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Garde prefere bolsas europeias a americanas em 2022, e vê potencial em dois segmentos no Brasil

Garde prefere bolsas europeias a americanas em 2022, e vê potencial em dois segmentos no Brasil

Para CEO Marcelo Giufrida, alta da taxa de juros deve ser favorável para fundos multimercados em 2022

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Foto: Divulgação

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Após sucessivos recordes de alta das bolsas dos Estados Unidos, que estão nas máximas históricas, a gestora Garde Asset Mangement vê mais oportunidades nos mercados acionários europeus em 2022, e espera outro ano difícil para os emergentes.

O Brasil entra nesse cenário com várias vulnerabilidades, com crescimento econômico próximo a zero em 2022 e provável risco de recessão em 2023, além de incertezas no cenário político e fiscal. A boa notícia é que boa parte do cenário negativo já está contemplada nos preços dos ativos. “O risco na Bolsa hoje é de melhorar”, diz Marcelo Giufrida, sócio e CEO da Garde, que tinha R$ 3 bilhões sob gestão em outubro.

Apesar de a gestora estar com posição neutra em bolsa dos EUA, Giufrida ainda vê oportunidade nas ações das big techs americanas, ciente dos múltiplos elevados, e prefere evitar empresas que consomem muito caixa, que são mais vulneráveis à alta da taxa de juros americanos no ano que vem.

Com o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, se preparando para elevar a taxa básica de juros, 2022 deve ser mais um período pouco favorável para mercados emergentes, com os investidores mais seletivos para aplicar em ativos de maior risco.

“Esse ambiente não costuma ser bom para mercados emergentes, com dólar forte e ventos contrários na bolsa. O desempenho no mercado de ações vai ser muito desigual”, afirma Giufrida.

Exportadoras e saúde são preferências na Bolsa brasileira

Já a Bolsa brasileira está com os preços dos ativos muito descontados e pode ser uma oportunidade para médio e longo prazos. “O investidor tem que ser paciente para aproveitar as oportunidades na bolsa”, assinala Giufrida

Com o cenário mais volátil, o CEO da Garde prefere setores menos sensíveis à atividade doméstica no Brasil, como ações de empresas exportadoras de commodities e setor de saúde.

O cenário eleitoral traz alguns riscos para o quadro fiscal, com o governo podendo adotar medidas populistas do lado da arrecadação, como isenções na tabela de impostos para ganhar apoio político, diz Giufrida. O CEO da Garde, no entanto, acredita que boa parte dos riscos já está refletida nos preços. “O risco na Bolsa hoje é de melhorar”, diz.

Para o gestor da Garde, o que teria força suficiente para reverter o mau humor no mercado seria uma surpresa positiva do lado das reformas, como a aprovação da administrativa ou tributária, ou as privatizações da Eletrobras (ELET3) e dos Correios.

Selic alta deve favorecer multimercados

Com a alta da taxa básica de juros, que deve atingir o patamar de 11,75% em 2022, o CEO da Garde acredita que 2022 será um ano mais favorável para os fundos multimercados. “Com os juros mais altos no Brasil e as bolsas com múltiplos bem esticados lá fora, os investimentos no exterior devem perder um pouco de apelo”, diz.

Os multimercados macro da Garde também sofreram em 2021 acompanhando o desempenho da indústria. Os fundos D’Artagnan, Dumas e D’Artagnan BNY acumulam no ano um retorno abaixo do CDI, que tinha alta de 4,03% até 17 de dezembro.

A renda fixa deve ganhar destaque nesse cenário, com o CEO da Garde vendo hoje mais oportunidades em posições aplicadas (apostando na queda das taxas) em juros prefixados e em títulos do Tesouro atrelados à inflação (NTN-Bs) com prazos não muito longos. “Temos aplicação em juros prefixados, mas é uma posição bem tática”, assinala o gestor da Garde.

Para Giufrida, o Brasil deve passar por um período prolongado de estagnação da renda, com impacto na arrecadação do governo federal. “O Brasil precisaria de um superávit de 3% do PIB para custear o aumento do custo da dívida, mas hoje tem déficit fiscal”, diz.

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