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Ata do Copom: Selic deve ir a 12,75% em maio, mas BC está preparado para ir além

Ata do Copom: Selic deve ir a 12,75% em maio, mas BC está preparado para ir além

Documento cita as pressões inflacionárias da guerra entre Rússia e Ucrânia e incertezas fiscais

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Foto: Shutterstock

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O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve subir a taxa básica (Selic) em mais 1 ponto na próxima reunião, em maio, mas está preparado para elevar ainda mais os juros se necessário. O recado consta da ata do último encontro do colegiado, na semana passada, que decidiu elevar a Selic a 11,75% ao ano. 

“O Comitê reconhece o cenário desafiador para a convergência da inflação para suas metas e reforça que estará pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário, caso o cenário evolua desfavoravelmente”. afirmou o documento, divulgado nesta terça-feira (22).

O comunicado que acompanhou a decisão da semana passada surpreendeu o mercado ao adotar uma projeção de inflação alternativa, considerando a cotação prevista pelo mercado futuro para o petróleo, em torno de US$ 100 o barril no final deste ano.

No documento divulgado hoje, o comitê argumentou que as premissas que vinha adotando até agora, de que o barril de petróleo alcançaria US$ 121 no final de 2023, aplicava ao cenário daqui até o ano que vem uma cotação “resultante de uma conjuntura internacional particularmente anômala”.

“O Comitê observou que o atual ambiente de incerteza e volatilidade elevadas demanda serenidade para a avaliação dos impactos de longo prazo do atual choque e, portanto, optou por comparar essa hipótese com os preços de contratos futuros de petróleo, negociados em bolsas internacionais, e com projeções de agências do setor”.

Foi esse cenário alternativo, que é muito mais benéfico para a inflação, que foi adotado pelo colegiado como mais provável. Uma Selic a 12,75% no final do ciclo, como o mercado vinha projetando, seria suficiente para reduzir o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2023 para um patamar abaixo da meta – alta de 3,1% em 2023, abaixo do centro da meta para o ano, de aumento de 3,25%.

“Levando-se em consideração o maior peso atribuído ao cenário com hipótese alternativa para o petróleo, as projeções de inflação estão acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta para 2022 e ao redor da meta para 2023”, afirmou o colegiado na ata.

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Isso, em tese, permitiria realizar somente mais uma alta na taxa básica.

Mas o Boletim Focus, divulgado nesta segunda (21), já mostrou que o mercado acredita que os juros vão além disso: as projeções são de uma taxa de 13% ao ano no final de 2022 e de 9% ao ano em dezembro de 2023.

Na ata desta terça, o Copom alertou que pode ir além se necessário, devido às fortes pressões inflacionárias causadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia, além das incertezas fiscais em torno do Orçamento em um ano eleitoral.

“O conflito na Europa adiciona ainda mais incerteza e volatilidade ao cenário prospectivo, e impõe um choque de oferta importante em diversas commodities. O Comitê considerou que a boa prática recomenda que a política monetária reaja aos impactos secundários desse tipo de choque, prática que leva em consideração as usuais defasagens dos efeitos da política monetária”.

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