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Bolsa cai mais de 2% com risco de recessão global e Vale (VALE3) lidera perdas – entenda

Bolsa cai mais de 2% com risco de recessão global e Vale (VALE3) lidera perdas – entenda

Ibovespa vê ações ligadas ao minério de ferro e ao petróleo recuarem com intensidade, puxando o índice para baixo

gráfico de ações recuando em vermelho

Foto: Shutterstock

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A Bolsa brasileira acompanha seus pares internacionais e recua de forma brusca repercutindo dados de inflação nos Estados Unidos e temores de uma possível recessão global. Além disso, a queda do preço do petróleo no mercado internacional pressiona as empresas do setor, e Vale (VALE3) liderava as baixas do Ibovespa perto das 13h05, apontando em 6% para baixo.

No mesmo momento, o principal índice da Bolsa caía 2,24% e operava aos 96.050 pontos. Outro fator que ajuda o Ibovespa a afundar nesta quinta é o peso que a mineradora tem no índice — cerca de 15% de todos papéis da Bolsa. Além dela, Petrobras (PETR4), que negocia por volta de 9%,  perdia 2,76%.

Na sequência, PetroRio (PRIO3) perdia 5,74%, Bradespar (BRAP4) caía 5,23%, 3R Petroleum (RRRP3) desvalorizava 5% e Gerdau (GGBR4) apontava em 4,13% para baixo.

Para Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, pesa sobre o índice e esses papéis os temores de recessão global, acentuados pelos números de inflação nos Estados Unidos divulgados na quarta (13) e nesta quinta (14). “A chance de uma recessão inevitavelmente coloca o Ibovespa para baixo”, comenta. 

Na quarta, o índice de preços ao consumidor (CPI na sigla em inglês) mostrou avanço de 1,3% em junho e 9,1% em 12 meses. O aumento nos preços veio acima do esperado pelo mercado, que acreditava em uma alta de 1,1% na comparação mensal e de 8,8% na anual.

Já nesta quinta, o PPI, a inflação ao produtor nos Estados Unidos, avançou 1,1% em junho na comparação mensal e 11,3% em 12 meses, acima do esperado pelo mercado.

Veronese considera os dados ruins, o que pode forçar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a subir as taxas de juros por lá de uma forma mais agressiva na próxima reunião, a fim de conter o avanço da inflação. Após subir em 0,75 pontos base no último encontro, a perspectiva para a economista-chefe é de um novo aumento na mesma magnitude da próxima vez.

Uma pequena parcela dos investidores já acredita que o Fed pode ser obrigado a subir juros em um ritmo ainda mais agressivo, de 1 ponto percentual.

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Esse risco de recessão mexeu também com o preço do minério e do petróleo no mercado internacional, causando a queda de Vale e de outras empresas do setor. No caso do segundo, o preço do barril do tipo Brent caía 2,3% no mercado futuro da ICE, a US$ 97,20. É o menor preço desde o início de abril.

Pesa sobre a commodity também a declaração da secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, que se mostrou a favor da adoção de um mecanismo que permita aos países comprar petróleo da Rússia, desde que os barris comprados fiquem abaixo de um preço predeterminado.

Altas do pregão

Na ponta positiva, empresas ligadas à economia doméstica e ao varejo sobem com mais intensidade. Magazine Luiza (MGLU3) ganhava 6,35%, Via (VIIA3) valorizava 4,32%, BB Seguridade (BBSE3) avançava 4,19%, Cielo (CIEL3) subia 3,61% e Americanas (AMER3) apontava em 3,12% para cima.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (13), em definitivo, a chamada PEC dos Benefícios, que amplia benefícios sociais até o fim do ano e deve injetar R$ 41,25 bilhões na economia. A expectativa, com isso, é que esses setores se beneficiem de um aumento do poder de compra da população.

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Contudo, para Helena Veronese, como a PEC tem uma data para acabar — final de 2022, as altas do dia são mais explicadas por um movimento de repique, ou seja, uma alta momentânea de uma ação que tem caído com intensidade.

“Acredito que parte do recurso distribuído para as famílias irá mais para pagar dívidas do que para aumentar consumo. E, o consumo que deve aumentar é mais relacionado a bens básicos, como alimentação”, avalia a economista-chefe da B.Side.

Cenário internacional

Os principais índices acionários do exterior também recuam nesta quinta enquanto monitoram temores de recessão. Nos Estados Unidos, começará oficialmente o início oficial da temporada de resultados nos EUA, com Morgan Stanley e J.P. Morgan divulgando os seus balanços referentes ao segundo trimestre de 2022.

Enquanto isso, em Wall Street, Dow Jones caía 1%, S&P 500 perdia 0,96% e o índice Nasdaq apontava em 0,75% para baixo.

Na Europa, a Comissão Europeia, instituição da União Europeia, cortou suas projeções de crescimento para a zona do euro de 2,7% para 2,6% neste ano, e aumentou suas expectativas para a inflação de 6,1% para 7,6% em 2022. 

Enquanto isso, os índices acionários recuavam já perto do fechamento. Enquanto o Euro Stoxx 50 e o FTSE 100 desvalorizavavam 1,50%, o DAX, da Alemanha, recuava 1,82%.

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