Itaú (ITUB4) entra na briga por agentes autônomos com XP e BTG; entenda o que o banco enxergou na Ideal

Fundada há três anos, a Ideal figura entre os líderes do mercado em volume de derivativos

Mais um passo rumo à consolidação do mercado entre os grandes players. O Itaú (ITUB4) anunciou a compra da corretora Ideal.

Foto: Divulgação

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Mais um passo rumo à consolidação do mercado de capitais no Brasil entre os grandes players. Na manhã desta quinta-feira, 13, o Itaú (ITUB4) anunciou a compra da corretora Ideal, fundada por executivos da antiga Link (comprada pelo UBS em 2013).

Com apenas três anos de vida, a Ideal já figura entre os líderes do mercado em volume de contratos de derivativos. No mercado à vista, a corretora também está entre as maiores no Brasil, atrás somente de XP e UBS. 

A forte expansão da Ideal se deu, sobretudo, após a captação de R$ 100 milhões junto à Kaszek Ventures, fundo de capital de risco criado por cofundadores do Mercado Livre, em setembro de 2020.

À época, a ideia da Ideal, liderada pelo CEO Nilson Monteiro, era atacar o varejo em meio à expansão do mercado de capitais no Brasil. Agora, um ano e meio depois, com um ambiente muito mais competitivo, o Itaú adquire o controle da corretora. 

O desembolso do banco será da ordem de R$ 650 milhões agora, por 50,1% da empresa. Daqui a cinco anos, o Itaú poderá exercer o direito de compra do restante por um valor ainda não revelado. 

Diferentemente do acordado com a XP em 2017, quando a instituição comprou 49% da corretora por R$ 6 bilhões, o Itaú já assume a dianteira da Ideal e terá lugar de fala. 

O anúncio demonstra que o maior banco do Hemisfério Sul está atento aos movimentos de mercado. Na última semana, a XP anunciou dois negócios relevantes que complementam seu ecossistema: o banco Modal (MODL11) e uma fatia minoritária no Grupo Suno. 

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Quem é a Ideal Corretora

Fundada em fevereiro de 2019, a Ideal tem surfado o aprofundamento do mercado de capitais no Brasil ao posicionar-se junto aos grandes investidores institucionais, com a simplificação do uso de derivativos. 

No lugar da comum ordem de compra e venda de grandes volumes realizada por telefone, a companhia investiu na digitalização desse processo. Isso significa que a Ideal não opera carteira própria, sendo o que é chamado de agency only. Seus clientes gerenciam suas ordens, sem intervenções da corretora, que fica somente com o papel da intermediação. 

Isso traz segurança às informações, com o fluxo de dados assegurados, diminuição dos riscos operacionais – espantando o chamado “dedo gordo” na hora de enviar uma ordem – e menos custos. 

Ao se consolidar de maneira assustadoramente veloz, mesmo com a pandemia, a Ideal enxergou uma brecha para atingir o mercado de varejo. O número de CPFs cadastrados na Bolsa hoje é quase quatro vezes maior que o de fevereiro de 2019.

O que o Itaú enxergou na Ideal

A tecnologia em nuvem e o modelo white label, que nada mais é do que o oferecimento de produtos e serviços para que um terceiro os utilize sob sua própria marca, estão aquecidos no mercado. 

Na primeira aquisição sob o comando do CEO Milton Maluhy Filho, o Itaú viu na Ideal uma oportunidade de diversificação dos negócios com um modelo mais flexível, em que poderá expandir sua oferta de produtos. 

O Itaú está pagando o equivalente a um valuation de R$ 1,3 bilhão e, de quebra, ainda intensifica a corrida pelo mercado de agentes autônomos.

A disputa, que antes era concentrada entre XP e BTG Pactual, agora terá a participação do Itaú, uma vez que a Ideal é parceira do app Guru, que possui uma operação digitalizada também voltada a agentes autônomos.

Embora o Itaú assuma a partir de agora o controle da Ideal, a gestão e a condução das operações continuarão autônomas, condição estabelecida em contrato. O banco, inclusive, não terá exclusividade na prestação de serviços pela Ideal.

Por mais que a maré da Bolsa tenha baixado nos últimos meses, com as incertezas relacionadas à conjuntura econômica mais altas do que nunca e a taxa de juros voltando aos patamares da década passada, a liquidez continua alta. 

Os últimos dois anos marcaram a chegada de empresas disruptivas ao mercado, com funding barato e desregulamentação do sistema financeiro. 

Agora, a tendência observada é de consolidação entre as grandes empresas, que passam a abocanhar os menores com a justificativa de ampliação do ecossistema e portfólio de soluções. Possíveis conflitos de interesse e de eventuais sinergias sobrepostas parecem estar em segundo plano. 

No caso do Itaú, daqui para frente, algumas decisões terão de ser tomadas. Quando a fatia na XP foi adquirida em 2017, a ideia era controlar 75% até 2022 – o que claramente acabou não acontecendo. 

Quando o IPO da empresa de Benchimol aconteceu, no fim de 2019, a participação foi diluída para 46%. Por outro lado, a fatia que era equivalente a R$ 6 bilhões saltou para R$ 58 bilhões, mostrando ser um tiro certeiro. 

Cenas dos próximos capítulos mostrarão se o investimento na Ideal migrará para um posicionamento estratégico ou se um dia, de fato, toda a corretora será incorporada.

Itaú está barato?

De acordo com dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, são 16 analistas que acompanham o Itaú.

Desses, 10 recomendam a compra dos papéis neste momento. Do restante, seis indicam a manutenção dos papéis em carteira e ninguém entende que é um bom momento de vender as ações.

O preço-alvo mediano aponta para R$ 30,50, upside de 30% sobre a atual cotação. 

Hoje, o Itaú negocia a 7,29 vezes o lucro do último ano, abaixo da média de 12,55 vezes dos últimos 36 meses. 

As ações do banco parecem estar baratas, com o mercado pouco levando em consideração o poder de fogo da instituição. A aposta na Ideal pode ser mais um movimento acurado.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

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