A Copel (CPLE6) surpreendeu o mercado de forma negativa ao reconhecer no segundo trimestre uma provisão para alocação dos créditos de PIS/Cofins no valor de R$ 1,2 bilhão, de acordo com a lei 14.385/2022, que estabelece a utilização dos impostos para redução tarifária.
Diante disso, as ações da estatal paranaense estão sofrendo no pregão desta quarta-feira (10). Logo após abertura, o papel preferencial chegou a ser a maior queda do Ibovespa, mas logo devolveu parte das perdas.
Por volta de 12h20, a ação da Copel caía 1,78%, a R$ 7,18, enquanto o Ibovespa vai na contramão e sobe 1,32%, aos 110.089 pontos, refletindo os dados de inflação dos Estados Unidos. Os preços ao consumidor do país ficaram estáveis em julho ante junho, elevando as apostas do mercado por um menor aumento de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano).
No segundo trimestre, a Copel reverteu o lucro líquido de R$ 1 bilhão, apresentado no intervalo de abril a junho de 2021, em prejuízo líquido de R$ 522,4 milhões no mesmo período deste ano.
Se não houvesse a provisão para o pagamento, que custou R$ 1,2 bilhão à empresa, a lucratividade da Copel no período teria sido de R$ 666,6 milhões, destacou a empresa.
Para a XP Investimentos, embora a Copel tenha feito esse reconhecimento, que ainda está em decisão judicial e pode não se concretizar, os resultados de forma geral vieram mistos, com destaque positivo para geração e transmissão, impactado pelo melhor cenário hidrológico, e negativo para a distribuição, que teve forte redução no volume de vendas de energia no mercado cativo.
Em relatório distribuído nesta manhã, a Eleven ressalta os bons resultados de geração e transmissão, enquanto vê uma tendência mais moderada para volumes, receitas e desempenho no setor de distribuição.
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Na parte financeira, a Eleven ressalta que a Copel está caminhando para uma melhor relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), além de estar em posição de se destacar no pagamento de proventos.