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Desemprego menor mostra economia forte no pós-pandemia e pode levar a revisões para cima do PIB

Desemprego menor mostra economia forte no pós-pandemia e pode levar a revisões para cima do PIB

Obstáculo no caminho de quedas maiores da taxa de desemprego é o patamar elevado da taxa básica, a Selic

Carteira de trabalho com uma calculadora em cima e uma caneta ao lado

Foto: Shutterstock

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A retomada da demanda represada no pós-pandemia e as medidas de estímulo à economia tomadas pelo governo Bolsonaro vêm impulsionando o mercado de trabalho, em um sinal de que a atividade está mais forte do que era esperado.

Por outro lado, há limites para o impacto positivo desse movimento: o elevado patamar da taxa básica de juros, a Selic, e o eventual esgotamento da recuperação do setor de serviços, fatores que devem começar a inibir uma queda maior na taxa de desemprego nos próximos meses.

A avaliação foi feita por especialistas ouvidos pela Agência TradeMap ao comentarem dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. Os números mostram que a desocupação caiu para 9,8% no trimestre encerrado em maio, o menor patamar para o período desde 2015.

Nesta terça, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostrou a criação de 277 mil vagas com carteira assinada no mês passado, número também muito melhor que o projetado por analistas.

Na avaliação do estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, as medidas de estímulo do governo à economia – Auxílio Brasil com um valor maior, liberação do saque do FGTS e antecipação do 13º dos aposentados pelo INSS – seguraram o mercado de trabalho.

“Foi uma estratégia bem-sucedida nas políticas de preservação de emprego. Mais recentemente, com a reabertura da economia, a taxa de desemprego voltou para um dígito”, declarou.

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Taxa de desemprego cai para 9,8% em maio, menor nível desde 2015

Para o especialista, é importante uma ressalva: a taxa de participação, que mede quantos brasileiros com idade para trabalhar estão buscando emprego, ainda não voltou aos patamares pré-pandemia.

“Entre dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, a taxa de participação era de 63,4%. Na pesquisa divulgada hoje, esse percentual é de 62,5%. Essa taxa vem se recuperando, mas ainda não atingiu os patamares pré-pandemia. Ou seja, há uma parcela da população que ainda não voltou para a força de trabalho”.

Ele lembra que, nesse cenário, é natural que a desocupação se mantenha um pouco menor. “Ainda não temos as mesmas condições do cenário de antes da pandemia”, diz. “De qualquer forma, o PIB [Produto Interno Bruto] surpreendeu para cima no início do ano. O mercado de trabalho está se fortalecendo.”

Na avaliação da economista Claudia Moreno, do banco digital C6 Bank, o dado divulgado nesta quinta traz “alguns marcos positivos”. “Trata-se da 12ª divulgação consecutiva com desemprego menor do que o esperado pelo mercado e do menor índice para o trimestre encerrado em maio desde 2015, quando foi de 8,3%”, lembrou.

A especialista lembrou que o rendimento médio real (ou seja, descontada a inflação) apurado pelo IBGE mostrou uma leve alta, de 0,7%. “Os números acrescentam um viés de alta à nossa projeção de 1,5% para o PIB [Produto Interno Bruto] de 2022”, apontou.

Recuperação disseminada

Para Daniel Sinigaglia, economista da Garde, a recuperação do mercado de trabalho é disseminada entre diferentes setores.

“Na abertura por categorias econômicas, houve um movimento generalizado de crescimento da população ocupada”, afirmou. “Dentre esses setores, o destaque ficou com comércio, transportes e construção, que são setores de maior formalização, e alojamento, alimentação e serviços domésticos, de menor formalização.”

Na avaliação do especialista, a consequência disso é que os economistas devem continuar revisando para cima suas expectativas para a atividade econômica.

“Eleitoralmente, também abre espaço para um ganho adicional das intenções de voto do presidente [Jair Bolsonaro] porque acaba introduzindo a possibilidade de um cenário de melhoria econômica na margem e recuperação do poder aquisitivo do trabalhador, algo que parecia distante há poucos meses.”

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o setor de serviços é claramente um destaque nessa recuperação; “Esse é um setor em que há maior formalização dos contratos de trabalho, e isso explica a recuperação do rendimento médio”, declarou. “A massa salarial real, descontada a inflação, está crescendo 4% em maio.”

Ele lembra que, tradicionalmente, em anos de eleições há mais contratações do setor público no primeiro semestre do ano, já que há vedações para aumento de gastos. “O rendimento no setor público é acima da média, o que também pode ajudar a explicar esse desempenho.”

E daqui para a frente?

Os economistas avaliam que, nos próximos meses, a recuperação deve perder tração, já que a expectativa é que a forte alta da taxa básica de juros, a Selic, começará a impactar o consumo.

Para o estrategista do Mizuho, os próximos meses não devem manter o atual cenário positivo. “A alta de juros que o Banco Central já promoveu leva um tempo para impactar a atividade. A magnitude do impacto é crescente ao longo do tempo. A tendência é que o mercado de trabalho perca força ao longo dos próximos trimestres.”

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Na avaliação do economista do Fator, há um limite para esse movimento observado neste primeiro semestre. “Essa recuperação vai bater em um determinado teto e parar de aumentar. A perspectiva é de uma economia mais fraca nos próximos trimestres com juros altos e a perspectiva de uma piora da economia mundial.”

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