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Varejo avança no 1º trimestre, mas tende a perder fôlego com inflação, juros e calotes

Varejo avança no 1º trimestre, mas tende a perder fôlego com inflação, juros e calotes

Setor mais que compensou queda registrada entre outubro e dezembro de 2021, mostraram os dados da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio)

Corredor de supermercado

Foto: Shutterstock

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Com a surpresa positiva de alguns segmentos, como materiais de construção e móveis e eletrodomésticos, o varejo superou as expectativas do mercado e subiu 1% em março, acumulando uma alta de 2,3% nos primeiros três meses de 2022 em comparação com o quarto trimestre do ano passado.

Com o desempenho, o comércio, que foi estimulado pelo benefício pago pelo programa Auxílio Brasil, mais que compensou a queda registrada entre outubro e dezembro de 2021, mostraram os dados da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (10).

A má notícia, porém, segundo especialistas ouvidos pela Agência TradeMap, é que tudo aponta para uma perda de fôlego do setor nos próximos meses.

A inflação elevada, o aumento de juros, o crescimento da inadimplência e a tendência de menos crescimento neste ano no Brasil e no mundo são as pedras no sapato da continuidade da recuperação.

“A tendência é o varejo perder força, já que a inflação tem se mantido em patamar alto”, avalia Luciano Rostagno, estrategista chefe do Banco Mizuho. “O ganho de renda com o aumento do salário mínimo e o Auxílio Brasil, que estimularam o consumo no começo do ano, tende a ser corroído pelo aumento persistente de preços.”

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Ele aponta que a perspectiva é de menor crescimento global e de desaceleração da economia chinesa, com a política de “Covid zero” na segunda maior economia do mundo forçando lockdowns em dezenas de cidades do país e os Estados Unidos acelerando o ritmo de aumento dos juros.

“Os problemas nas cadeias de suprimentos mundiais devem durar algum tempo ainda, dada a extensão do conflito na Ucrânia”, diz. “Tudo aponta para um consumo mais moderado à frente.”

É a mesma avaliação da economista Claudia Moreno, do C6 Bank, que avaliou que a tendência é que as vendas do comércio passem a andar de lado.

“A alta [nas vendas do comércio] foi disseminada entre diversas categorias, mas podemos destacar que a categoria de móveis e eletrodomésticos foi uma das que surpreenderam, com alta de 0,2% [em março na comparação com fevereiro]. Esperávamos queda de 4%”, afirma a especialista.

Outro destaque dos dados divulgados hoje foram os veículos, com uma queda menor que a esperada pelo mercado, e materiais de construção, com alta de 2,2%.

Inadimplência subindo

Outro ponto que preocupa analistas é o aumento da inadimplência, que já deu as caras nos resultados do primeiro trimestre de grandes bancos, como o Santander e o Itaú.

Com os preços subindo a um ritmo superior ao da renda e os juros em alta, sobram menos recursos para as famílias pagarem as contas. No momento em que os gastos essenciais são priorizados, como alimentação e transportes, os atrasos começam a aparecer.

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“A inadimplência sem dúvida pode refrear o consumo”, apontou Rostagno, do Mizuho. “Juros de dois dígitos, agora com a perspectiva de chegarem a 13,25% em junho, representam um vento contrário para o consumo daqui para a frente.”

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