O Ibovespa nada de braçada rumo ao sétimo pregão seguido de alta, refletindo a alta das ações de empresas ligadas à economia doméstica, que sobem com intensidade no pregão, e a divulgação da inflação dos Estados Unidos, que veio controlada, fazendo com que o Fed (Federal Reserve, banco central americano) não seja tão agressivo na alta dos juros.
Por volta das 13h25, o principal índice da B3 avançava 1,27%, aos 109.939 pontos. Na parte de cima do índice, IRB (IRBR3) valorizava 9,38%, Yduqs (YDUQ3) subia 9%, JHSF (JHSF3) ganhava 8,81% e Totvs (TOTS3) apontava em 8% para cima.
Na avaliação de Matheus Spiess, analista da Empiricus, o bom humor internacional, causado pelo resultado da inflação americana abaixo do esperado, pode causar o fim do ciclo de aperto nos juros.
Mais cedo, a secretaria de estatísticas trabalhistas divulgou que o CPI (índice de preços ao consumidor) dos ficou estável em julho, cenário melhor que o esperado pelo mercado, que apostava em leve alta de 0,2%. Nos últimos 12 meses, o avanço de preços ficou em 8,5%, também abaixo dos 8,7% esperados pelos investidores.
“Esse cenário de normalização na inflação por lá abre espaço para o Fed ser menos agressivo no aumento de juros nas próximas reuniões. Com isso, aumenta a chance de não termos mais aumentos no BC. Isso potencializa esses ativos de risco, que acabaram sofrendo muito nos últimos tempos”, diz Spiess.
Após a divulgação, as projeções para o aumento de juros na próxima reunião do banco central americano, em setembro, viraram: a maior parte dos investidores (60,5%), que antes do dado apostava em um aumento de 0,75 ponto percentual na próxima reunião, reduziu as apostas para 0,50 ponto, de acordo com dados do CME Group.
Outros papéis mais ligados aos juros que subiam com intensidade eram Gol (GOLL4), Positivo (POSI3), Hapvida (HAPV3) e Azul (AZUL4). Respectivamente, essas ações avançavam 8,59%, 8,44%, 7,56% e 7,43%.
No caso do BTG Pactual (BPAC11), que figurava entre as maiores altas subindo 7%, a ação recupera parte do tombo de 2,09% sofrido na véspera. A instituição financeira divulgou o balanço do segundo trimestre na manhã de terça-feira (9), apresentando lucro líquido ajustado de R$ 2,17 bilhões, alta de 26,6% em relação ao mesmo período anterior e número recorde na história do banco.
Em comunicado enviado à imprensa, o CEO da instituição, Roberto Sallouti, destacou que esse foi o segundo trimestre consecutivo em que o lucro do BTG Pactual atingiu a máxima histórica.
Os números reportados pelo BTG foram bem recebidos por analistas do BB Investimentos e do Itaú BBA, de acordo com relatórios distribuídos na terça. “Em mais um contundente resultado trimestral de alta performance, o BTG reforça a capacidade de gestão de prateleira e de diversificação, ao entregar mais uma bateria de resultados recordes protagonizados pelo crescimento paulatino das áreas de clientes”, escreveu Rafael Reis, analista do BB-BI.
Para Spiess, um dos setores que mais se beneficia dessa sinalização de arrefecimento na inflação e, consequentemente na alta de juros, é o setor de incorporação imobiliária.
Dentre as small caps, por exemplo, a Mitre (MTRE3) subia 13,62%, enquanto Gafisa (GFSA3) ganhava mais de 10% e a Cury valorizava 9,88%.
Commodities em queda
Na parte de baixo do Ibovespa, ações ligadas à commodities recuavam em bloco. Até mesmo o recuo dos papéis com mais peso na Bolsa – como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4; PETR3) não conseguiam derrubar o principal índice da B3. As ações operavam em baixa de 0,64%, 0,0,56% e 0,60%, nesta ordem.
Quem liderava as perdas era a Copel (CPLE6). A companhia divulgou seu balanço do segundo trimestre na noite de ontem, reportando prejuízo líquido de R$ 522,4 milhões no período, revertendo o lucro de R$ 1 bilhão no mesmo trimestre em 2021.
A Copel foi bastante afetada negativamente por pagamentos de PIS e Cofins de cerca de R$ 1,2 bilhão no período. Se não houvesse a provisão para o pagamento, a lucratividade da Copel no teria sido de R$ 666,6 milhões, destacou a empresa.
Veja mais:
Copel (CPLE6) surpreende mercado com provisão de R$ 1,2 bilhão no 2º trimestre e ação cai
Entre as baixas constam também Minerva (BEEF3), que perdia 2,59%, PRIO (PRIO3), que caía 1,64%, Suzano (SUZB3), que desvalorizava 1,53% e Engie (ENGI11), que perdia 1,37%.
Bolsas internacionais
Lá fora, os principais mercados operam em alta, repercutindo os dados de inflação abaixo do esperado nos EUA. Em Wall Street, o Dow Jones ganhava 1,68%, o S&P 500 subia 2% e o Nasdaq avançava 2,54%.
O mercado americano continua observando os últimos resultados da temporada de balanços por lá. Nesta quarta, a Micron se juntou a Nvidia e relatou uma queda na demanda por semicondutores. Mais tarde, depois do fechamento do mercado, será a vez da Disney reportar seus números.
Na Europa, o movimento era positivo próximo do fechamento. O Euro Stoxx 50 subia 0,82%, enquanto o DAX 30 ganhava 1,12% e o FTSE 100 valorizava 0,22%.
“No Velho Continente, os mercados monitoram a crise energética na Alemanha escalar por um temor de que o Rio Reno, importante rota para o transporte de diesel e carvão, passa por um período de seca e pode deixar de ser navegável a partir do dia 12 de agosto”, avaliou a XP, em relatório matinal.