Os analistas ouvidos semanalmente no Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, revisaram para cima suas projeções para a taxa básica, a Selic, em 2023. Agora, a mediana dos especialistas acredita que os juros estarão em 11,25% no final do ano que vem, contra 11% no levantamento anterior.
Apesar de as apostas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) terem se reduzido para 2022 (de 6,70%, na última pesquisa, para 6,61%) e 2023 (de 5,33% para 5,30%), os analistas já esperam preços mais pressionados em 2024 (de 3,41% para 3,43%).
Após o IBGE divulgar na semana passada um PIB (Produto Interno Bruto) mais forte que o esperado no segundo trimestre do ano, os especialistas revisaram para cima suas apostas para a expansão da economia neste ano e no próximo. Agora, as apostas são de uma alta de 2,26% neste ano e de 0,47% no próximo (contra expectativas anteriores de 2,10% e 0,37%, respectivamente).
Impulsionado por estímulos do governo e pela demanda reprimida por dois anos de pandemia de coronavírus, o PIB mostrou um avanço de 1,2% no período entre abril e junho, em um crescimento puxado por serviços, mas disseminado por quase todas as atividades.
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As projeções para alta de preços estão menores pela redução dos preços de combustíveis pela Petrobras e sinais de desaceleração dos preços de alimentos, como mostrou na semana passada a forte deflação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de agosto.
O índice da FGV/ Ibre, usado no reajuste de contratos de serviços, caiu 0,70% no mês passado, bem mais que o esperado pelo mercado, que acreditava em uma deflação de pouco mais de 0,50%.
Os analistas mantiveram suas projeções para o câmbio de 2022 e 2023 (R$ 5,20 para o final de ambos os períodos) e para os juros básicos deste ano (13,75% ao ano).
O que é a pesquisa Focus?
O Boletim Focus é uma publicação divulgada todas as segundas-feiras pelo Banco Central às 8h25, contendo um resumo das expectativas de mercado a respeito dos principais indicadores da economia brasileira, como taxa de juros básica, inflação, câmbio e juros.
O relatório apresenta resultados de uma pesquisa feita diariamente com as previsões de bancos, gestoras de recursos e corretoras, entre outros participantes do mercado, e faz parte do arcabouço da política monetária. O objetivo é monitorar a evolução das expectativas do mercado para as principais variáveis macroeconômicas, dando assim elementos ao Banco Central para decidir sobre a taxa básica da economia, a Selic.
O levantamento foi criado em 1999 como parte da transição brasileira para o regime de metas de inflação, no qual o BC se compromete a atuar para garantir que a variação de preços medida pelo IPCA esteja em linha com um objetivo pré-estabelecido.
Um dos propósitos do BC é exatamente ancorar (ou guiar) as expectativas do mercado financeiro. A razão para isso é que, quanto mais previsíveis forem as condições macroeconômicas de um país, menores tendem a ser as contrapartidas pedidas pelos investidores.