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Análise: apesar de novembro forte, PIB de 2022 sofrerá com juros altos e exterior desfavorável

Análise: apesar de novembro forte, PIB de 2022 sofrerá com juros altos e exterior desfavorável

Para a Fitch Ratings, Brasil enfrentará riscos econômicos, fiscais e políticos "significativos" neste ano

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A atividade econômica mais forte que o esperado em novembro de 2021, com expansão de 0,69%, segundo o Banco Central, pode até ajudar a melhorar um pouco as projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, em um fenômeno matemático batizado por economistas de “carregamento estatístico”.

Mesmo assim, os inúmeros obstáculos a serem enfrentados neste ano, como inflação, alta de juros, eleições presidenciais e ambiente externo ruim, impedem qualquer otimismo maior com os rumos da nossa economia.

Na avaliação da agência de classificação de riscos Fitch, o Brasil enfrentará riscos econômicos, fiscais e políticos “significativos” neste ano. “A Fitch projeta que o crescimento do PIB irá se desacelerar fortemente para 0,5% em 2022, após alta de 4,8% em 2021. “O risco de recessão aumentou”, apontou a agência.

Como razões para o baixo crescimento, a Fitch assinala a piora do ambiente externo, com a elevação de juros em grandes economias, e também o enfraquecimento da demanda doméstica.

“O Brasil enfrentará a desaceleração da China, um tradicional parceiro-chave. A redução gradativa de estímulos nos Estados Unidos e subsequentes altas nos juros irão apertar as condições de financiamento externas, ao mesmo tempo em que as elevadas incertezas fiscais e o aumento das taxas de juros irão piorar a demanda interna”, afirmou a Fitch, em relatório.

Outro problema será a aceleração de casos de Covid-19 como consequência do alto contágio da Ômicron. “O aperto das condições monetárias junta-se ao avanço da variante Ômicron e deve impactar negativamente tanto a indústria quanto serviços”, avalia Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco digital Modalmais.

“Prévia do PIB” veio melhor que o esperado

Nesta segunda, o Banco Central divulgou que o IBC-Br de novembro cresceu quase 0,7%, acima do que analistas de mercado esperavam. Essa reação no mês retrasado é resultado principalmente da melhoria no desempenho dos setores de comércio e serviços, que se beneficiaram do aumento da mobilidade no Brasil antes da chegada da Ômicron.

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Com isso, a herança estatística do ano passado — ou seja, quanto do patamar do quarto trimestre será “carregado” para a atividade econômica de 2022 — será menos negativa do que era imaginado.

“No mês de novembro, o IBC-Br apresentou o primeiro avanço após quatro meses consecutivos de recuo, em linha com a melhora nas leituras de serviços e do varejo. O carrego do indicador para o quarto trimestre de 2021 passou de queda de 0,9% para recuo de 0,3%”, apontou o economista Álvaro Frasson, do BTG Pactual Digital.

Para André Perfeito, economista-chefe da Necton, esse efeito matemático positivo sobre a atividade de 2022 deve acontecer, mas sem nenhum impacto muito relevante. “Deve ter algum efeito, mas ainda discreto”, afirmou.

O carregamento estatístico foi sentido com força em 2021: no quarto trimestre de 2020, a economia cresceu 3,1%. Quando o ano passado chegou, pegou esse impulso do último trimestre, que se estendeu para o resto do ano.

Os analistas ouvidos pelo Boletim Focus esperam um crescimento do PIB de 0,29% em 2021.

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