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Dólar sobe para R$ 5,10 com conflito na Ucrânia; moeda brasileria cai mais que a média de emergentes

Dólar sobe para R$ 5,10 com conflito na Ucrânia; moeda brasileria cai mais que a média de emergentes

Real chegou a cair mais de 3%, contra uma desvalorização média de 1,8% das moedas emergentes, assinala Mizuho

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Após cair abaixo de R$ 5 em 23 de fevereiro, o dólar fechou em forte alta frente ao real. A moeda brasileira teve queda acima da média das moedas emergentes, refletindo o movimento de aversão a risco com o início da invasão militar russa à Ucrânia.

A moeda americana subiu 2,02% para R$ 5,10. O real chegou a cair mais de 3%, contra uma desvalorização média de 1,8% das moedas emergentes, ressalta Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.

O real era a sexta moeda com maior queda nesta quinta-feira (24), só perdendo para o rublo, da Rússia, e outras divisas do Leste Europeu, além do peso chileno.

“O real é uma moeda de beta elevado. Isso significa que, em momentos de desvalorização, o real tende a cair mais que a média do mercado e o preço da moeda já estava bastante esticado após a recente valorização, o que contribuiu para a forte realização de lucros hoje”, diz Rostagno.

Apesar da baixa, o real ainda sobe 9,3% no ano. A moeda tem sido beneficiada pelo fluxo positivo de recursos estrangeiros para o Brasil atraídos pela alta taxa básica de juros, em 10,75%, oferecendo uma das maiores taxas de juros reais do mundo, e pelo preço descontado das ações brasileiras.

Em janeiro, a entrada líquida de investimentos estrangeiros em carteira no Brasil somou US$ 5,7 bilhões. “O fluxo de recursos estrangeiros recente tem um carácter especulativo, de curto prazo, e favoreceu a valorização do real”, aponta Rostagno.

Segundo o estrategista, enquanto a crise entre Ucrânia e Rússia se limitava ao reconhecimento de regiões separatistas, ainda havia apetite por ativos de risco. A escalada do conflito tende a aumentar a saída de recursos de mercados emergentes, com os investidores buscando aplicações conhecidas como porto seguro, como os títulos do Tesouro americano e o ouro.

A taxa do título americano de dez anos caiu 1,40% para 1,970%. Já os  preços dos contratos futuros do ouro para abril terminaram em alta de 0,83%, a US$ 1.926,30 a onça-troy. No mês de fevereiro, o metal já acumula alta de 7,23%.

A perspectiva do Mizuho é que o real experimente um aumento da volatilidade ao longo do ano por conta da incerteza com as eleições no Brasil. O banco espera um dólar a R$ 5,50 no fim de 2022.

Alta do petróleo pressiona inflação e taxas na renda fixa

A alta do preço do preço do petróleo, que chegou a ultrapassar o patamar de US$ 100, maior nível desde 2014, tende a se manter por muito tempo, na opinião de Rostagno, devendo ter impacto na inflação. Isso torna mais difícil o desafio do Banco Central de trazer as expectativas de inflação para a meta.

O Banco Mizuho ainda mantém a projeção para a taxa Selic em 12,25% no fim do ciclo de aperto monetário neste ano, mas com “viés para cima”, segundo o estrategista.

Com o aumento da aversão a risco, os investidores tendem a cobrar um prêmio maior para financiar a dívida pública do governo, o que levou as taxas dos papéis do Tesouro Direto indexados à inflação a atingirem a máxima no ano nesta quinta-feira. “O movimento na renda fixa deve ser mais moderado, dado que já tem bastante prêmio na curva de juros”, diz Rostagno.

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