Maior parte dos bancos discorda do cenário do Copom para Selic, aponta Febraban

Segundo pesquisa, 42% das instituições financeiras acreditam que projeções para petróleo são "temerárias"

Foto: Shutterstock

A maior parte dos bancos ouvidos em levantamento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) sobre a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) discorda do cenário do colegiado para juros e inflação, que tem como base uma cotação do petróleo pouco acima de US$ 100 no ano que vem.

A avaliação de 42,1% dos ouvidos –a pesquisa entrevistou representantes de 19 bancos– é de que a projeção do BC de que uma taxa de 12,75% ao ano seria suficiente para levar a inflação à meta em 2023 é “temerária”.

Essa sinalização foi feita no comunicado do último encontro (quando os juros básicos foram elevados em 1 ponto, a 11,75% ao ano), na ata e em declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Ela parte da premissa de que a cotação do barril de petróleo estará pouco acima de US$ 100 em 2023, que é o horizonte relevante do Copom atualmente –em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, a commodity chegou a alcançar quase US$ 140 no início do mês passado.

Esse ponto é importante para a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) pelo peso que o combustível possui nos preços.

Para o colegiado, um novo aumento de 1 ponto na taxa, que a levaria a 12,75% ao ano, seria suficiente para controlar os preços no ano que vem, permitindo o encerramento do ciclo de aperto monetário já na próxima reunião, em maio.

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O cenário dos bancos, entretanto, é diferente.

“Dada a discordância de uma parte relevante dos analistas em relação à sinalização da condução da política monetária pelo Copom, observa-se que a mediana das projeções para a taxa Selic prevê uma Selic terminal de 13,25% ao ano, acima do sinalizado pelo BCB”, apontou a pesquisa.

Projeção “temerária”

Para quatro em cada 10 bancos, a projeção alternativa do Copom para o petróleo não é o melhor caminho para adivinhar o que pode acontecer com o IPCA. Quando questionados sobre a afirmação do BC, escolheram a seguinte alternativa sobre o tema:

“Temerária. O Copom não deveria atrelar de forma tão explícita a condução da política monetária aos preços do petróleo. Dado o cenário, corre o risco de perder o controle das expectativas e ter que rever sua estratégia em sua próxima reunião”.

Por outro lado, 15,8% dos bancos também discordam do cenário, mas por uma razão diferente: consideraram que o BC foi excessivamente zeloso com a chance de aumento dos preços. Escolheram essa alternativa:

“Excessiva. Objetivo da política monetária é apenas reagir a efeitos secundários deste tipo de choque. Dado que Selic já está em terreno contracionista, deveria manter ritmo de desaceleração das altas e continuar avaliando evolução do cenário”.

Meta de 3,25%

A meta de inflação para este ano é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, e para o ano que vem de 3,25%, com o mesmo intervalo de tolerância.

Para 31,6% dos entrevistados, o cenário do Copom pra juros e inflação é adequado. Essa foi a alternativa escolhida por esses participantes:

“Adequada. Cenário é altamente incerto, assim, considerar preços atuais do petróleo em seu cenário base poderia levar a uma indicação de alta excessiva da Selic. Tal estratégia é suficiente para levar inflação para a meta no horizonte relevante”.

O restante dos bancos pesquisados (10,5%) afirmou que não escolheria nenhuma das alternativas apresentas pelo levantamento.

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