A notícia de que a BRF (BRFS3) irá cortar 25% de seus cargos de diretoria parece ter agradado o mercado: as ações da companhia eram as que mais subiam entre as listadas no Ibovespa nesta sexta-feira, com alta de 5,16%, por volta das 12h15, a R$ 15,28.
Em relatório distribuído a clientes nesta sexta, os analistas do BTG Pactual ressaltam que a gestão atual da BRF, que assumiu o comando da empresa em 2018, tem se mostrado comprometida com redução de custos. No entanto, o banco ainda sente que há uma falta clareza sobre quanto a cultura corporativa e a governança da BRF ainda podem mudar.
O BTG aponta que a alta rotatividade da gestão da BRF, com cinco CEOs globais, oito CFOs e sete CEOs no Brasil nos últimos dez anos, é um dos motivos para a companhia ter começado a perder eficiência em sua complexa cadeia de produção, causando alta de custos e resultados piores.
“Desde sua criação, a BRF enfrentou diversas mudanças estratégicas, incluindo tensões contínuas entre grupos de acionistas. Então, ter uma estratégia clara e de longo prazo para uma companhia que lida com uma cadeia de produção tão complexa, pressões competitivas enormes e um balanço ainda relativamente alavancado é algo positivo”, escrevem os analistas.
O corte de cargos faz parte de um conjunto de estratégias que tem como objetivo otimizar as operações e tornar a BRF mais eficiente e ágil. Nesse ponto, porém, a impressão do BTG é que falta clareza sobre quão profundas as mudanças podem ser, principalmente considerando que a Marfrig (MRFG3) deixou de ser apenas um investidor passivo.
Por esse motivo, o banco manteve sua classificação neutra para a ação, mesmo acreditando que a companhia está operacionalmente mais forte do que há alguns anos, que o momento será positivo principalmente para o setor de aves e que as margens devem se recuperar a partir do segundo trimestre.
Leia mais:
BRF (BRFS3) vive “tempestade perfeita”, mas o pior pode já ter ficado para trás; entenda
A visão do mercado é mista. De acordo com dados da Refinitiv disponíveis no TradeMap, seis das 13 instituições financeiras consultadas classificam o papel como neutro, enquanto quatro recomendam a compra da ação e três acreditam que é hora de vender. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 25, o que corresponde a alta de 64% em relação aos níveis atuais.
