Suspiros de alívio nos corredores da sede da Oi (OIBR3), no Rio de Janeiro, foram ouvidos na tarde da última segunda-feira (31). Após um debate que se arrastava há mais de um ano, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou a anuência prévia da venda dos ativos móveis da tele.
O consórcio formado por Tim (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Claro vivia a expectativa de que sua proposta de R$ 16,5 bilhões pela Oi Móvel fosse aprovada. A notícia foi positiva, embora carregada de asteriscos.
A agência reguladora do setor incluiu alguns itens condicionantes à aprovação do negócio, como:
- Oferta de capacidade para operadoras móveis virtuais (MVNO);
- Plano de ocupação do espectro transferido da Oi;
- Exclusão de cláusulas de fidelidade no caso de migração dos usuários da Oi Móvel.
A operação bilionária ainda precisa da autorização do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A autarquia tem até o dia 15 deste mês para analisar o caso, que pode concentrar ainda mais o mercado nacional de dados móveis nas mãos das três grandes operadoras.
Em novembro, a Superintendência-Geral do Cade apresentou uma recomendação preliminar aprovando a venda dos ativos da Oi, mas sob uma série de condições.
A Oi espera que a venda dos ativos reduza sua dívida e aumente a otimização dos negócios, como prometido no plano de recuperação judicial. O ajuste nas contas da empresa é primordial para que a operação seja sustentável daqui para frente.
Vai e vem do regulador eleva urgência da Oi
A reunião que avaliaria a compra dos ativos da Oi pelo consórcio de operadoras estava marcada para a última sexta-feira (28), mas foi adiada após um pedido de vista. Isto é, mais tempo para análise dos conselheiros responsáveis.
Com isso, as ações, que emplacaram forte alta nas últimas semanas, caíram. A Anatel, logo depois, porém, marcou a reunião extraordinária para ontem e os papéis se recuperaram.
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No acumulado de 2022, as ações já avançam 42% – embora nos últimos 12 meses a queda ainda seja de 50%. A montanha-russa dos ativos na Bolsa acompanha a urgência da Oi em sua recuperação judicial que, por ora ou outra, parecia mais próxima ou tão distante do seu fim.
O processo se arrasta desde 2016 e a venda dos ativos móveis, assim como da InfraCo (atual V.tal), devem dar um alívio ao balanço da empresa. Juntos, os negócios somam R$ 27,1 bilhões.
Atualmente, a dívida líquida da Oi está na casa dos R$ 28,12 bilhões, enquanto a companhia luta para reencontrar o caminho da lucratividade.

No terceiro trimestre do ano passado, o endividamento cresceu acima do que o mercado esperava, deixando os investidores com um pé atrás com a geração de caixa.
Com as operações caminhando mais devagar do que o necessário e o ambiente macroeconômico nebuloso, o resultado financeiro da empresa também tende a sofrer com a elevação da taxa de juros.
Contudo, para além da venda das operações não desejadas no momento, o mercado fica no aguardo de maiores demonstrações de capacidade de execução por parte do time da Oi. Hoje, o foco está voltado totalmente à Fibra, sobretudo no âmbito residencial, onde as margens são maiores.
De acordo com a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a Oi tem até 31 de março deste ano para deixar a recuperação judicial.
Disparidade do valor justo
Parte do sucesso futuro da Oi está nas mãos de agências reguladoras, as quais devem aprovar (ou não) a saída da companhia do processo de recuperação judicial, através das vendas anunciadas.
Com o alto nível de incertezas ligado à tese de investimento na companhia, o mercado se divide no que tange à percepção de valor da empresa.
De acordo com dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, cinco analistas acompanham a empresa. Desses, três indicam a compra das ações e dois recomendam a manutenção da posição acionária.

Os preços-alvos listados vão de R$ 1,10 até R$ 2,30. Assim, o upside da companhia navega entre 0,92% e 111%, dada a cotação atual.
O valor a ser destravado caso as contas da empresa entrem em linha é real, dada a capilaridade da empresa Brasil afora. Porém, a capacidade da tele segue uma linha tênue acerca de sua própria sobrevivência.
Por volta das 12h, as ações ordinárias da Oi subiam 0,94%, para R$ 1,08. A empresa vale R$ 7,24 bilhões na B3.