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Copom: aposta é de alta de 1 ponto na Selic, mas parte do mercado vê aumento ainda maior; entenda

Copom: aposta é de alta de 1 ponto na Selic, mas parte do mercado vê aumento ainda maior; entenda

Cenário para inflação mudou após invasão da Ucrânia pela Rússia, com alta do petróleo e repasse pela Petrobras

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Quando o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) encerrar sua reunião, às 18h30 desta quarta (16), anunciará uma nova taxa básica (Selic) de 11,75% ao ano. Esse é o cenário-base da maior parte dos agentes do mercado, que inclusive colocam dinheiro nessa possibilidade: 68% dos investidores que negociam opções de Copom na B3 acreditam em uma alta de 1 ponto percentual nos juros, hoje em 10,75% ao ano.

Mas uma parte dos economistas está de olho na forte mudança de cenário da última reunião do colegiado para cá (invasão da Ucrânia pela Rússia, que puxou a cotação das commodities e precipitou o reajuste no preços dos combustíveis pela Petrobras). Para esses analistas, o BC tem todos os motivos para ir além e elevar a taxa em 1,25 ponto, a 12% ao ano.

“O Banco Central teria algo a ganhar em se mover mais rápido agora”, avalia o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, que acredita em aumento de 1,25 ponto amanhã. “Estamos encarando uma visível deterioração no front das expectativas de inflação, como está expresso nas projeções desancoradas tanto para 2023 como para 2024”.

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Salto nas expectativas

Esse remédio mais amargo na decisão de amanhã é prescrito por parte dos analistas pelo forte salto nas expectativas para inflação neste ano.

Em pesquisa divulgada nesta segunda (14), os analistas ouvidos pelo Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, acreditam que o reajuste na gasolina e no diesel levará o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2022 a 6,45%. A expectativa anterior era de 5,65%, já bem acima do teto da meta, que é de 3,5% com intervalo de 1,5 ponto para cima ou para baixo).

Para 2023, as projeções aumentaram de 3,51% para 3,70% (o centro da meta para o ano que vem é mais apertado, de alta de 3,25%). “Sobrou” até para 2024, que na visão dos analistas deve terminar com uma alta de 3,15% no IPCA (a aposta anterior era de 3,10%).

“Apesar de a revisão para 2022 estar completamente dentro dos parâmetros normais, é preocupante ver isso acontecer para 2023 e 2024”, diz Schwartsman. “Claro, preços mais altos para combustíveis e alimentos em 2022 são inevitáveis, à luz de forças fora do controle do Banco Central. Mas há relativamente pouco tempo para a política monetária operar. O impacto de qualquer decisão que o BC tome essa semana será sentido somente daqui a seis ou sete trimestres, ou seja, na segunda metade de 2023”.

Esse cenário é reforçado, além do petróleo, pela disparada dos preços de outras matérias primas, como trigo e aço. Os economistas ouvidos pelo levantamento do BC já esperam juros de 12,75% no final de 2022 (a aposta anterior era de 12,25%) e de 8,75% em 2023 (na semana anterior, era de 8,25%).

“Não foi exatamente uma surpresa a piora das expectativas de inflação no relatório Focus, mas não me recordo de outro período onde vimos uma alta tão significativa na inflação projetada”, afirma o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito.

Ele também acredita em um aumento de 1,25 ponto percentual na Selic amanhã, cenário que reflete também o desconforto com o cenário fiscal — o governo busca diferentes formas de amenizar o impacto da alta nos combustíveis pela Petrobras, e uma delas é elevar temporariamente o valor pago pelo Auxílio Brasil.

“A forte revisão sem dúvida é resultado da elevação dos preços de combustíveis, mas há também desconforto sobre a trajetória fiscal, que segue incerta, na medida em que não se sabe exatamente o que o governo irá fazer para mitigar as altas nos combustíveis”, apontou Perfeito.

A chance de um aumento de 1,25 ponto percentual na Selic é precificada por 17% dos investidores. Veja abaixo os dados dos contratos de opção de Copom, que permitem a negociação da variação da Selic, coletados nesta segunda-feira.

 

Reprodução/ B3

Ata anunciou redução de ritmo

Apesar disso, a expectativa da maior parte do mercado é que o BC optará por uma alta de 1 ponto amanhã, mas que ao mesmo tempo realizará aumentos mais fortes do que o esperado anteriormente nas reuniões de maio e junho.

“Acreditamos que o comitê aumentará a taxa Selic em 1 p.p. em sua próxima reunião, nos dias 15 e 16 de março, para 11,75% a.a”, afirmou a equipe de macroeconomia do Itaú Unibanco em relatório. “A nosso ver, o cenário atual, com a guerra na Ucrânia e os impactos inflacionários decorrentes do aumento de preços internacionais de commodities, é consistente com essa decisão, mas ensejará que as autoridades monetárias levem a taxa Selic para níveis ainda mais contracionistas nas reuniões seguintes”.

O banco acredita que o Copom elevará os juros em 1 ponto amanhã, 0,75 ponto percentual em maio e 0,50 ponto em junho, o que levará a Selic em 13% até o final do ano.

Na ata da última reunião do Copom, o colegiado indicou que o atual ciclo de aperto monetário, que acontece desde março do ano passado (quando os juros estavam em 2% ao ano) está chegando ao fim, e que reduziria o ritmo de altas.

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