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Dado ruim de inflação nos EUA eleva chance de alta (ainda mais) agressiva de juros

Dado ruim de inflação nos EUA eleva chance de alta (ainda mais) agressiva de juros

Alta de preços está disseminada pela economia americana, apontam economistas

Nota de dólar queima perdendo valor

Foto: Shutterstock

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A inflação nos Estados Unidos já ultrapassou os 9% em 12 meses, maior aumento desde novembro de 1981, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pela secretaria de estatísticas trabalhistas americana (BLS). O dado veio acima do esperado pelo mercado e mostra um aumento de preços bastante disseminado pela economia, o que é uma má notícia para o Federal Reserve.

Segundo dados do CME Group, os investidores já precificam 40% de chance de o banco central americano ser obrigado a elevar a taxa básica dos juros em 1 ponto percentual na reunião do final deste mês – no último encontro, o Fed já acelerou o ritmo para 0,75 ponto.

Apesar disso, a aposta principal ainda é que o BC dos EUA opte por uma nota alta de 0,75 ponto neste mês, mantendo esse ritmo na reunião de setembro.

“Anteriormente o mercado estava vendo uma chance maior de o Fed elevar os juros em 0,75 ponto neste mês e reduzir o ritmo de alta para 0,50 ponto em setembro. Mas depois dos dados de hoje, a avaliação é que ele pode ter que manter um ritmo mais agressivo por mais tempo”, apontou Tomás Urani, economista do Santander que acompanha o cenário internacional.

Os dados do CPI (índice de preços ao consumidor) mostraram alta de 1,3% em junho e de 9,1% em 12 meses, acima dos 1,1% e 8,8%, respectivamente, esperados por analistas.

Após a divulgação dos números, os títulos de dívida dos EUA (treasuries) com vencimento em dois anos, que eram negociados a 3%, chegaram a ser negociados a 3,21%. Por volta das 11h30, eram negociados a 3,13%. No mesmo horário, o índice Dow Jones caía 1,33%, o S&P 500 tombava 1,17 e o Nasdaq perdia 0,97%.

“É o famoso estava ruim mas parece que piorou”, diz Lucas Zaniboni, da Garde Asset Management. “Não houve só a surpresa da alta em si do CPI, mas também de toda a composição ruim do índice, com a inflação disseminada e itens que tem uma inércia maior [ou seja, cujos preços tradicionalmente demoram mais a cair], como aluguéis, em aceleração.”

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O núcleo de inflação (dados que excluem alimentos e energia, e dessa forma desconsideram aspectos transitórios dos preços) subiu 0,7%, aumentando o ritmo em relação aos dois meses anteriores, quando a alta havia sido de 0,6%. Analistas esperavam uma alta de 0,5%.

“O aumento foi amplamente disseminado, com os índices de gasolina, habitação e alimentação dando a maior contribuição”, afirmou o BLS no material de divulgação dos dados.

O índice de energia teve alta de 7,5%, contribuindo com quase metade do aumento do CPI, enquanto a gasolina avançou 11,2% e alimentos cresceram 1%.

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Para banco, 0,75 é piso, não teto

O receio do mercado é que os bancos centrais do mundo sejam obrigados a elevar os juros a um nível que comprometa a atividade econômica, o que pode levar a uma recessão global. Esse medo de desaceleração vem piorando com o aumento dos casos de Covid na China, que podem levar a novos lockdowns, e com a chance de aprofundamento da crise energética na Europa.

“Na nossa visão, levará ao menos algumas leituras de inflação desacelerando para que o Federal Reserve comece a acreditar que tem a inflação atual sob controle”, afirmou o banco Wells Fargo em relatório. “Uma alta de 0,75 ponto no encontro do dia 27 de julho parece ser o piso, e não o teto para que o banco central combata essa pressão inflacionária.”

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