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Com exterior e receios fiscais, Ibovespa quebra sequência de 3 altas seguidas e cai 1,15%

Com exterior e receios fiscais, Ibovespa quebra sequência de 3 altas seguidas e cai 1,15%

Saldo da semana é de baixa de 0,75%

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Foto: Shutterstock

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Gabriel Bosa

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Gabriel Bosa

Repercutindo dados econômicos no exterior e preocupações fiscais no Brasil, o Ibovespa pôs fim em uma sequência de três altas seguidas e fechou o pregão desta sexta-feira (3) em queda de 1,15%, aos 111.102 pontos, com R$ 15,07 bilhões em volume negociado.

Com isso, o saldo do índice na semana foi de baixa de 0,75%. Desde o início de junho, o Ibovespa acumula queda de 0,22%, enquanto o balanço de 2022 é de valorização de 5,99%.

O dia também foi de baixa nas Bolsas estrangeiras. Em Nova York, o Nasdaq caiu 2,47%, o S&P 500 recuou 1,63% e o Dow Jones teve baixa de 1,05%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,3%.

Payroll positivo preocupa

O destaque do dia foi o payroll, que mostrou que o mercado de trabalho americano criou 390 mil vagas em maio e a taxa de desemprego se manteve em 3,6%. O dado mostra um mercado de trabalho bem mais aquecido do que o esperado: a expectativa de analistas ouvidos pela Reuters era de criação de 325 mil vagas no mês passado.

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Além da inflação, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) toma decisões olhando também o mercado de trabalho e, por isso, os dados são vistos com lupa pelo mercado. Como o payroll de maio sugere que a economia está forte, a percepção é que as chances de o Fed realizar um aperto monetário mais agressivo aumentam.

Foco no fiscal

Por aqui, pesa também a possibilidade de o governo editar um decreto de calamidade, com o objetivo central de conter a alta nos preços dos combustíveis. Porém, tanto o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, quanto o presidente Jair Bolsonaro descartaram a possibilidade no momento.

Na avaliação de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a medida “destamparia o orçamento anual e traria consigo diversas pretensões eleitorais”. “Além do dano orçamentário efetivo, temos que citar a remoção da credibilidade dos instrumentos fiscais, pelo menos o que restou”, completa.

De acordo com matéria da Folha de S. Paulo, o governo também estaria estudando uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) autorizando o governo a subsidiar combustíveis.

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“No lado positivo, vemos o governo não usando o caixa da Petrobras para fazer política pública. No lado negativo, vemos a pressão por mais gastos governamentais em ano eleitoral, que podem inclusive impactar em mais desvalorização da moeda e, eventualmente, compensar os gastos com subsídios”, afirmam analistas da Genial Investimentos, em comentários ao mercado.

A queda do Ibovespa foi limitada pelas ações da Petrobras, com as preferenciais (PETR4) subindo 1,75% e as ordinárias (PETR3), 2,55%. O desempenho dos papéis acompanhou os preços do petróleo Brent, que subiu 1,79%, para US$ 119,72 por barril.

Ontem, a Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) anunciou que irá aumentar a oferta de petróleo em 648 mil barris por dia a partir de julho. O mercado esperava um aumento maior e tem dúvidas sobre o real cumprimento do anúncio.

Destaques do pregão

No fechamento, as maiores quedas do Ibovespa eram de Méliuz (CASH3), Americanas (AMER3) e Yduqs (YDUQ3), com perdas de 6,74%, 5,83% e 5,59%, respectivamente.

As principais quedas do Ibovespa ficaram com empresas “atreladas aos juros”, na avaliação de Vitorio Galindo, analista de investimentos da Quantzed. Na prática, são empresas ligadas à economia interna do Brasil, como as de varejo, construção civil e de tecnologia.

As ações da Eletrobras também se destacaram entre as baixas do pregão, no dia de início do período de reserva de ações da estatal com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A expectativa é que a operação movimente até R$ 35 bilhões e possa fazer com que o capital do governo na empresa caia para menos de 50%.

Os papéis ordinários da Eletrobras (ELET3) tiveram baixa de 3,16%, enquanto os preferenciais (ELET6) caíram 2,23%.

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As companhias aéreas também caíram, depois de a Petrobras anunciar, na tarde de ontem, que irá aumentar o preço médio do querosene de aviação em 11,4%. Azul (AZUL4) teve baixa de 3,36% e Gol (GOLL4), de 3,55%.

Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) caíram 2,88% e 2,7%, respectivamente, depois de informar que estão em negociação com um fundo de investimentos da Brookfield para vender R$ 3,5 bilhões em ativos.

Na ponta oposta, as maiores altas do índice foram de Natura (NTCO3), Petrobras ON (PETR3) e Petrobras PN (PETR4), com ganhos de 2,75%, 2,55% e 1,75%, nesta ordem.

Listadas no exterior, as ações da Stone (STNE) dispararam 13,24%, mesmo depois de a companhia reportar lucro líquido ajustado de R$ 132,2 milhões no primeiro trimestre, o que corresponde a queda de 29,4% em relação ao mesmo período do ano passado. As receitas, porém, subiram 139%, para R$ 2,20.

Ontem, a companhia de adquirência informou que reduziu sua participação no Banco Inter. Seus BDRs, listados no Brasil, tiveram alta de 3,98%.

Bitcoin

Seguindo o clima negativo nas bolsas globais, os criptoativos estenderam para esta sexta-feira o clima de perdas registrado na véspera.

Após esboçar reação no início da semana, o Bitcoin (BTC) voltou a cair e é novamente negociado abaixo da linha de suporte de US$ 30 mil.

Por volta de 16h50, o BTC registrava queda de 3,44% em 24 horas, a US$ 29.672, conforme dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

Em sete dias, porém, a cripto registra alta de 0,43%, segundo a Coinglass. Se manter esse nível até domingo (5), o BTC vai fechar a primeira semana no positivo após nove períodos de quedas consecutivas.

O clima negativo desta sexta também derrubou as altcoins, os ativos além do Bitcoin. O Ethereum (ETH) caia 3,5%, a US$ 1.753, enquanto a Cardano (ADA) tinha perda de 3,7%, a US$ 0,56, segundo informações da CoinGecko.

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