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Santos Brasil (STBP3) fecha 2021 em alta. Desempenho será repetido em 2022?

Santos Brasil (STBP3) fecha 2021 em alta. Desempenho será repetido em 2022?

O balanço da empresa foi estimulado por uma melhora no volume movimentado em terminais portuários

A Santos Brasil (STBP3) reportou resultados sólidos no quarto trimestre do ano passado, fechando 2021 da melhor forma possível.

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A Santos Brasil (STBP3) reportou resultados sólidos no quarto trimestre do ano passado. Em balanço divulgado na noite da última quinta-feira (10), a empresa mostrou avanço em volumes e obteve seu melhor lucro líquido na história.

O resultado líquido da empresa saltou 71% sobre o reportado no trimestre anterior e 695,8% sobre o quarto trimestre de 2020, chegando a R$ 113,8 milhões. No ano, a Santos Brasil lucrou R$ 271,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 13,8 milhões de 2020.

O balanço da empresa foi estimulado por uma melhora no volume movimentado em terminais portuários, que subiu 6,3% em 12 meses, para 321,66 mil. O mix de contêineres também foi favorável, com as unidades cheias crescendo 8,8%, enquanto as vazias caíram 1,8%. 

A receita líquida de terminais portuários, maior negócio da empresa, cresceu 75,1% em comparação ao mesmo período de 2020, para R$ 336,6 milhões. 

No caso das atividades com armazenagem, a receita líquida atingiu R$ 133,4 milhões, um avanço de 47,1% em relação ao mesmo período de 2020. 

O resultado foi impulsionado pelo crescimento do volume de contêineres importados, elevação do ticket médio e tempo de permanência de contêineres (dwell time) no Tecon Santos. 

No lado positivo, também é importante destacar o TEV, maior terminal de veículos do Brasil, localizado ao lado do Tecon Santos. A receita líquida do segmento totalizou R$ 23,5 milhões entre outubro e dezembro do ano passado, alta de 86,5% ante o reportado 12 meses antes. 

O volume caiu, mas houve forte melhora no mix de veículos pesados nas operações de armazenagem do terminal no quarto trimestre. 

De acordo com a empresa, são veículos e máquinas de grande porte, com valores elevados e cuja armazenagem possui precificação favorável à Santos Brasil, superior à armazenagem de veículos leves.

Entre altos e baixos no pregão desta sexta-feira (11), as ações da Santos Brasil operam no azul. Após caírem quase 3% nas primeiras horas da sessão, por volta das 12h30, os papéis ordinários da companhia subiam 0,15%, para R$ 6,85.

A melhora nos resultados da empresa ao longo do ano passado teve reflexo no preço da ação em 2021, quando as ações subiram 27,19%, enquanto o Ibovespa caiu 12%. 

Neste ano, porém, a alta é de 3,20%, avanço cerca de três vezes menor que o do índice. Decerto, o maior temor do mercado é a possibilidade de a empresa ser afetada por uma desaceleração do comércio exterior. 

Dúvidas que entram na conta da Santos Brasil

Fundada em 1997, a Santos Brasil é uma das mais relevantes companhias que realizam operações portuárias no país, sendo a única que atua com logística integrada: levando o produto do porto ao e-commerce.

Ela tem serviço de transporte de carga rodoviária e centros de distribuição. Atualmente, a companhia é responsável por 16% de toda a movimentação de contêineres e cargas no Brasil. 

A Santos Brasil é uma das principais operadoras do Tecon Santos, o maior terminal logístico da América Latina, onde opera com serviços de armazenagem, alfândega e cabotagem. Dito tudo isto, os motivos para o otimismo com a Santos Brasil são grandes.

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Até aqui, a companhia conseguiu surfar momentos de aquecimento da economia brasileira e até um boom das commodities, no início do século. 

Hoje, a empresa tem investido na expansão das suas operações para surfar uma maior abertura econômica brasileira. A grande questão é: e se essa abertura não vier? 

Com a expectativa de recessão da economia brasileira neste ano, o movimento dos negócios nos portos em que a empresa atua pode encontrar certa desaceleração após o esvaziamento da demanda reprimida de 2020, motivada pela chegada da pandemia.

Neste sentido, encontra-se o primeiro risco da empresa, que é a própria queda da demanda. Do outro lado, o aumento da concorrência na costa brasileira também pode forçar a Santos Brasil a negociar preços mais baixos e corrigir contratos que outrora eram favoráveis. 

Isso traz potenciais solavancos à operação, o que não seria novidade para a companhia. As margens da Santos Brasil, embora atualmente sólidas, não são consistentes ao longo dos ciclos econômicos.

Volatilidade da margem líquida da Santos Brasil 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Além disso, a companhia negocia a múltiplos normalmente atribuídos a empresas de crescimento. 

Hoje, a relação entre o preço da ação e o lucro dos últimos 12 meses está em 21,75 vezes. O múltiplo chegou a ultrapassar a marca de 30 vezes quando as ações estavam na máxima histórica, em julho de 2021. 

A grande interrogação é se os volumes e o ritmo da demanda atendida em 2021 se manterão ao longo dos próximos trimestres, colocando a receita líquida da empresa em uma trilha de crescimento mais uma vez. 

Para analistas consultados pela Refinitiv, em dados apresentados no TradeMap, o momento é de comprar as ações da Santos Brasil.

Todos os oito analistas pesquisados apresentam esta recomendação, com a mediana do preço-alvo em R$ 9,90, upside de 44,74%. Há quem acredite que as ações podem subir até R$ 12. A Santos Brasil vale R$ 5,9 bilhões na B3.

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