Se por um lado as novas sanções do Ocidente contra a Rússia fazem os preço de commodities subirem pelo mundo, por outro, causa cautela nos mercados, ajudando a pressionar o Ibovespa nesta segunda-feira (7).
Às 13h, o principal índice da B3 caía pelo terceiro pregão seguido, recuando 0,90% e operando a 113.443pontos. O setor das companhias aéreas liderava as principais quedas do dia.
Para Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio da assessoria de investimentos BRA, o mercado acionário brasileiro acompanha o aumento da aversão ao risco em meio à escalada dos temores com a guerra na Ucrânia. Azul (AZUL4) puxava a fila negativa, recuando 10,40%, e, logo em seguida vinha a GOL (GOLL4), caindo 8,95%.
As empresas aéreas acabam sofrendo pelo conflito na Ucrânia por diversos motivos. Em primeiro lugar, porque parte dos voos para a Europa está sendo cancelada. Em segundo lugar, porque a cotação do petróleo está subindo e isso eleva o preço dos combustíveis das aeronaves. Por último, há uma expectativa de aumento do dólar, o que também é uma preocupação, uma vez que 60% dos custos das companhias aéreas brasileiras são atrelados à moeda americana (incluindo combustível, arrendamento de aeronaves, seguro e certos custos de manutenção).
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Além das aéreas, empresas expostas ao cenário interno concentram as quedas. Seguindo na ponta de baixo, Petz (PETZ3) caía 7,14% e Americanas S.A. (AMER3) recuava 6,45%.
“As empresas de economia doméstica são mais uma vez penalizadas pela constante perda de poder de compra dos consumidores, penalizados pela combinação de inflação e juros em alta”, afirma Nishimura.
Segundo o Boletim Focus desta segunda, a alta nos juros e na inflação deve continuar. As apostas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano voltaram a ser revisadas para cima, com os analistas apostando em alta de 5,65% (a projeção anterior era de 5,60%).
No caso da Selic, a taxa básica de juros da nossa economia, a previsão para este ano se manteve em 12,25%, mas para 2023 o mercado elevou a projeção em 0,25 ponto porcentual (pp), para 8,25%.
Ações que sobem mais são ligadas a commodities
Quem lidera as altas do dia é a Vale (VALE3), empresa com mais ações negociadas na Bolsa, que sobe 3,69%. Além dela, outras mineradoras também registram alta no preço dos papéis, como a CSN Mineração (CMIN3) que subia 2,37%. Além disso, o braço siderúrgico da companhia (CSNA3) crescia 2,69%.
As empresas se beneficiam da alta do preço do minério de ferro. Na bolsa de Dalian, na China, a tonelada da commodity ficou 7,1% mais cara hoje em relação ao pregão anterior e era negociada por 870 iuanes, o equivalente a US$ 137.

Não é só o minério que sobe pelo mundo. No domingo (6), o preço do petróleo tipo Brent, que serve como referência no mercado internacional da commodity, alcançou US$ 138 por barril no mercado futuro da ICE, o maior valor para o produto desde 2008.
O avanço ocorreu depois de o secretário de Estado americano, Antony Blinken, dizer em entrevista à CNN que os EUA estavam conversando com países da Europa “para avaliar, de forma coordenada, a perspectiva de banir a importação de petróleo russo, ao mesmo tempo garantindo que haja uma oferta apropriada de petróleo nos mercados mundiais”.
Os russos são grandes produtores e exportadores de petróleo, e desde que invadiram a Ucrânia têm sofrido pesadas sanções econômicas da Europa, dos Estados Unidos e do Reino Unido. Nenhuma delas, até agora, bloqueou explicitamente a exportação de petróleo pelos russos.
No momento, o barril da commodity é negociado por US$ 122,69 – alta de 3,9%. Esse aumento no preço beneficia a 3R Petroleum (RRRP3), que sobe 0,54% na bolsa. Contudo, sua subida é isolada dentre as demais empresas do setor.
A Petrobras (PETR4) cai 1,58% na Bolsa. Para Alexsandro Nishimura, da BRA, as ações da estatal são prejudicadas pela ausência de um reajuste no preço da gasolina e do diesel mesmo diante do avanço nos preços do petróleo.
O último reajuste nas bombas foi feito no meio de janeiro. Na ocasião, o valor do barril negociado no mundo era de US$ 82,64 – ou 32% menor que o atual.
Segundo relatório desta segunda da Genial Investimentos, a defasagem entre o preço internacional do petróleo e o preço das bombas está acima dos 40%. Até o momento, a Petrobras não sinalizou nenhuma ação.
Em entrevista para a Reuters na última quarta, o presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, afirmou que não há uma definição sobre um novo reajuste no preço dos combustíveis.
A estatal afirmou que monitora o conflito, mas a recente queda do dólar ajudou a balancear o preço dos derivados de petróleo.
Bolsas internacionais em baixa
Os mercados externos continuam a monitorar a guerra na Ucrânia, e apresentam quedas no primeiro pregão da semana. Em Wall Street, todos os principais índices caíam mais de 1%. Dow Jones caía 1,25%, S&P 500 recuava 1,40% e o Nasdaq Composto apontava em 1,66% para baixo.
Na Europa, continente que sedia o conflito, eram observadas mais quedas. O Euro Stoxx 50, índice que reúne empresas de todo o Velho Continente recuava 0,49%, enquanto na Alemanha, o DAX caía 1%. A única exceção positiva é o FTSE 100, de Londres, que subia 0,12%.