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Banco Central espera inflação dentro da meta e alta de 1% no PIB em 2022, mas cenário é incerto

Banco Central espera inflação dentro da meta e alta de 1% no PIB em 2022, mas cenário é incerto

Estimativas do BC são mais otimistas que as dos investidores, mas estão cercadas por incertezas

Copom decide taxa Selic

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

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O Banco Central (BC) acredita que a inflação ficará abaixo do limite de 5% em 2022 e que no ano que vem a economia crescerá 1,0%. As previsões são mais otimistas que as do mercado, mas estão rodeadas de incertezas.

A instituição passou a esperar inflação de 10,2% neste ano e de 4,7% no ano que vem. As taxas são maiores que as de 8,5% e 3,7% estimadas em setembro, quando o BC havia divulgado estas projeções pela última vez. Para 2023, a previsão de inflação continuou em 3,2%, enquanto para 2024 a taxa projetada caiu de 2,8% para 2,6%.

Na prática, o que o BC sinalizou é que as taxas de inflação devem ser mais altas no curto prazo, mas que o mais provável é não excederem o limite de 5,0% em 2022.  Isso com base no cenário esperado pelo mercado financeiro, que espera aumento da taxa básica de juros (Selic) para um pico de 11,75% ao ano em maio, com redução gradual a partir de outubro.

O BC reconheceu, no entanto, que o risco de a inflação estourar o teto no ano que vem aumentou significativamente – de 17% em setembro para 41% nas projeções atuais. Isso decorre principalmente de várias dúvidas que a instituição tem a respeito de como a economia vai se comportar daqui para frente.

A premissa atual é de que “os níveis atuais de incerteza econômica se reduzem ao longo do tempo”, acompanhados pela melhora nos indicadores de endividamento público, por um aumento nos preços de commodities e por preços menores para a energia elétrica ao fim de 2022. Todos estes fatores, porém, podem não se concretizar e afetar a inflação.

Se os preços das commodities caírem, a inflação pode ser menor que a prevista. Se o governo aumentar as despesas com auxílios relacionados à pandemia, a inflação pode ser maior. Se o mercado desconfiar que o governo desistiu de ajustar as contas públicas, a inflação também pode subir mais. E se o banco central dos Estados Unidos resolver subir os juros rapidamente, como sinalizou ontem, isso pode “afetar o preço de ativos domésticos” – uma maneira de dizer que o investidor que detém ações e títulos de dívida em real podem ver o valor de seus investimentos cair.

Surpresa negativa na economia

No caso do PIB, a redução na previsão de crescimento foi revisada para baixo após a divulgação de dados “que sugerem perda de dinamismo da atividade”, novas elevações da inflação e aumento no risco de o governo gastar mais e piorar o déficit nas contas públicas, disse o BC.

A estimativa de crescimento da economia em 2022 – que caiu praticamente pela metade em relação a setembro, quando o BC esperava expansão de 2,1% – só não foi pior porque a instituição espera aumento da circulação de pessoas e das interações sociais e resultados positivos no setor agropecuário.

Um dos fatores que podem fazer a expansão ser menor do que a esperada, portanto, é a possibilidade de restrições à atividade econômica em função de um agravamento da pandemia. Este risco, segundo o BC, é baixo.

“A evolução da pandemia no país continua em trajetória favorável, em contexto de continuidade da vacinação, inclusive com a perspectiva de aplicação disseminada de doses de reforço. Ainda assim, esse risco continua sendo monitorado com atenção, especialmente diante do aumento de casos mesmo em países da Europa com vacinação elevada e da recente detecção de nova variante de preocupação, Ômicron”, disse o BC.

“Esses eventos recentes indicam aumento do risco de desaceleração da atividade econômica mundial, com reflexos na economia brasileira, e até mesmo de reversão da trajetória benigna da crise sanitária no Brasil”, acrescentou.

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