Ibovespa segue exterior e acentua perdas após ata do Fed

Índice teve recuo de 0,55%, aos 118.227 pontos

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Os mercados globais acentuaram as perdas depois da divulgação da última ata da reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) e encerraram em baixa, assim como o Ibovespa, que fechou em queda de 0,55%, aos 118.227 pontos, com R$ 24,48 bilhões em volume negociado. Com isso, o acumulado de abril registra queda de 1,48%, enquanto o saldo desde o início do ano apresenta alta de 12,79%.

Em Nova York, o Nasdaq teve baixa de 2,22%, o S&P 500 caiu 0,97% e o Dow Jones recuou 0,42%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 teve perdas de 2,38%.

Fed aumenta a pressão

Mais cedo, a ata da última reunião do Fomc (comitê de política monetária do Fed) mostrou que o banco central deve reduzir seu balanço patrimonial por meio da venda de títulos em um ritmo de até US$ 95 bilhões por mês, retirando liquidez dos mercados e refreando o ritmo da atividade econômica.

Esse valor de venda mensal de títulos seria bem acima da máxima de US$ 50 bilhões vendidos por mês registrados na última vez que o Fed reduziu seu balanço, entre 2017 e 2019.

Há duas semanas, o colegiado elevou os juros básicos americanos em 0,25 ponto, no intervalo entre 0,25% a 0,50% ao ano.

Cada vez mais, analistas e os próprios membros do colegiado indicam a possibilidade de aceleração do ritmo de aumento de juros para 0,5 ponto percentual como forma de combater a disparada da inflação, que vem sendo pressionada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

Juros mais elevados nos EUA tendem a reduzir a atratividade de investimentos mais arriscados, como os ativos de países emergentes como o Brasil.

Mais sanções à Rússia no radar

Outro fator que pesou sobre os mercados nesta quarta-feira foi a expectativa de que o Ocidente anuncie mais sanções econômicas à Rússia, após declarações da Ucrânia de que as forças russas teriam assassinado centenas de civis.

De acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Rússia atacou duas outras importantes cidades da Ucrânia nesta quarta-feira, mirando em depósitos de combustíveis que abasteciam as tropas ucranianas, segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, acrescentando que militares ucranianos afirmam ter interceptado dois mísseis russos próximos a uma terceira cidade.

Em consequência, os EUA anunciaram a proibição de novos investimentos de cidadãos americanos na Rússia. A União Europeia, por sua vez, segue negociando o banimento à importação de carvão natural da Rússia.

Apesar da perspectiva de mais sanções, o petróleo caiu com a notícia de liberação de reservas de países consumidores membros da AIE (Agência Internacional de Energia) e de alta nos estoques da commodity nos EUA. O Brent fechou em baixa de 5,22%, a US$ 101,07.

Juros atrapalham, dólar ajuda

Diante desta perspectiva de alta de inflação e de sinais de endurecimento na política monetária do Fed, a curva de juros fechou em alta, derrubando as ações de tecnologia e varejo. Assim, as maiores quedas no pregão foram de CVC (CVCB3), Banco Inter (BIDI11) e Méliuz (CASH3), com perdas de 8,97%, 8,7% e 8,33%, respectivamente.

O avanço do dólar, por sua vez, ajudou as ações de exportadoras. A Suzano (SUZB3) teve a terceira maior alta do índice, com ganhos de 2,16%. A primeira e a segunda posição foram ocupadas, respectivamente, por Eletrobras (ELET3), que subiu 3,76%, e Eletrobras (ELET6), com ganhos de 2,93%.

A moeda americana encerrou o pregão com alta de 1,19%, a R$ 4,7147.

A 3R seguiu em sua trajetória de alta, com ganhos de 1,54%, depois de receber uma recomendação positiva da XP na terça-feira. A corretora retomou sua cobertura na empresa recomendando compra dos papéis ao vislumbrar que os campos recentes adquiridos podem impulsionar seus resultados.

Além disso, a empresa divulgou um estudo elaborado pela consultoria independente DeGolyer and MacNaughton, que atestou que o Polo Potiguar, recém adquirido pela companhia, que possui uma capacidade provada de 169,7 milhões de barris de petróleo equivalente (boe).

A Vale (VALE3) também se destacou entre as altas, com ganhos de 1,51%, depois de a empresa confirmar a venda de ativos no Centro-Oeste para a J&F por R$ 1,2 bilhão, valor próximo às expectativas da equipe da Ativa Research. “Ressaltamos que a operação tem o objetivo de simplificar a operação da companhia de forma a otimizar a sua operação e que está aderente ao plano da Vale em buscar uma melhor alocação de capital”, disseram os analistas, em comentários ao mercado.

A mineradora também anunciou que dará início às obras da primeira planta comercial da Tecnored, no Pará, que terá capacidade inicial de produzir 250 mil toneladas por ano de ferro gusa verde. A operação está prevista para iniciar em 2025 e o investimento aproximado é de R$ 1,6 bilhão.

Ainda, respondendo a uma consulta feita pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre um possível acordo com a Tesla para fornecimento de níquel, a Vale afirmou que sua divisão de materiais básicos costuma fechar acordos que contam com cláusulas de confidencialidade com muitos de seus clientes.

Fora do Ibovespa, as ações da Moura Dubeux (MDNE3) dispararam 5,9% depois de a empresa anunciar que as vendas contratadas no primeiro trimestre de 2022 alcançaram R$ 426,5 milhões, alta de 58,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Movimentações em Brasília

A crise na Petrobras (PETR4) se estendeu por mais um dia, com os investidores ainda sem resposta quanto ao comando da estatal. As ações da petroleira tiveram baixa de 0,09%.

Em Brasília, o Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) informou que os servidores da instituição, que estão em greve desde a última sexta-feira (1º), decidiram manter a paralisação após reunião com o governo.

Nesta terça, representantes dos servidores se reuniram com Leonardo Sultani, titular da Secretaria de Gestão de Pessoas do Ministério da Economia, mas não obtiveram uma proposta formal de reajuste salarial. A reivindicação acontece após o governo conceder um aumento de R$ 1,7 bilhão somente aos policiais federais.

No mesmo movimento, servidores da CGU (Controladora-Geral da União) e do Tesouro Nacional anunciaram, na manhã de hoje, que irão paralisar as atividades enquanto discutem propostas de aumento de salário.

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