BRF (BRFS3) sucumbe a alta de custos e margens tombam sem repasses; como ações devem reagir?

Um resultado mais fraco já era esperado pelo mercado, mas o balanço foi pior do que o estimado

Foto: Shutterstock/rafapress

A BRF (BRFS3) apresentou, na noite da última terça-feira (28), seu resultado referente ao período entre outubro e dezembro do ano passado. O quarto trimestre de 2022 frustrou as expectativas do mercado, sobretudo nas principais linhas do balanço.

No último trimestre do ano passado, a receita líquida da empresa conseguiu avançar, ficando perto das projeções dos investidores, ao atingir R$ 14,76 bilhões (+7,6% ante o quarto trimestre de 2021). Mas dessa linha do balanço em diante, o resultado da BRF sucumbiu à alta dos custos na produção.

O CPV (custo dos produtos vendidos) cresceu num ritmo duas vezes maior que a receita, e somou R$ 12,33 bilhões (+14,9%). O CPV por quilo equivale a 83,4% do preço médio de venda da empresa.

Apesar da queda de preço do milho e do óleo de soja na comparação anual, a soja disparou 9,7% e o farelo de soja, 17,7%. Além disso, como toda a indústria, a BRF também viu o custo de transporte marítimo e de transferência da produção encarecer, com o aumento do preço dos combustíveis. 

De todo o CPV, as matérias-primas e insumos representam 77,1%. Se a companhia falhar no repasse de custos – algo que aconteceu no quarto trimestre – o resultado tende a sofrer. 

Consequentemente, o Ebitda ajustado caiu quase 40%, para R$ 1,03 bilhão, reforçando a preocupação do mercado com a alavancagem financeira da BRF. A dívida líquida da companhia chegou a 3,75 vezes o Ebitda acumulado nos 12 meses. 

O prejuízo no quarto trimestre foi de R$ 956 milhões, revertendo o lucro de R$ 964 milhões em igual intervalo do ano anterior.

O que achamos

Um resultado mais fraco da BRF já era aguardado pelo mercado, mas o balanço foi pior do que o estimado e acentua as preocupações com o setor para este início de ano. A Minerva (BEEF3) também frustrou toda e qualquer projeção do mercado. 

Sequencialmente, o resultado da BRF teve forte retração em comparação ao terceiro trimestre de 2022, com queda de 2,8 p.p. da margem Ebitda.

As despesas financeiras continuam altas, com os juros sobre empréstimos e financiamentos pesando sobre o lucro da empresa, o que a faz continuamente queimar caixa. 

Para que a BRF consiga fazer frente ao seu endividamento, principalmente quando os prazos de vencimento dos compromissos se aproximarem (prazo médio caiu de nove para oito anos em 12 meses), terá de reconstituir as margens.

Isso significa manter o domínio no mercado Halal, que tem conseguido elevar o market share das marcas Sadia e Banvit, mas também melhorar o resultado no Brasil. No consolidado, entre 2021 e 2022, a margem bruta do Brasil caiu 7,1 p.p., e o Ebitda ajustado tombou 61,4%, para R$ 1,1 bilhão, com as dificuldades de consumo familiar no mercado interno. 

Como as ações da BRF devem reagir

Os papéis da BRF devem ter um movimento negativo no pregão de hoje, acompanhando os resultados aquém do esperado. No acumulado deste ano, as ações da empresa caem 22%.

*O Pré-Trade é publicado diariamente pela Agência TradeMap, sempre antes da abertura da Bolsa, e se propõe a indicar como investidores podem reagir no pregão em reação a alguma notícia ou fato novo que tenha relação com uma ação específica em sua carteira. O conteúdo se destina a fins informativos e não deve ser interpretado como nenhum tipo de recomendação de investimentos.

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