A Movida (MOVI3), empresa locadora de veículos, registrou queda de 93,6% no lucro líquido entre o período de outubro e dezembro de 2022, para R$ 17,8 milhões, em comparação a igual período de 2021.
De acordo com balanço publicado na noite de segunda-feira (6), o resultado foi impactado negativamente por maiores despesas financeiras devido às altas taxas de juros.
Apesar disso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 10,5%, para R$ 858,2 milhões em relação ao quarto trimestre de 2021.
Porém, a margem Ebitda teve uma queda expressiva de 12,9 pontos percentuais para 31,7%.
Por fim, a receita cresceu 55,7% no quarto trimestre de 2022 em relação à igual período de 2021, totalizando R$ 2,7 bilhões. A venda de ativos representou a maior parte do montante com alta de 73,6% para R$ 1,4 bilhão.
Saiba mais:
O que achamos?
A Movida tem sofrido com altas despesas financeiras relacionadas às altas taxas de juros, reflexo de uma estratégia acelerada de crescimento durante a pandemia que elevou o endividamento da empresa.
No quarto trimestre de 2022, a frota de veículos da companhia era 56,7% superior à apresentada no mesmo período de 2020, totalizando 111,6 mil veículos, enquanto a dívida líquida cresceu mais de três vezes, para R$ 10,8 bilhões.
Diante disso, as despesas com juros foram 12 vezes maiores que no quarto trimestre de 2020, antes dos fortes investimentos em expansão das frotas e de o Banco Central começar a elevar a taxa básica de juros, a Selic.
No acumulado de 2022, as despesas financeiras da Movida superaram em 130% as de 2021, e foram as principais responsáveis por corroer os lucros da companhia.
Boa parte do mercado esperava que a Movida reportasse um resultado melhor que o divulgado. O Santander estimava um lucro líquido de R$ 84 milhões, enquanto a XP projetava R$ 32 milhões. Só o BTG esperava um lucro menor, de R$ 11 milhões.
Por outro lado, a companhia tem buscado aliviar a pressão das dívidas por meio da venda de seminovos mais caros. No quarto trimestre do ano passado, o preço médio dos carros vendidos foi 15% superior ao do quarto trimestre de 2021 e 34% maior em relação à mesmo período de 2020.
Portanto, a receita com a venda de veículos seminovos impactou positivamente os resultados, elevando o faturamento de forma expressiva e gerando mais caixa para companhia.
Como as ações devem reagir?
Apesar de o mercado ter previsto queda no lucro da Movida, o resultado aquém do esperado podem ter impacto negativo sobre as ações no pregão desta terça-feira (7)..