SulAmérica (SULA11) compra Sompo e quer vencer incertezas com crescimento

O negócio pode trazer R$ 650 milhões em receitas adicionais, incluindo sinergias operacionais

No apagar das luzes de 2021, uma movimentação relevante no setor de seguros. A SulAmérica (SULA11) anunciou a compra da Sompo Saúde.

Foto: Divulgação

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No apagar das luzes de 2021, uma movimentação relevante no setor de seguros. A SulAmérica (SULA11) anunciou a compra da Sompo Saúde, por R$ 230 milhões. O pacote contempla 116 mil beneficiários, concentrados em São Paulo.

A companhia é subsidiária do Grupo Sompo Holdings, segurador japonês que atua há mais de 130 anos no mercado e é um dos maiores do mundo. A transação está em linha com o proposto pela SulAmérica nos últimos anos.

Quando concluída a aquisição da Sompo, a empresa terá adicionado cerca de R$ 650 milhões anuais em receitas, incluindo sinergias operacionais, reforçando sua posição no segmento de Saúde e Odonto, sobretudo na capital paulista e região metropolitana. 

Agora, a empresa atinge uma participação de 12% no setor de saúde na faixa metropolitana de São Paulo, ficando atrás de Amil (17%) e Bradesco (17%). 

Como de praxe, o fechamento da transação está condicionado ao cumprimento de determinadas condições previstas em contrato, além da aprovação de órgãos reguladores. Não haverá, porém, uma assembleia de acionistas sobre o tema.

Em um momento de preocupação com o crescimento da sinistralidade, que ajuda a pressionar as ações neste ano, a SulAmérica procura colocar o pé no acelerador no crescimento e reafirmar sua tese de menor diversificação entre as atividades.

Por ora, a resposta do mercado é positiva. As ações da empresa sobem 3,58%, para R$ 26,54, por volta das 12h. 

Desempenho das units SULA11 (verde) e do Ibovespa (amarelo)

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Reformulação dos negócios

Em 2019, a SulAmérica mostrou que, definitivamente, estava focada no segmento de saúde. A empresa vendeu toda sua operação de seguro de automóveis para a Allianz, por R$ 3,18 bilhões, em negócio concluído no ano passado. 

O negócio gerou R$ 2,1 bilhões em disponibilidades para a empresa. Entre outros destinos, parte dos recursos foram utilizados para o pagamento da aquisição da Paraná Clínicas, com a estratégia da empresa em atingir o mercado de midticket

Neste faixa, a empresa possui mais de 160 mil vidas, e tem conseguido ampliar o escopo de atendimento a quase todos os públicos dos segmentos de saúde e odonto, fechando o terceiro trimestre com 4,3 milhões de beneficiários, crescimento de 8,5% ou 341 mil vidas em relação ao mesmo período de 2020. 

Ao vender sua operação ligada a veículos – que tradicionalmente gera mais sinistros e, consequentemente, menos rentabilidade – a empresa se tornou pouco comparável com outras empresas de capital aberto.

Hoje, a SulAmérica é uma seguradora de saúde. Não é estritamente uma empresa do ramo de saúde, como Hapvida (HAPV3) e Intermédica (GNDI3), ao mesmo tempo que é mais “nichada” que a Porto Seguro (PSSA3) e BB Seguridade (BBSA3). 

Do ponto de vista de visão de negócio, é uma decisão acertada. Entre as lições trazidas pela pandemia está o cuidado com a saúde, e o acesso a um plano de saúde, sobretudo em um país onde os serviços públicos deixam a desejar, teve sua importância elevada. 

A SulAmérica tende a surfar bem a tendência, dado que seus produtos embutem um prêmio sobre as concorrentes, praticando tíquetes maiores em sua maioria. 

Sinistralidade em alta gera preocupação

No que se refere a lições da pandemia, a sinistralidade é uma incerteza. Ao fim de setembro, a empresa tinha um índice de sinistralidade de 84,6%, sendo de 84% em Saúde e Odonto e 102,1% em Vida e Acidentes Pessoais. 

O item é o principal indicador das atividades de planos de saúde e é resultante da relação entre as despesas com a utilização dos serviços médicos e a receita auferida pelo contrato (prêmio).

Ou seja, o índice é formado por: sinistro (custos com o serviço) / prêmio pago. Com isso, o foco das seguradoras consiste em reduzir essa métrica de forma eficiente, fazendo uma boa gestão dos contratos. 

O índice saltou 8,9 pontos percentuais em 12 meses. Ele mostra a pressão dos custos assistenciais relevantes relacionados à Covid-19, os quais a empresa teve de arcar. 

No terceiro trimestre, esta conta somou R$ 212 milhões, e a apreensão é de que o recrudescimento da pandemia, com novas variantes, possa prolongar o período com o índice desconfortável. 

Fatalmente, esse ponto traz preocupação aos investidores e pesa sobre a rentabilidade da empresa. Contudo, a tendência é que o índice retorne aos patamares de 2019. No terceiro trimestre daquele ano, o índice estava em 80%. 

Rentabilidade da SulAmérica recua desde o ano passado 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

SulAmérica e a taxa de juros

A crise trazida pela pandemia jogou a inflação global para o alto e, em forma de contração da política monetária, o Banco Central (BC) voltou a subir a taxa de juros. A Selic, que começou o ano em 2%, fechará 2021 em 9,25%, namorando com os dois dígitos para as próximas reuniões.

O patamar elevado da taxa de juros deve trazer um alívio aos números da SulAmérica. Uma das fontes de receita das empresas do setor de seguros são aplicações feitas no mercado financeiro.

Isso ocorre pois o modelo de negócio prevê o recebimento dos prêmios antes dos gastos com sinistros. 

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A maior parte destes investimentos são realizados em renda fixa, com rendimentos atrelados à Selic, fazendo com que uma alta na taxa eleve a rentabilidade sobre o capital investido. 

As cifras desta atividade são mostradas pelo resultado financeiro, e a queda é brusca ao decorrer dos anos. Em 2016, era de R$ 946,07 milhões, equivalente a 5,81% da receita líquida.

No acumulado de 12 meses até o fim de setembro deste ano, o resultado financeiro foi de R$ 161,27 milhões, equivalente a 0,83% da receita líquida do período. 

O resultado financeiro não é o core da empresa, mas o aumento da Selic certamente será bem-vindo ao longo dos próximos trimestres. 

O que o mercado enxerga na SulAmérica?

Os dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, mostram a recomendação de 11 analistas para as ações da SulAmérica. Dessas, 10 são de compra, sendo que duas no teor de “compra forte”.

Apenas um analista recomenda a venda das ações. Na mediana, o preço-alvo aponta para R$ 38, o que perfaz um upside de 42% sobre a cotação atual. No melhor dos casos, as ações poderiam valer R$ 58, com uma potencial valorização de 117%. 

Embora as recomendações dos analistas não estejam convergindo para os preços na Bolsa, a confiança com a SulAmérica, que possui mais de 125 anos de estrada no segmento, é grande.

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