O investidor que olha a plataforma do TradeMap nesta segunda-feira (12) vai notar um movimento curioso das concessionárias de rodovias. Por volta das 12h05, a Ecorodovias (ECOR3) subia 6,05% e liderava as altas do Ibovespa, enquanto a CCR (CCRO3) recuava 0,50% e figurava entre as maiores perdas do índice.
Em relatório divulgado ao mercado, o BofA (Bank of America) anunciou a retomada da cobertura de ações do setor de transporte, com uma postura distinta para Ecorodovias e CCR.
Enquanto o banco recomenda a compra dos papéis da dona do sistema Anchieta e Imigrantes, que liga a cidade de São Paulo ao litoral Sul, no caso da CCR o BofA tem recomendção underperform (equivalente à venda), ou seja, um desempenho abaixo do esperado.
Para os analistas Rogério Araújo e Gabriel Frazão, o papel da Ecorodovias está “muito atraente para ser ignorada”. “Depois de vencer dois leilões relevantes, vemos isso como uma história de execução, rendendo a melhor cobertura de risco e retorno”, comentam.
Na visão dos analistas do BofA, a Ecorodovias terá uma taxa de retorno (TIR, na sigla em inglês) de cerca de 20% em relação ao seu patrimônio nos próximos anos. A CCR, por sua vez, deve ter um TIR menor, de 14%. “Ao mesmo tempo, vemos o ‘poder de fogo’ do balanço da empresa (CCR) limitado para novos projetos”, explicam Araújo e Frazão.
Ainda em relação à CCR, o BofA enxerga riscos negativos para o papel, que pode ser influenciado pelas taxas de juros acima do esperado e prejudicar um possível financiamento, bem como uma desaceleração do crescimento econômico brasileiro. O banco alerta ainda para riscos de congelamento de tarifas de pedágio
Em relação ao preço-alvo, o BofA retomou a cobertura da Ecorodovias com R$ 11,10, um upside de 69,47% em comparação ao preço atual. No caso da CCR, os analistas do banco veem um preço-alvo de R$ 15,50, implicando numa valorização de 8,24%.