Influenciado pelos cortes recentes nos preços da gasolina e diesel pela Petrobras e pela redução do ICMS, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) caiu 0,73% em agosto, a maior queda desde o início da série histórica, que começa em novembro de 1991.
O dado foi divulgado nesta quarta-feira (24) pelo IBGE, e veio um pouco melhor do que a expectativa do mercado, que projetava uma deflação de 0,82% nas duas primeiras semanas do mês, de acordo com pesquisa feita pelo Broadcast.
Em julho, o indicador subiu 0,13%, já mostrando forte desaceleração em relação a meses anteriores.
Apesar do forte recuo, os dados mostram que os preços de alimentos e bebidas e saúde e cuidados pessoais continuam em alta, registrando aumentos de 1,12% e 0,81% no mês, respectivamente.
No acumulado do ano, o indicador acumula alta de de 5,02%, e em 12 meses a inflação é de 9,60%, abaixo dos 11,39% registrados no IPCA-15 de julho.
Três dos nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram quedas. O forte recuo da gasolina, de 16,80%, influenciou o resultado de do grupo transportes, cujos preços caíram 5,24%.
Já a variação negativa no grupo habitação, que recuou 0,37%, está relacionada ao recuo nos preços da energia elétrica residencial, que caiu 3,29% após redução por diversos estados da alíquota de ICMS do serviço.
“Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou revisões tarifárias extraordinárias de diversas distribuidoras que operam em áreas de abrangência do índice, reduzindo as tarifas a partir de 13 de julho”, apontou o IBGE no material de divulgação.
O grupo comunicação também teve queda de 0,30% no período, com destaque para os planos de telefonia fixa e de telefonia móvel, cujos preços caíram 2,29% e 1,04%, respectivamente.
Já o aumento do grupo alimentos e bebidas, que teve maior impacto positivo no indicador, foi influenciado principalmente pelos preços do leite longa vida, que saltaram 14,21% no período. A alimentação fora do domicílio subiu 0,80%, mostrando perda de ritmo em relação ao mês anterior.
“Tanto o lanche (0,97%) quanto a refeição (0,72%) tiveram variações inferiores às registradas em julho (de 2,18% e 0,92%, respectivamente)”, informou o IBGE.
Outros grupos que apresentaram aumento foram saúde e cuidados pessoais, influenciado pelo reajuste autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), e educação, com aumento de 0,61% por causa de reajustes nas mensalidades de escolas.
BC deve parar ciclo de alta dos juros
Nesta segunda (22), o Boletim Focus, pesquisa semanal do BC, mostrou que os analistas já esperam uma inflação abaixo de 7% para este ano.
Leia mais:
Boletim Focus: Projeções para IPCA de 2022 caem abaixo de 7%
De qualquer forma, a avaliação da maior parte do mercado é que o Banco Central já encerrou o ciclo de aumento na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano.
O fato de as projeções do Focus para a inflação de 2023 (que é o horizonte mirado pelo BC) terem se reduzido pela primeira vez reforça esse cenário.