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Ibovespa fecha próximo da estabilidade, equilibrando exterior em alta e Petrobras (PETR4) em baixa

Ibovespa fecha próximo da estabilidade, equilibrando exterior em alta e Petrobras (PETR4) em baixa

Saldo do índice na semana é de valorização de 3,18%

Gráficos mostram cotações

Foto: Shutterstock

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Gabriel Bosa

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Gabriel Bosa

Equilibrando os pesos de Bolsas estrangeiras em alta e das ações da Petrobras em queda, o Ibovespa passou o pregão desta sexta-feira (27) rondando a estabilidade e fechou em leve alta de 0,05%, aos 111.941 pontos, com R$ 19,5 bilhões em volume negociado.

A semana foi de ganhos, com valorização de 3,18%. Com isso, a alta acumulada em maio passa para 3,77%, enquanto o saldo de 2022 é de ganho de 6,79%.

O dia foi positivo para as Bolsas estrangeiras. Em Nova York, o Nasdaq subiu 3,33%, o S&P 500 teve alta de 2,47% e o Dow Jones avançou 1,76%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com ganhos de 1,83%.

Inflação dá uma forcinha

O bom humor dos mercados externos veio de uma ligeira diminuição nos temores sobre o aperto da política monetária.

Divulgado nesta sexta-feira, o índice de inflação dos Estados Unidos mais acompanhado pelo Federal Reserve, o banco central americano, mostrou que a alta de preços na maior economia do mundo, cujo patamar é o mais elevado em 40 anos, pode ter enfim chegado ao pico.

O escritório oficial de estatísticas americano (BEA, ou Bureau of Economic Analysis) informou que o núcleo do PCE (Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal) de abril (medida que exclui os preços mais voláteis, como de energia e alimentos) subiu 4,9% na comparação com o mesmo mês de 2021 e 0,3% em relação a março.

Os números vieram em linha com o esperado pelo mercado e afastaram as preocupações de que um índice acima do apresentado poderia reavivar as preocupações com a alta de preços e levar a um aperto ainda maior na política monetária americana.

Ontem, a divulgação de uma queda acima do esperado no PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, de 1,5%, animou o investidor com a ideia de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) possa ter de pegar mais leve no ciclo de alta de juros.

Petrobras joga contra

A maior queda do pregão, responsável por limitar a alta do Ibovespa, foi das ações da Petrobras, pressionadas por incertezas diante da troca de comando, de uma possível interferência governamental nos preços dos combustíveis e de conversas sobre privatização. Os papéis preferenciais da estatal (PETR4) caíram 4,79%, enquanto os ordinários (PETR3) recuaram 4,18%.

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O principal motivo da queda foram falas do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmando que o governo pode vender as ações que tem da estatal por meio de um projeto de lei e deixar de ser o sócio majoritário da empresa.

Além disso, de acordo com a coluna da Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a Petrobras enviou um comunicado ao governo confirmando o risco de faltar diesel no Brasil.

Na visão de analistas da Ativa Investimentos, uma situação de desabastecimento seria negativa para a Petrobras, “pois colocaria mais pressão sobre a sua forma de atuação”. Além disso, a corretora acredita que este risco é real, devido à guerra na Ucrânia, ao aumento da demanda de derivados e aos impactos na oferta vinda dos EUA.

Agito em Brasília

Segundo notícias veiculadas na mídia, o governo estaria estudando a criação de um auxílio para caminhoneiros e, possivelmente, motoristas de táxi e aplicativos, com custo estimado em R$ 1,5 bilhão em 2022. Para os analistas políticos da XP Investimentos, a medida é incipiente e esbarra tanto no teto de gastos quanto na lei eleitoral, e até mesmo uma tentativa de utilizar a Petrobras na execução dos auxílios poderia ser vetada.

Ainda no âmbito fiscal, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a tendência é que o governo pratique um reajuste salarial de 5% a todos os servidores neste ano.

Além disso, o presidente sinalizou que poderia vetar a proposta de compensação a estados no projeto de limitação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que está em tramitação no Senado.

Na seara eleitoral, a pesquisa Datafolha divulgada na noite de ontem mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem sobre Jair Bolsonaro, somando 48% de intenção de votos no primeiro turno, contra 27% do presidente.

A dúvida dos investidores é se o cenário mais favorável a Lula pode levar Bolsonaro a ampliar medidas para tentar compensar a inflação, como mudanças na política de preços da Petrobras.

Depois de um longo período e após ter passado do prazo inicial previsto pelo governo federal, que era 13 de maio, a Eletrobras (ELET6) finalmente divulgou a oferta pública de ações para a capitalização da companhia. O processo prevê a emissão de 627,675 milhões de ações na oferta primária e 69,801 milhões, na secundária. No total, serão 697,476 milhões de papéis.

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A fixação do preço do papel no âmbito da oferta ocorrerá no dia 9 de junho. Mas, com base no fechamento de ontem, levando em consideração o valor de R$ 44 por ação, a oferta pode alcançar R$ 30,69 bilhões. A ação ordinária da companhia (ELET3) fechou em baixa de 1,23%, enquanto a preferencial (ELET6) subiu 0,59%.

Maiores altas do pregão

As ações que mais subiram nesta sexta-feira foram as de BRF (BRFS3), Minerva (BEEF3) e CSN (CSNA3), com ganhos de 4,82%, 4,4% e 3,1%, respectivamente.

A BRF irá demitir alguns diretores e eliminar cerca de 25% dos cargos da diretoria, segundo apuração do jornal Valor Econômico. De acordo com o veículo, a medida é parte da estratégia do CEO da BRF, Lorival Luz, de enxugar custos da companhia.

Além disso, a iniciativa seria uma forma de reverter o quadro negativo do primeiro trimestre, quando a dona da Sadia e da Perdigão teve prejuízo de R$ 1,5 bilhão.

Em relatório distribuído a clientes nesta sexta, os analistas do BTG Pactual ressaltam que a gestão atual da BRF, que assumiu o comando da empresa em 2018, tem se mostrado comprometida com redução de custos. No entanto, o banco ainda sente que há uma falta clareza sobre quanto a cultura corporativa e a governança da BRF ainda podem mudar.

As mineradoras e siderúrgicas subiram em bloco. Além da CSN, a Vale (VALE3), que possui o maior peso em toda a Bolsa, ganhou 1,74%.

Na Bolsa de Dalian, o minério de ferro teve uma alta de 4,41% na comparação intradia durante o pregão da manhã. Agora, a tonelada do produto é negociada a 863,50 iuanes, o equivalente a US$ 128,61.

Outra ação que fechou em alta, de 1,62%, foi a da 3R Petroleum (RRRP3). A companhia anunciou que vai começar a vender parte do gás natural produzido nos polos Recôncavo e Rio Ventura, localizados na Bacia do Recôncavo, para a Bahiagás. O contrato tem vigência até dezembro de 2023 e poderá ser postergado caso as empresas desejem.

“A parceria comercial entre a 3R e a Bahiagás está alinhada com a estratégia da companhia de constantemente avaliar alternativas para a melhor monetização de sua produção e para diversificação de clientes, de modo a promover geração de valor aos acionistas”, afirmou a 3R.

A empresa se beneficiou também da alta do petróleo, com o Brent avançando 1,22%, a US$ 115,56 por barril – assim como a PetroRio (PRIO3), que teve ganhos de 2,64%.

Bitcoin

O mercado de criptoativos foi na direção oposta das bolsas globais e ampliou as perdas nesta sexta-feira, reforçando a fuga dos investidores de opções mais arriscadas e com maior volatilidade.

O Bitcoin (BTC) se manteve abaixo da linha de US$ 30 mil durante a maior parte do dia, mas mergulhou com força no período da tarde e chegou a atingir a mínima de US$ 28.332, conforme dados da CoinMarketCap.

Por volta de 16h50, a maior cripto em capitalização recuperava parte do terreno, com queda de 3,22% em 24 horas, cotada a US$ 28.536.

O ativo caminha para renovar a série histórica de nove semanas seguidas no campo negativo, a mais longa desde 2013, segundo a Coinglass.

Para as altcoins, ativos alternativos ao BTC, o dia foi ainda pior. O Ethereum (ETH) perdia 5,66%, a US$ 1.732, enquanto a Cardano (ADA) recuava 6,46%, a US$ 0,45.

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