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Aposta em alta maior de juros nos EUA aumenta cautela nos mercados

Aposta em alta maior de juros nos EUA aumenta cautela nos mercados

Investidores passam a acreditar em quatro altas na taxa americana, levando a queda das bolsas e valorização do dólar

Jerome Powell Federal Reserve mercados EUA

Por:

Maeli Prado

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Por:

Maeli Prado

O crescimento das apostas em um aperto monetário maior nos Estados Unidos neste ano, com os investidores passando a considerar a possibilidade de quatro altas da taxa básica de juros americana em 2022, provocou um aumento da aversão a ativos de risco nos mercados internacionais, levando à alta do dólar frente às principais moedas e à queda das bolsas na volta do feriado no país.

No Brasil, o dólar ganhou força em frelação ao real no período da tarde, enquanto o Ibovespa reverteu a alta e passou a cair, acompanhando o movimento no exterior. Preocupações com o quadro fiscal diante da pressão dos servidores por aumento também ajudavam a aumentar a cautela no mercado local.

A alta do preço do petróleo, com o barril do Brent atingindo US$ 88,13, maior patamar desde outubro de 2014, ajudou a alimentar a preocupação com o aumento da inflação. Preocupações geopolíticas no Oriente Médio e a perspectiva de oferta maior que a demanda têm sustentado a alta da commodity energética.

O avanço do petróleo reforçou as apostas de que o banco central americano, o Federal Reserve (Fed), pode ser mais duro na política monetária para conter a alta da inflação nos EUA, que subiu 7% em 2021, maior alta desde 1982. As taxas dos títulos do Tesouro americano já refletem quatro aumentos da taxa básica dos EUA neste ano, começando em março.

O rendimento do Treasuries (títulos públicos dos EUA) com vencimento em uma década foi para a máxima de dois anos, chegando a 1,83%. O rendimento dos títulos do governo de dois anos passou de 1% pela primeira vez desde fevereiro de 2020.

O Fed tem sinalizado que está próximo de subir a taxa básica de juros e pode antecipar a redução do balanço de ativos, o que deve reduzir a liquidez nos mercados, que sustentou a alta dos preços das ações e levou as bolsas americanas a baterem recordes de alta em 2021.

“A parte curta da curva de juros americana está precificando uma alta de juros exagerada pelo Fed e boa parte disso é reflexo do aumento do preço do petróleo”, diz Gustavo Medeiros, chefe de pesquisa global macro na gestora britânica Ashmore.

Para Medeiros, o Fed já deveria ter começado a subir juros nos EUA para conter as pressões inflacionárias. “O Fed demorou para subir a taxa básica de juros, e mesmo se vierem quatro altas, vai continuar atrás da curva”, diz Medeiros.

A Ashmore espera entre três e quatro elevações da taxa básica de juros nos EUA neste ano. “Mais de quatro altas acho difícil entregarem. Acho que o Fed não se importa se houver uma correção saudável nos mercados, a não ser que a volatilidade aumente bastante e o mercado acionário caia bastante, quando ele pode começar a se preocupar, porque impacta o sentimento e o consumo na margem”, diz Medeiros.

Bolsas americanas no vermelho

Nos EUA, as bolsas americanas operam no vermelho. Às 15h50, o S&P 500 recuava 1,75% e o Nasdaq caía 2,33%. A correção era mais forte nas ações do setor de tecnologia, que foi um dos que mais subiu em 2021.

Já o dólar opera em alta frente a uma cesta de moedas, com o Dollar Index subindo 0,60%.

Na avaliação de Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, a alta do dólar é reflexo dos Treasuries americanos ganhando cada vez mais força. Esse aumento, aponta, é consequência da força do PIB chinês, da retomada da economia dos EUA e das commodities em alta, pressionando a inflação.

“O mercado está cada vez mais apertando esse cenário para juros, acreditando que o Fed vai de fato começar a subir em março e que pode ser obrigado a acelerar essas altas porque o mundo está crescendo”, aponta.

Preocupação com aumento de salários de servidores eleva cautela

No mercado local, o dólar ganhou força na parte da tarde e passou a operar em alta frente ao real, acompanhando o movimento no exterior. Às 15h50, a moeda americana subia 0,82% a R$ 5,572 frente ao real.

A bolsa brasileira também zerou os ganhos, e operava em queda de 0,24% aos 106.120 pontos.

No mercado de juros futuros no Brasil, as taxas dos contratos mais longos mostravam uma alta mais forte. Às 15h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 avançava para 12,05% de 12,02% no ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para 2027 subia para 11,46% de 11,38% no ajuste anterior.

No Tesouro Direto, o movimento de correção era maior nos títulos prefixados. A taxa do papel com vencimento em 2024 subia de 11,35% para 11,43%, enquanto a taxa do título com prazo para 2026 avançava de 11,62% para 11,71%.

Já as taxas do Tesouro IPCA+ com vencimento para 2026 avançava de 5,41% para 5,42% e do Tesouro IPCA+ para 2045 recuava de 5,71% para 5,69%. Quando as taxas dos títulos sobem, os preços dos papéis caem, mas o investidor só realiza a perda na aplicação se vender o título antes do vencimento em momentos de queda no mercado.

A manifestação de servidores públicos federais por reajuste de salários, ameaçando paralisação, nesta terça-feira (18), aumenta a pressão sob o governo para aumento dos gastos públicos e tem trazido maior cautela para os investidores no mercado local.

“Dependendo da proporção que tomarem, as greves podem atrapalhar até o crescimento econômico, o comércio exterior. Tem uma série de fatores que preocupam”, afirma Laatus. “A Bolsa está até caindo pouco, porque a Vale está forte”.

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