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Ibovespa recua à espera de Fed; Eletrobras cai 3% em meio a atrasos na privatização

Ibovespa recua à espera de Fed; Eletrobras cai 3% em meio a atrasos na privatização

Em dia volátil, o principal índice da B3 tem queda de 0,27%, aos 106.474 pontos

Jerome Powell Federal Reserve mercados EUA

Foto: Andrew Harnik

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Em dia marcado pela volatilidade e por expectativas em torno do fim da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o Ibovespa opera em baixa de 0,27%, aos 106.474 pontos, por volta das 13h55 desta quarta-feira (15).

As maiores quedas do índice são de Dexco (DXCO3 -4,02%), Ecorodovias (ECOR3 -3,83%) e Azul (AZUL4 -3,49%). Na ponta oposta, Minerva (BEEF3 +12,32%), Unidas (LCAM3 +4,32%) e Braskem (BRKM5 +3,81%) encabeçam as altas .

A Eletrobras (ELET3), que liderou as baixas por boa parte do pregão, está reagindo à demora do Tribunal de Contas da União (TCU) em deliberar sobre o projeto de privatização da empresa. Esperava-se que o processo fosse julgado hoje, mas o pedido de vista de um dos desembargadores responsáveis pelo caso, o ministro Vital do Rêgo, sinaliza atraso. A ação cai 2,55%, negociada a R$ 33,64.

As quedas na maior parte dos setores da bolsa, segundo Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, seguem o exterior na expectativa da decisão do Fed, além da abertura da curva de juros que, como explica o analista, pressiona as empresas que focam no mercado doméstico, sobretudo de setores como aviação civil e turismo.

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Outro destaque negativo é o setor petrolífero, que vive dia de realização de lucros. Gigante da commodity, a Petrobras (PETR4) registra queda de 0,96%, a R$ 28,84.

Seguindo a tendência de ontem, os frigoríficos seguem entre as maiores altas do Ibovespa, com o adicional da retirada do embargo para a importação de carne do Brasil pela China, o que anima o setor. Além de Minerva, BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3) também sobem forte, com ganhos de 0,69% e 3,43%, respectivamente.

A alta da Unidas está relacionada à aprovação, pelo Cade, da proposta de aquisição da empresa pela Localiza (RENT3). A decisão veio com restrições para limitar a participação de mercado da nova companhia. Os papéis vinham subindo desde a manhã em meio a expectativas em torno da decisão. A ação da Localiza, por sua vez, sobe 3,67%, a R$ 59,60.

A Eneva (ENEV3) também figura entre as maiores altas da sessão, depois de informar ao mercado a incorporação da Focus (POWE3). A Eneva sobe 2,5% e a Focus, 4,3%.

Do lado positivo, Crespi chama atenção também para o setor de educação. Principais nomes da indústria, Cogna (COGN3), Ser Educacional (SEER3) e Ânima (ANIM3) sobem 1,2%, 1,91% e 0,12%, respectivamente.

O que mexe nos mercados

O grande evento do dia é a decisão de taxa de juros do banco central americano, o Fed, que será publicada às 16h, e o discurso do presidente da instituição, Jerome Powell, na sequência, que pode dar pistas sobre a percepção do Fed em torno da economia do país.

A expectativa do mercado é que o banco sinalize uma aceleração do tapering, isto é, a retirada de estímulos da economia, com o objetivo de combater a escalada da inflação. Ontem, o índice de preços ao produtor nos Estados Unidos superou as expectativas e registrou a maior alta desde novembro de 2010.

Na análise de Pietra Guerra, da Clear Corretora, as expectativas em torno da decisão do Fed podem pesar também sobre o mercado brasileiro: “Sabendo que é uma decisão de aumento do risco de retiradas de estímulo pelo Fed, pode trazer algum peso no nosso mercado brasileiro. Tendo vista que, em tese, isso pode deixar o mercado americano mais atrativo.”

“A aceleração do tapering já é um consenso, mas investidores querem também saber o ritmo em que o Fomc (comitê do Fed responsável pela decisão) deve fazer aperto de política monetária”, completa Crespi.

Outro evento importante foi a aprovação em primeiro turno do texto principal da nova PEC dos Precatórios pela Câmara dos Deputados. Essa decisão já havia sido precificada pelo mercado, segundo Guerra, mas ainda pode ter algum impacto positivo, visto que abre espaço para a deliberação de outras propostas.

Repercute ainda a divulgação do IGP-10 e do IBC-Br, monitor da atividade econômica do Banco Central considerado uma prévia do PIB. O IGP-10 teve queda de 0,14% em novembro, ante expectativa de -0,25%, enquanto o IBC-Br de outubro registrou queda de 0,4% em relação a setembro, pior do que o esperado pelo mercado.

A queda do IBC-Br, apesar de piorar as perspectivas para o PIB, pode ser lida como um alívio para a inflação. De acordo com Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, em comentários ao TradeMap, o dado mostra que os aumentos na taxa básica de juros estão funcionando e que “é questão de tempo para a inflação desacelerar”.

Em outra frente, após fechar o pregão de ontem em máxima desde abril, o dólar opera em forte alta nesta terça, subindo 0,54%, a R$ 5,71.

Exterior

Em Wall Street, os mercados operam em baixa enquanto aguardam o fim da reunião do Fed e os comentários de Powell. Entre os principais índices, a maior queda é do Nasdaq, de 0,95%, enquanto Dow Jones perde 0,17% e S&P 500, 0,36%.

Os temores relacionados à inflação não ficam só nos Estados Unidos: o mundo todo está à espera, nesta semana, de decisões de política monetária de diversos bancos centrais. A expectativa é que a maior parte destas instituições embarque no mesmo caminho, retirando estímulos econômicos.

Outro fator de cautela sobre os mercados do mundo todo são os possíveis impactos da Ômicron, nova variante do coronavírus.

Na Europa, o EuroStoxx 50 fechou em alta de 0,36%, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,65%, enquanto o DAX, da Alemanha, subiu 0,18%.

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