Com os investidores assustados com a notícia envolvendo a Americanas (AMER3), o mercado ainda absorve as consequências e o Ibovespa, que já operou no negativo e no positivo, tenta mostrar um rumo para os negócios.
O rombo de R$ 20 bilhões da Americanas revelado na noite de ontem também atingiu em cheio as ações do setor varejista.
Os papéis da Americanas, inclusive, estão em leilão desde a abertura do pregão e a nova expectativa é ficar assim até 13h55, segundo a B3. De acordo com dados da plataforma do TradeMap, o papel está com uma baixa de 88%, cotado a R$ 1,40.
Vale ressaltar que, durante o leilão, a B3 permitiu, a pedido de agentes do mercado, para que o limite de baixa para o ativo aumentasse de 50% para 75% e depois de 75% para 99%. Na prática, a medida permite que a ação da empresa perca 99% de seu valor em um só dia.
Por volta de 13h45, o Ibovespa subia 0,34%, aos 112.892 pontos.
Na parte negativa, as maiores baixas de certa forma são de empresas que tem participação direta ou indiretamente na questão Americanas, sendo ou correlacionadas ao setor varejista e ao e-commerce.
Méliuz (CASH3) recuava 5%, Via (VIIA3) perdia 3,10% e Cielo (CIEL3) caía 1,37%. No setor bancário, que pode ser prejudicado com esse rombo, BTG Pactual (BPAC11) caía 4,37%, Itaú (ITUB4) perdia 1,10% e Santander (SANB11) apontava em 2,32% para baixo.
As consequências
Como desgraça pouca é bobagem, além do rombo, a Americanas está tendo que conviver com a saída de Sergio Rial, que deixou o cargo de presidente. Para piorar, mais cedo, em teleconferência com analistas, o executivo declarou que o cenário enfrentado pela companhia pode ser sintomático do setor.
Rial informou que percebeu, ao assumir o cargo, que havia problemas no reporte de itens na conta “fornecedor” no balanço da companhia.
O executivo, que deixou a presidência do Santander Brasil no ano passado, disse que muitos pagamentos a fornecedores que eram financiados por bancos não eram considerados como dívida. “É um tema que permanece desde a década de 1990″, afirmou.
Diante dessa situação, bancos e corretoras estão colocando suas recomendações para Americanas em revisão.
A Terra Investimentos, que tinha indicação de compra para a empresa até o último pregão, por exemplo, está reavaliando a recomendação com os novos acontecimentos. Para a corretora, o setor de varejo como um todo passará por uma pressão vendedora, até haja mais clareza sobre as análises dos balanços e passivos.
“Os bancos também porque são credores nestes financiamentos”, disseram Régis Chinchilla e Luis Novaes, analistas da Terra.
Commodities em alta
Na ponta positiva, a ação da CCR (CCRO3) subia 3,08% e liderava os ganhos. Depois dela, Rumo (RAIL3) avançava 2% e 3R Petroleum (RRRP3) estendia os ganhos e se valorizava 2,39%.
A companhia avançou 13,6% na véspera após divulgar sua prévia operacional de dezembro, que mostrou uma produção recorde.
No mês passado, a empresa produziu 25,3 mil boe (barris de óleo equivalente) por dia, uma alta de 92,3% em comparação ao registrado em novembro e o recorde do ano.
Além da 3R, as outras petrolíferas acompanhavam a alta do Brent no mercado externo e avançavam. A Prio (PRIO3) ganhava 1% enquanto o papel da Petrobras (PETR4) subia 0,45%.
No mercado futuro da ICE, o preço do contrato do barril da commodity subia 1,3%, cotado a US$ 83,78.
Ademais, empresas ligadas a outras commodities também subiam: Usiminas (USIM5) ganhava 0,64%, SLC Agrícola (SLCE3) avançava 0,63% e Suzano (SUZB3) se valorizava 0,50%.
Cenário internacional
No exterior, os mercados globais operam mistos, repercutindo uma inflação em queda nos Estados Unidos. Em Wall Street, o Dow Jones subia 0,15%, enquanto o S&P 500 perdia 0,22% e o Nasdaq recuava 0,48%. Na Europa, o Euro Stoxx 50 caía 0,73%.
A inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) recuou 0,1% em dezembro, em um cenário um pouco melhor do que a estabilidade esperada pelo mercado, dando sinais de que a maior economia do mundo começa a esfriar.
Na comparação anual, a alta foi de 6,5%, também em linha com a expectativa da mediana dos investidores, o menor aumento na comparação em 12 meses desde outubro de 2021.
Os investidores têm precificado que o Federal Reserve diminua o ritmo de seus aumentos nas taxas de juros na próxima reunião no início de fevereiro, mas os formuladores de políticas têm feito questão de deixar claro que tal decisão depende de dados sobre inflação e emprego no país.
“Com isso, esse índice de preços ao consumidor será um indicador-chave de seu progresso no controle da inflação”, afirmou a XP, em relatório matinal.