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Seguro calote: Medida de percepção de risco brasileiro dispara e é a pior desde 2020

Seguro calote: Medida de percepção de risco brasileiro dispara e é a pior desde 2020

Cenário pessimista para a economia internacional e gastos fora do teto no Brasil provocam salto em CDS e EMBI+

Homem segurando guarda-chuva em frente a balança com saco de dinheiro e blocos formando a palavra dívida

Foto: Shutterstock

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Em meio aos sinais cada vez mais fortes de recessão da economia global e do aprofundamento dos problemas fiscais brasileiros, o CDS (Credit Default Swap) de cinco anos, medida de percepção do risco de um país dar calote, avançou para o pior patamar desde maio de 2020, auge da primeira onda de Covid-19 no Brasil.

De um mês para cá, o papel já acumula alta de 15%, e era negociado nesta segunda-feira (18) a 321,8 pontos, segundo dados do World Government Bonds.

O CDS funciona como um seguro contra a inadimplência e é um derivativo (instrumento financeiro que tem o valor “derivado” de um outro ativo).

Outra medida do risco maior de calote da dívida de um país é o EMBI+. Calculado pela instituição financeira JP Morgan, o indicador mede a diferença entre a taxa de retorno dos títulos públicos de países emergentes como o do Brasil e dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que são considerados os mais seguros do mercado.

Na última quarta-feira (13), último dado disponibilizado pelo Ipea Data, o EMBI+ chegou a 376 pontos, o que representou aumento de 11% na comparação com um mês atrás.

“O CDS é um seguro de operações de crédito e serve como uma medida de percepção de risco”, explica o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. “Enquanto o risco Brasil é um diferencial direto entre juros de dois países, o CDS é um adicional sobre os juros já pagos. Como se fosse a franquia de um seguro em caso de acidente de carro.”

Independentemente da medida usada, quando a percepção do mercado é que o risco de não pagamento de um país aumentou, seja por um cenário externo pior ou problemas domésticos, esses indicadores sobem. É o que tem acontecido recentemente.

Tensão na economia internacional

Nas últimas semanas, uma das grande preocupações do mercado vem sendo a inflação nos Estados Unidos, a maior economia do mundo, que não dá sinais de trégua. Pelo contrário, a alta de preços, no maior patamar em 40 anos, tem surpreendido analistas negativamente.

Nesse cenário, parte dos investidores já esperam uma alta maior dos juros americanos pelo Federal Reserve, o banco central americano, na próxima reunião, no final deste mês. O mercado já precificou que isso deve levar a uma recessão da economia global.

“Além da alta de juros nos Estados Unidos, há preocupação com a desaceleração econômica motivada por novos lockdowns na China e outros países desenvolvidos retirando liquidez dos mercados, como zona do euro e Canadá”, lembra Agostini.

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O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, lembra que a crise energética na Europa, que pode se intensificar com a aproximação do inverno e a chance de a Rússia interromper o fornecimento de gás para a região, coloca ainda mais lenha nessa fogueira. “Esse cenário mundial incerto, por si só, já eleva a percepção de risco”, diz.

Cenário doméstico também incerto

No Brasil, o cenário também não é bom, com a proximidade das eleições presidenciais levando o governo Bolsonaro a aumentar as despesas. O Congresso aprovou neste mês a PEC dos Benefícios, que eleva o Auxílio Brasil, cria uma ajuda a caminhoneiros e eleva o vale gás, em medidas que furarão o teto de gastos (que limita a alta de despesas à inflação) em mais de R$ 40 bilhões.

“Temos um ambiente fiscal em que, a cada momento, o governo abre uma caixinha de surpresas e propõe uma nova despesa”, afirma Agostini, da Austin.

“Em um curto período de tempo, o teto de gastos foi contornado duas vezes. Você vai minando fatores de credibilidade que ainda restavam e que mantinham a política fiscal nos trilhos. O investidor olha e começa a aumentar o prêmio de risco.” O economista se referiu também à mudança de período de incidência do teto, o primeiro dos dribles dados na barreira de gastos.

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O economista lembra que o aumento de gastos tem como consequência juros mais altos por mais tempo, o que por sua vez provoca a desaceleração da economia. Ou seja, o país provavelmente arrecadará menos e gastará mais, já que é pouco provável que os gastos extras instituídos pela PEC dos Benefícios sejam de fato eliminados em 2022.

É a mesma avaliação de Rostagno, do Mizuho. “Há uma série de medidas populistas adotadas para alavancar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que geram preocupação com a trajetória das contas públicas.”

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