo global da Binance, uma das maiores exchanges do mercado.

Quando esteve à frente do BC, em 2017, Meirelles integrou as primeiras discussões sobre criptomoedas do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo. À época, o economista chegou a afirmar que a regulamentação do setor era um caminho natural.

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