A Gol (GOLL4) anunciou, na noite da última sexta-feira (3), que sua controladora, a holding Abra, concederá um financiamento de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,28 bilhões na cotação atual). Essa é a décima transação de gestão de endividamento ou de captação de recursos da empresa desde o início da pandemia.
A Abra, criada para gerir as operações da Gol e da Avianca Group International, terá como garantia o programa de fidelidade Smiles, o que inclui sua propriedade intelectual, listas de clientes, marcas registradas e contratos relacionados.
Parte do investimento vem de membros do grupo ad-hoc, titulares de bonds garantidos e não garantidos da empresa, que assinaram o support agreement, no início do mês passado. Outra parte dos recursos vem de detentores de bonds fora desse grupo, que também aderiram ao support agreement.
O prazo do financiamento é março de 2028, com juros de 18% ao ano, dos quais 4,5% serão pagos em dinheiro, e 13,5% serão capitalizados. Não há possibilidade de pagamento antecipado.
Os montantes investidos estão em conformidade com o limite máximo de aquisição previsto no support agreement.
O que achamos
O financiamento encabeçado pela Abra é o segundo passo para a reestruturação financeira da Gol. A primeira etapa foi a rolagem da dívida da empresa, o que tornou a holding a maior credora da companhia aérea.
A procura pela flexibilidade da estrutura de capital por parte da empresa vai de encontro a sua necessidade de mostrar-se solvente no curto prazo.
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Embora a maior parte do endividamento da Gol esteja no longo prazo, ou seja, com vencimento mais longo do que 12 meses, a alavancagem financeira da empresa está em mais de nove vezes seu Ebitda ajustado dos últimos 12 meses (até o terceiro trimestre de 2022).
Com o financiamento e alongamento das dívidas – por mais que isso incorra em maiores custos no pagamento dos empréstimos – a companhia eleva sua liquidez e se protege de algum eventual contexto que demande a queima de caixa.
Como as ações da Gol devem reagir
Embora a confirmação do financiamento já fosse esperada pelos investidores, os papéis da Gol podem ter um dia positivo na Bolsa brasileira, acompanhando o movimento da pré-abertura em Nova York, com o mercado avaliando a operação com boas condições à empresa.