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Eletrobras (ELET6): privatização deve ocorrer este ano e ação pode valorizar 124%, diz UBS BB

Eletrobras (ELET6): privatização deve ocorrer este ano e ação pode valorizar 124%, diz UBS BB

Banco tem recomendação de compra para o papel e vê redução de 80% nas despesas operacionais até 2023

Junto à divulgação dos resultados, a Eletrobras (ELET3) apresentou seu plano de distribuição dos lucros.

Foto: Divulgação

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A despeito do pessimismo de boa parte do mercado, a tão discutida privatização da Eletrobras deve sair do papel no primeiro semestre deste ano, pois tem apoio político e não deve interferir nas eleições presidenciais, projeta a equipe do UBS BB Investment Bank, em relatório distribuído a clientes nesta quinta-feira, 6.

Com isso, a visão do banco é que a ação da companhia (ELET6) poderia alcançar R$ 70 em 12 meses, valor 124% superior à cotação do fechamento da última quarta-feira. A recomendação para os investidores é de compra do papel.

A próxima etapa do processo de privatização da companhia, que é a aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU), já foi iniciada e tem dado sinais positivos, na visão do banco, que acredita que a probabilidade de a Eletrobras não ser privatizada caiu depois da sessão do TCU em dezembro, em que as opiniões dos ministros se tornaram mais claras.

Os analistas do UBS BB esperam que a elétrica passe para a iniciativa privada nos primeiros seis meses deste ano. “Vale lembrar que a Eletrobras privatizada deve desenvolver projetos para revitalizar a bacia do rio São Francisco, reduzir estruturalmente os custos de geração de energia na Amazônia Legal e revitalizar os recursos hídricos das bacias hidrográficas nos reservatórios de Furnas. Dito isso, nós acreditamos que haverá apoio político”, argumenta o banco.

O maior desafio, porém, está na segregação da Eletronuclear, que não será privatizada. Além disso, o banco vê uma nova crise energética como o principal fator com potencial para interromper o processo, a exemplo do que ocorreu em 2001 e 2002, quando as tentativas de privatizar a empresa foram fracassadas. Esse, no entanto, não é o cenário projetado para este ano.

Caso a privatização não ocorra na primeira metade do ano, o banco vê uma aprovação no segundo semestre como improvável. “A segunda metade de 2022 deve ser focada nas eleições, que podem trazer muita volatilidade para companhias estatais. Além disso, os discursos políticos tendem a ser mais conservadores, evitando tópicos que podem tirar votos”, diz, em relatório.

Despesas 80% menores até 2023

Para chegar no preço-alvo de R$ 70, o UBS BB assume, além da privatização, as premissas de preços de energia em R$ 176/MWh em 2022 e R$ 170 MWh no longo prazo, além de GSF (Generation Scaling Factor, uma medida de risco hidrológico) de 95% no longo prazo e COE (custo nivelado de energia) de 10,5%. Com a privatização, o banco espera ganhos de eficiência, redução de riscos políticos e mudanças no regime de cotas.

Para além disso, a equipe de análise estima redução de 80% nas despesas operacionais até 2023 e uma margem Ebitda de 56% no mesmo ano. O UBS acredita que a redução das despesas seja possível considerando o recente processo de turnaround da companhia, em que muitas áreas de ineficiência já foram identificadas, e analisando outros processos de privatização recentes.

No caso de a companhia não ser privatizada, sua performance irá depender da política energética do próximo governo. No entanto, em qualquer cenário, a mudança nos requisitos exigidos para os membros do quadro de diretores da companhia e a privatização das distribuidoras de energia, dois movimentos importantes do passado, melhoram as perspectivas para a empresa. Nessa hipótese, contudo, a projeção do banco para a ação compreende um preço-alvo de R$ 30.

Os principais riscos para a companhia, além da não privatização, seriam as características da golden share (ação preferencial que garante poder de veto em decisões estratégicas) que o governo teria depois da venda para a iniciativa privada, flutuações do preço da energia, risco hidrológico e o cenário macroeconômico.

Por volta das 17h desta quinta-feira, o papel da Eletrobras (ELET6) era negociado praticamente estável, com leve queda de 0,03%, cotado a R$ 31,22. Em um mês, contudo, a ação cai cerca de 9,6%.

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