O investidor que liquidar suas posições no mercado para evitar eventuais prejuízos decorrentes da disparada nos casos de Covid-19 pode estar fazendo um mau negócio. A avaliação é do BlackRock Investment Institute (BII), braço de análise de uma das principais gestoras de ativos do mundo.
No fim de novembro, quando os casos de Covid-19 começaram a disparar na Europa em função do aumento da presença da variante Ômicron na região, o BII recomendou aos investidores que mantivessem suas posições no mercado de ações. O argumento foi de que, em última instância, se a recuperação econômica fosse interrompida agora por restrições à circulação e ao funcionamento das empresas, o movimento teria condições para ser retomado posteriormente.

De lá para cá, os casos de Covid-19 também dispararam nos Estados Unidos, e o noticiário sobre a pandemia ficou dividido. Por um lado, estudos preliminares apontaram que a Ômicron causa sintomas menos graves que variantes anteriores do coronavírus. Por outro, o alto número de infectados provocou problemas para algumas empresas — em particular companhias aéreas, que sofreram com o afastamento médico de tripulantes e têm tido que cancelar voos.
A incerteza sobre qual seria o cenário da pandemia deixou os mercados voláteis. O índice acionário Euro Stoxx 50, o principal da zona do euro, atingiu um pico de 4.401 pontos em 16 de novembro, mas perdeu 340 pontos nas duas semanas seguintes por receios com a disparada nos casos de Covid-19. Depois, se recuperou gradualmente até chegar a 4.392 pontos em 5 de janeiro, caindo em seguida por receios com a perspectiva de aperto monetário nos Estados Unidos.
Nas bolsas americanas, o efeito mais intenso do aumento nos casos de Covid-19 se deu na semana que antecedeu o Natal, quando surgiram os primeiros sinais de problemas no tráfego aéreo em função da doença. No Brasil, onde o Ibovespa acumula queda de 3% em 2022, as perdas referentes à pandemia começaram também em dezembro, mas foram mais localizadas, afetando principalmente as ações do segmento de turismo.
Para o BII, a recomendação ainda é que “investidores continuem investidos”, mesmo em veio à volatilidade despertada pelo atual quadro da pandemia de Covid-19.
“A variante Ômicron parece menos severa em populações com altas taxas de vacinação e imunidade. Vemos a Ômicron atrasando — e não atrapalhando — uma retomada poderosa da atividade econômica, ao mesmo tempo em que potencialmente aumenta os gargalos na cadeia de suprimentos”, disse o BII, em relatório publicado nesta segunda-feira, 10.
Segundo a instituição, a dúvida é como a China vai reagir à presença cada vez maior da variante Ômicron, visto que o país tem adotado medidas duras de restrição à circulação nas áreas em que há aumento dos casos de Covid.
“Isto aumenta o espectro de mais restrições à atividade”, afirmou o BII. “Como resultado, achamos que os riscos negativos ao crescimento da China aumentaram, mesmo que Pequim pareça debruçado sobre o cumprimento das metas de crescimento neste ano.”
Vale mencionar que o BII recomenda a compra de ações de países desenvolvidos por ver “sólido crescimento e baixas taxas de juros reais” dando apoio ao valor dos papéis. Para os mercados emergentes, a recomendação da casa é neutra, por causa da política monetária mais restritiva e da maior dificuldade em reviver o crescimento nestas regiões.