Diante da expectativa de certo alívio nas pressões inflacionárias, as Bolsas ao redor do mundo tiveram um dia de alta nesta segunda-feira (12) – e não foi diferente para o Ibovespa, que fechou o pregão com ganhos de 0,99%, aos 113.406 pontos. Foram R$ 18,05 bilhões em volume negociado.
Com a alta de hoje, o saldo do índice no mês de setembro passou para avanço de 3,55%, enquanto a valorização acumulada desde o início do ano agora soma 8,19%.
O pregão também foi positivo no exterior. Em Nova York, o S&P 500 subiu 1,06%, o Dow Jones avançou 0,71% e o Nasdaq ganhou 1,27%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou em alta de 2,14%.
Alívio na inflação
O otimismo nos mercados vem da perspectiva de que a inflação pode ter chegado ao pico ao redor do mundo, e investidores estarão de olho em dados para confirmar – ou derrubar – a hipótese.
Nesta terça será informado nos EUA o CPI (índice de preços ao consumidor) do mês passado e, na quarta (14), o PPI (índice de preços ao produtor). Os mercados podem reagir com otimismo se os dados sinalizarem moderação nos preços e, consequentemente, a chance de menos aperto monetário.
Na Europa, serão acompanhados ainda a reunião sobre juros no Reino Unido, na quinta-feira (15), e o CPI (índice de preços ao consumidor) na Zona do Euro, que será informado na sexta (16).
Por aqui, os investidores estarão de olho no desempenho de serviços e comércio em julho, medido pela Pesquisa Mensal de Serviços de julho, que será divulgada na terça, e pela Pesquisa Mensal de Comércio, que sai na quarta. Os dados ajudarão os investidores na avaliação da temperatura da atividade econômica brasileira no primeiro mês do segundo semestre.
Em outra frente, os analistas ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus voltaram a reduzir suas projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2022 e 2023, mas elevaram as apostas para a inflação de 2024.
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Os especialistas agora esperam uma alta de preços 6,40% no final deste ano (ante 6,61% na pesquisa anterior). Para 2023, as expectativas foram reduzidas de 5,27% para 5,17%, e para 2024 – ano que também vem sendo olhado pelo Banco Central para decisões de política monetária – foram aumentadas de 3,43% para 3,47%.
Os especialistas mantiveram sua expectativa de que a taxa básica de juros se mantenha inalterada em 13,75% até o final deste ano. Para 2023, as expectativas foram mantidas em 11,25% ao ano e, para 2024, em 8% ao ano.
Para alta do PIB (Produto Interno Bruto), a mediana dos analistas acredita agora em um crescimento de 2,39% neste ano (ante 2,26% na semana anterior) e de 0,50% no ano que vem (ante projeção de 0,47% na pesquisa anterior).
As projeções para câmbio neste ano e no próximo foram mantidas em R$ 5,20.
Varejo na liderança
Diante da expectativa de baixa na inflação e do fim do ciclo de aperto monetário, ações ligadas à economia doméstica lideraram as maiores altas do Ibovespa nesta segunda. No fechamento, os papéis que mais subiam eram os de Magazine Luiza (MGLU3), Ecorodovias (ECOR3) e Positivo (POSI3), com ganhos de 9,13%, 7,03% e 4,95%, respectivamente.
Nesta segunda, o BofA divulgou um relatório recomendando a compra dos papéis da Ecorodovias. Para os analistas Rogério Araújo e Gabriel Frazão, o papel está “muito atraente para ser ignorado”. “Depois de vencer dois leilões relevantes, vemos isso como uma história de execução, rendendo a melhor cobertura de risco e retorno”, comentam.
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Fora do Ibovespa, a IGB Eletrônica (IGBR3), dona da marca Gradiente, disparou 27,44%. A companhia registrou pedido para realizar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição), fechando seu capital na Bolsa. A oferta, de R$ 40,51 por ação, representa um prêmio de 55% em relação ao valor do papel no fechamento da última sexta-feira (9).
Também entre as small caps, as ações da Inepar (INEP4) saltaram 30,23%, após a companhia confirmar o encerramento do processo de recuperação judicial que enfrentava desde 2014.
Maiores baixas
Na outra ponta, as ações que mais caíram foram as de Assaí (ASAI3), Sabesp (SBSP3) e Iguatemi (IGTI11), com recuos de 1,86%, 1,8% e 1,68%, nesta ordem.
A operadora de shopping center anunciou, na sexta-feira, que fará um follow-on (oferta subsequente de ações) de, no mínimo, 24,71 milhões de units. Com base no preço de fechamento de sexta, a oferta da Iguatemi deve movimentar ao menos R$ 494,3 milhões. Ainda há um lote adicional, que pode aumentar o tamanho da operação em 65%, acrescendo à oferta 16,06 milhões de units – ou R$ 321,30 milhões.
O follow-on da companhia vem na esteira do anúncio da aquisição dos 36% restantes do JK Iguatemi, shopping localizado na Vila Olímpia, área nobre da cidade de São Paulo, por R$ 667 milhões.
Depois delas, a CCR (CCRO3) recuou 0,9%, também refletindo o relatório do BofA. Ao contrário da posição que o banco tem em relação à Ecorodovias, o papel da CCR é visto como underperform (equivalente à venda), ou seja, abaixo do esperado.
O banco americano enxerga riscos negativos para o papel, que pode ser influenciado pelas taxas de juros acima do esperado e prejudicar um possível financiamento, bem como uma desaceleração do crescimento econômico brasileiro. O BofA alerta ainda para riscos de congelamento de tarifas de pedágio.
Criptomoedas
O Bitcoin (BTC) voltou a superar a faixa de US$ 22 mil na madrugada desta segunda-feira, com os investidores à espera de dados da inflação americana em agosto, que serão divulgados amanhã.
Por volta das 16h55, a maior cripto do mercado se sustentava no campo positivo com avanço de 2,2%, negociada a US$ 22.391, conforme dados da Binance disponíveis na plataforma TradeMap.
Desde o fim da semana passada, os investidores começaram a “ignorar” os sinais de aumentos mais agressivos nos juros da maior economia do mundo e passaram a focar na expectativa de que a inflação comece a apresentar sinais de arrefecimento.
Os dados desta terça-feira serão fundamentais para o humor dos mercados e as projeções do ritmo de escalada dos juros pela autoridade monetária americana.
O clima de otimismo também é impulsionado pela contagem regressiva da atualização da blockchain da Ethereum (ETH), prevista para ser encerrada nesta quinta-feira (15).
Depois da forte valorização nos últimos dias, o ETH passa por um período de correção, com queda de 1,7%, vendido a US$ 1.724.
A fusão (the merge, em inglês) vai mudar o meio de consenso da rede, passando para a prova de participação, que deve deixar o sistema até 99% menos danoso ao meio-ambiente por demandar menos consumo de energia.
No médio e o longo prazo, a atualização também deve diminuir a disponibilidade de ETH no mercado e atrair mais investidores institucionais, o que é visto como um grande fator para a valorização do token.