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Cosan (CSAN3) tem inflação e juros como barreiras e vê “exagero” em eleições

Cosan (CSAN3) tem inflação e juros como barreiras e vê “exagero” em eleições

O Ebitda ajustado cresceu 5% em 12 meses, para R$ 2,70 bilhões, em linha com a expectativa do mercado

Foto: Shutterstock

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A Cosan (CSAN3) divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2022 na noite da última sexta-feira (13). A companhia conseguiu superar as adversidades que se desenharam nos primeiros meses do ano, mas o mercado ainda atribui risco de crescimento e inflacionário à empresa. 

Entre janeiro e março deste ano, a receita líquida consolidada da Cosan atingiu R$ 34,71 bilhões, alta de 54,2% em comparação ao mesmo período de 2021. A partir daí, porém, o resultado foi consumido pelo CPV (custo dos produtos vendidos).

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 5% na mesma base comparativa, para R$ 2,70 bilhões. O número ficou em linha com a expectativa do mercado, a despeito da contribuição negativa da Raízen (RAIZ4). 

Com isso, o lucro líquido, ajustado por renováveis e açúcar, ficou em R$ 236,1 milhões, baixa de 69,1% em relação ao reportado no primeiro trimestre do ano passado, também impactado pelo aumento do custo de capital.

O consumo de caixa foi 50,4% menor no primeiro trimestre deste ano, enquanto a alavancagem financeira ficou em 2 vezes, caindo pela metade do reportado 12 meses atrás e dentro do considerado aceitável pela empresa.

Na teleconferência de resultados, realizada na tarde desta segunda-feira (16), a Cosan reconheceu que a conjuntura é adversa e que há poucos executivos nas empresas brasileiras que sabem lidar em um ambiente de inflação alta.

O trabalho da empresa está em absorver os maiores custos e conseguir colocar em prática o repasse dos preços. 

Nesta segunda, as ações da companhia fecharam em queda de 1,05%, para R$ 18,84, ao passo que o Ibovespa subiu 1,22%, ultrapassando a marca de 108 mil pontos.

Guarda-chuva de oportunidades

Atualmente, o portfólio da Cosan conta com Raízen, Raízen Energia, Compass, Moove e Rumo (RAIL3).  

Todas as empresas do guarda-chuva da holding têm boas perspectivas de crescimento e vantagens competitivas relevantes em temas subdesenvolvidos no Brasil. O investidor, contudo, deve ter em mente que os olhos da Cosan estão no longuíssimo prazo, e os resultados podem demorar a aparecer. 

A Raízen, por exemplo, tem boas perspectivas, mas o resultado líquido vem sendo impactado pelo ciclo de expansão da companhia. 

Volatilidade do lucro líquido da Raízen

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Já a visão da holding para a Compass, empresa que esteve perto de abrir capital na Bolsa brasileira em 2020, é a mais positiva possível. A ideia é replicar o modelo de sucesso da Comgás, com forte expansão geográfica. 

A geração de valor da Compass que certamente acabará se refletindo na Cosan é o terminal de GNL (gás natural liquefeito), que ficará pronto em 2023. A empresa investiu R$ 700 milhões no empreendimento. 

Ademais, a decisão final do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a compra da Gaspetro pela Compass deverá ser revelada até o fim de julho, segundo o presidente da holding, Luis Henrique Guimarães.  

Na semana passada, a Compass disse que assinou um acordo de promessa de compra e venda de ações com um terceiro não revelado para a alienação da participação da Gaspetro em sete distribuidoras de gás. 

A decisão da empresa vem em linha com os desinvestimentos prometidos em busca da consistência e eficiência de seus negócios. 

A fatia de 51% da Gaspetro foi vendida pela Petrobras (PETR4) à Cosan em julho de 2021, por R$ 2 bilhões. 

Ações estão baratas? Cosan entende que sim

Recentemente, a Cosan divulgou um novo programa de recompra de ações, substituindo o antigo processo que estava em vigência.

O novo programa prevê a recompra de 110 milhões de papéis, equivalente a 5,87% da quantidade total e até 9,39% das ações em free float. O prazo é de 18 meses e conta desde a última terça-feira (10). 

O movimento costuma ser realizado quando as empresas entendem que seus papéis estão mal precificados, por qualquer razão que seja. A iniciativa é uma das formas de remuneração aos acionistas vigentes, já que eles terão maior participação na empresa. Nos últimos 12 meses, as ações da Cosan recuam 18%.

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Na visão da empresa, seu desconto de holding, em tese, deveria ser zero em relação às suas participações acionárias. 

O mercado atribui um desconto de holding em função de algumas características específicas do negócio. Ele leva em consideração possíveis ineficiências tributárias, liquidez restrita e despesas operacionais adicionais, o que faz com que os preços não convirjam, assim como acontece com Itaúsa (ITSA4) e Bradespar (BRAP4)

Hoje, os riscos demasiadamente ponderados pelos investidores dizem respeito ao contexto das commodities e potenciais alterações regulatórias em anos de eleição. 

A direção da Cosan enxerga, entretanto, que o cenário eleitoral assusta mais o mercado do que a companhia. Seja quem for o presidente da República em 2023, a holding diz que o Brasil está em posição de consolidação em exportação das principais commodities e avanço em energia renovável, beneficiando o portfólio da empresa.

O saldo final que fica é que as constantes mudanças nas projeções da Rumo, Raízen desacelerada e Compass ainda por entregar resultados colocam os investidores contra a parede, embora o filme de longo prazo continue positivo.

De acordo com dados compilados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, sete dos 12 analistas que acompanham a holding recomendam a compra dos papéis neste momento. Os cinco restantes indicam manutenção das ações. 

Neste contexto, o preço-alvo mediano dos papéis é de R$ 30,50, perfazendo upside de 63%. A Cosan vale R$ 35 bilhões na B3.

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