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“Meta secundária”: BC persegue inflação abaixo de 4% em 2023, diz Campos Neto

“Meta secundária”: BC persegue inflação abaixo de 4% em 2023, diz Campos Neto

Diretor de Política Econômica indica Selic em patamar elevado por mais um ano e meio

Roberto Campos Neto, foto de Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, negou que o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) esteja olhando para a inflação de 2024, ao mesmo tempo em que ressaltou que, em meio a um cenário altamente incerto, a autoridade monetária persegue uma inflação abaixo de 4% para o ano que vem.

A meta para a alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é de 3,25% para o ano que vem, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Parte dos analistas de mercado avaliam que o BC já desistiu de cumprir o objetivo de 2023 em função dos sucessivos choques inflacionários, como guerra entre Rússia e Ucrânia e lockdowns na China.

“Temos uma meta secundária de suavização. Olhamos o balanço de riscos, como ele influencia nas decisões futuras, e estamos perseguindo um número ao redor. Explicitamos hoje que esse número é menor que 4%”, afirmou o presidente do BC em entrevista coletiva que antecipou alguns números do Relatório Trimestral de Inflação, que será divulgado somente no final do mês por causa da greve dos servidores.

A estimativa da taxa de juros neutra (que é estipulada para não estimular nem desestimular a economia, ao mesmo tempo em que fomenta o emprego) foi elevada pelo BC de 3,5% para 4%.

O diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, avaliou que cumprir o centro da meta por um desvio pequeno, de 0,1 ponto ou 0,2 ponto, “não tem um valor tão positivo”. “A inflação seguiu surpreendendo negativamente”, disse. “As commodities subindo, a política de Covid zero na China, as cadeias globais de produção em mudança”, exemplificou.

Ambos reafirmaram a mensagem da ata da última reunião de que a Selic se manterá em um patamar elevado por um longo tempo.

O presidente do BC afirmou que a continuidade do atual ciclo de aperto monetário, iniciado em março de 2021, será reavaliada na próxima reunião, em agosto, em caso de “um novo choque muito grande”.

2024 ainda fora do jogo

O presidente e diretor do BC ainda ressaltaram que o ano de 2024 não está no horizonte de política monetária (ou seja, o período para o qual o Copom olha para tomar decisões sobre juros).

“Começamos dizendo que 2024 não está no horizonte relevante”, afirmou Campos Neto. O Copom explicitou na última reunião, quando a taxa básica, a Selic, foi elevada em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, as projeções para a alta de preços em 2024.

“Decidimos mostrar 2024 por transparência, entendendo que a incerteza está muito acima do usual. Há muitos choques se propagando na mesma direção. O ano de 2024 entrará no horizonte relevante em agosto, que é a janela usual do Copom”, disse o presidente do BC.

CMN decide metas

Campos Neto ainda foi questionado sobre a reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional), que se reúne nesta quinta para decidir a meta de inflação para 2025. O conselho, formado pelo Ministério da Fazenda, Banco Central e Secretaria Especial do Tesouro, pode ainda revisar os objetivos de 2022, 2023 e 2024, o que é considerado pouco provável pelo mercado.

Campos Neto indicou que essas mudanças não devem acontecer. “Modificar uma meta de curto prazo, que não está no horizonte relevante, não faz sentido. Modificar uma meta de longo prazo que não está no horizonte relevante e na qual a inflação está dentro da meta, não faz sentido”.

 

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