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Anbima vê janelas para IPOs em 2022, impulsionados por fusões e aquisições

Anbima vê janelas para IPOs em 2022, impulsionados por fusões e aquisições

Em 2021, volume de ofertas de ações bateu recorde e somou R$ 128,1 bi, sendo R$ 63,6 bi levantados em IPOs

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Após o volume recorde de ofertas iniciais e secundárias de ações em 2021, que somou R$ 128,1 bilhões com empresas antecipando as captações diante de um ano mais desafiador em 2022, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) ainda vê janelas de mercado para as Ofertas Públicas Iniciais (IPOs).

Segundo o vice-presidente da entidade, Eduardo Laloni, esse cenário pode ser impulsionado por operações de fusões e aquisições (as M&A, ou merger and acquisitions na sigla em inglês). “Podemos ter uma captação adicional derivada do aquecimento do mercado de M&A, e o mercado de renda fixa também pode complementar o funding [financiamento] para essas operações”, diz Laloni.

Em 2021, o volume de IPOs bateu recorde somando R$ 63,6 bilhões em 46 operações. Com a piora do cenário no segundo semestre do ano passado, com aumento da taxa de juros no Brasil, perspectiva de alta nos Estados Unidos e a incerteza em relação ao cenário fiscal e eleitoral, muitas empresas anunciaram o cancelamento de novas ofertas.

Só neste ano, 5 empresas (Ammo Varejo, Monte Rodovias, Dori Alimentos, Environmental ESG e a Vero Internet) desistiram de fazer IPO. Há atualmente 26 ofertas de IPOs em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“O último trimestre de 2021 foi mais desafiador, com  a subida das taxas de juros e o desenvolvimento macroeconômico que não favoreceu. Mas estamos confiantes que, apesar dos soluços de curto prazo, vamos ter um mercado de capitais pujante”, diz Laloni. “Agora, se vamos ter um primeiro trimestre mais forte ou fraco, vai depender da conjuntura geral”, diz.

Segundo Laloni, o volume de captações no mercado de capitais em 2022 vai depender do nível de investimento em infraestrutura, privatizações e concessões, que podem trazer uma demanda adicional.

Infraestrutura pode impulsionar debêntures

Uma das privatizações aguardadas para este ano é a da Eletrobras (ELET6) A empresa anunciou ontem, dia 11, que pretende protocolar os registros para uma oferta global de ações no segundo trimestre deste ano. O volume da oferta ainda será definido, segundo comunicado da empresa.

Os investimentos em infraestrutura ainda podem ajudar a impulsionar as emissões de debêntures incentivadas, voltadas para o financiamento de projetos de infraestrutura e que oferecem isenção de Imposto de Renda para investidores pessoas físicas. Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas.

O volume de emissão desses papéis foi recorde em 2021 e somou  R$ 47,3 bilhões, crescimento de 70% em relação ao ano anterior e também o maior número da série histórica da Anbima. Segundo Laloni, os prêmios de risco pagos nessas operações em relação aos títulos públicos não aumentou, apesar da alta das taxas dos papéis do governo no segundo semestre.

Em 2021, o total de recursos captado no mercado de capitais somou R$ 596 bilhões, sendo R$ 467,9 bilhões em emissões de renda fixa e R$ 128,1 bilhões em renda variável.

No ano passado, foi criado um novo instrumento de investimento, o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) . Só no segundo semestre de 2021, já foram realizadas 10 ofertas de Fiagro que somaram R$ 1,2 bilhão.

Para 2022, a Anbima deve revisar o código para as ofertas públicas após a publicação das novas normas pela CVM.

 

 

 

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