A diversificação dos negócios do BTG Pactual (BPAC11) tem permitido que o banco siga resiliente apesar dos desafios impostos pelo cenário macroeconômico – e a expectativa de que o fim do ciclo de alta das taxas de juros está próximo cria um panorama positivo para os próximos trimestres, na visão do banco.
Em primeiro lugar, se por um lado o mercado de capitais, representado pela área de investment banking, vem apresentando recuperação gradual, mas com receitas ainda 29% abaixo das anotadas no segundo trimestre de 2021, o braço de banco de varejo vem crescendo rapidamente, ampliando a diversificação das receitas, disse Roberto Saloutti, CEO do BTG, durante a teleconferência de resultados na manhã desta terça-feira (9).
Nesse contexto, a área de asset management registrou sua maior receita dos últimos sete anos, de R$ 269,9 milhões, alta anual de 49,8%, e o total de ativos sob gestão (AuM) fechou o trimestre a R$ 605,1 bilhões, 20,7% acima do mesmo período do ano passado.
A unidade de wealth management também teve bons resultados, com receita recorde de R$ 621,5 milhões, 65,8% acima da anotada no segundo trimestre de 2021, e wealth under management (WuM) de R$ 462,5 bilhões, expansão anual de 22,1%.
“À medida que continuamos ganhando espaço no segmento de varejo de alta renda e mantemos nossa posição de liderança no atacado, nosso fluxo de receitas se torna cada vez mais consistente e diversificado”, disse o banco, no relatório de balanço publicado nesta terça.
Com tudo isso, o BTG fechou o segundo trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 2,17 bilhões, alta de 26,6% em relação a igual período do ano anterior, e número recorde na história do banco. O resultado veio acima das expectativas do Santander e do Itaú BBA, que projetavam, respectivamente R$ 2,02 bilhões e R$ 1,97 bilhão.
Apesar dos fortes resultados, a ação do BTG era negociada em baixa de 2,66% por volta das 13h, a R$ 24,20.
Para os próximos trimestres, o banco afirma ter um pipeline robusto de operações no mercado de ofertas de dívida (DCM) e de fusões e aquisições (M&As), o que deve impulsionar os resultados do braço de investment banking, de acordo com Saloutti.
Renda fixa sustenta resultados
Em um ambiente de elevação nas taxas de juros, a renda variável tem perdido força. Porém, se de um lado os fundos de renda variável e multimercados têm registrado resgate de recursos, os produtos de renda fixa estão vendo um grande fluxo, explicou Saloutti.
“Na indústria, houve resgates em fundos de renda variável. Mas isso não quer dizer que a nossa plataforma, que é completa, tenha deixado de atrair recursos. Com a alta dos juros, o que está acontecendo é uma migração dos fundos de renda variável e multimercados para fundos de crédito e instrumentos de renda fixa”, afirma Saloutti.
E, conforme o ciclo de alta das taxas de juros chega perto do fim, como sinalizado pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) em sua última reunião, a expectativa do BTG é que o mercado passe por um ponto de inflexão, com a renda variável voltando a ganhar força a partir do quarto trimestre deste ano ou dos três primeiros meses de 2023.
Além disso, o banco não espera que a eleição presidencial – e seu resultado – crie um desafio adicional para os mercados. “Qualquer que seja o resultado da eleição, a nossa expectativa é que a disciplina fiscal e a boa política econômica prevaleçam. E isso, junto com o fim do ciclo de alta de juros, faz com que estejamos razoavelmente construtivos para o resto do ano”, afirma Saloutti.
Nesse contexto, a meta do banco é seguir entregando um retorno ajustado sobre o patrimônio (ROAE) acima dos 20%, apresentando crescimentos trimestrais. No segundo trimestre, o ROAE foi de 21,6%, o melhor desde 2016.
Como o mercado enxerga os resultados
Os números reportados pelo BTG foram bem recebidos por analistas do BB Investimentos e do Itaú BBA, de acordo com relatórios distribuídos nesta terça.
“Em mais um contundente resultado trimestral de alta performance, o BTG reforça a capacidade de gestão de prateleira e de diversificação, ao entregar mais uma bateria de resultados recordes protagonizados pelo crescimento paulatino das áreas de clientes”, escreveu Rafael Reis, analista do BB-BI.
“O BTG demonstrou que não está sofrendo com o ambiente macro mais difícil. O banco manteve um ROE de cerca de 21,5% no primeiro semestre, o que é prova de sua resiliência e diversificação de negócios”, afirmaram Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barranjard, do BBA.
Depois dos resultados, o BBA reiterou sua classificação de outperform para a ação – isto é, espera resultado acima da média do mercado -, com preço-alvo de R$ 35,33, o que corresponde a alta de 42% em relação ao valor do papel no fechamento de segunda-feira (8), de R$ 24,86.
O BB-BI também manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 34 – potencial de alta de 37%.