brMalls (BRML3) quer ajuda do Cade para reduzir pressão da Aliansce Sonae (ALSO3)

Em mais um capítulo da novela, brMalls quer que órgão regulador interfira nas negociações sobre a premissa de ferir regras de concorrência

Shopping Estação, de Curitiba, uma das unidades da rede da brMalls. Foto: Divulgação

A brMalls (BRML3) recorreu ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para tentar diminuir a pressão que vem sofrendo da Aliansce Sonae (ALSO3) para uma fusão.

Em comunicado ao mercado, a empresa disse que pediu ao órgão regulador para analisar o aumento da participação da Aliansce Sonae na brMalls. Além disso, também solicitou que a concorrente fique impedida de exercer seus direitos políticos até que esta análise seja concluída.

Se o Cade aceitar o pedido, a Aliansce ficará impedida de indicar chapa ao conselho da brMalls – algo que estava nos planos do presidente da Aliansce Sonae, Rafael Sales, conforme entrevista publicada pelo jornal Estadão.

“Dentro dos limites da lei, vamos usar o direito de indicar conselheiros e construir uma chapa para ajudar a brMalls a evoluir como companhia, a chegar a um nível mais alto de performance, e que possa avaliar movimentos estratégicos de forma isenta”, disse Sales ao jornal.

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A brMalls considera que o exercício de direitos politicos pela Aliansce caracterizaria uma “infração às normas brasileiras concorrenciais”.

“A companhia é favorável a transações de mercado de capitais como instrumento legítimo de combinações entre empresas. No entanto, entende que em qualquer transação há que se evitar conflitos de interesses e respeitar limites concorrenciais”, acrescentou.

Histórico das negociações

A Aliansce Sonae havia feito proposta de R$ 7 bilhões para adquirir a companhia no início de janeiro. A brMalls recusou a oferta da Aliansce na ocasião, mas a empresa disse que não havia desistido das negociações.

Contudo, segundo informações da Coluna do Broadcast, do jornal Estadão do dia 25 de fevereiro, a brMalls está disposta a negociar com a concorrente. O negócio aconteceria se a Aliansce estivesse disposta a negociar um prêmio de controle.

A XP Investimentos considerou a investida da Aliansce positiva, e vê com bons olhos uma potencial fusão.

“A Aliansce Sonae vem aumentando a posição na brMalls e argumentando a favor da fusão, e que, no caso de uma possível assembleia, eles já teriam uma posição relevante para brigar pelo negócio. É importante mencionar que os acionistas em comum atingiram cerca de 30% do total das ações”, afirmaram Ygor Altero e Renan Manda, analistas da corretora, em relatório. 

Além disso, no fim de janeiro de 2021, um dos principais acionistas da Aliansce Sonae, o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), também acionista da brMalls, aumentou a sua participação na segunda para 5,76%.

Posteriormente, em mais um capítulo da novela, o conselho de administração da brMalls decidiu, por unanimidade, recusar a nova proposta de combinação de negócios formalizada pela Aliansce Sonae realizada no dia 16 de março.

O montante proposto pela compradora era de R$ 1,850 bilhão, R$ 500 milhões a mais do que o valor da proposta original. Contudo, a brMalls se mostrou aberta a novas propostas.

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