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BTG Pactual (BPAC11): o que duas aquisições em seis dias mostram ao mercado

BTG Pactual (BPAC11): o que duas aquisições em seis dias mostram ao mercado

Após acertar a compra da corretora Planner na última semana, o BTG anunciou a aquisição da Elite Investimentos

Em mais uma tacada para diversificar seu portfólio, o BTG Pactual (BPAC11) acertou a compra do Banco Econômico e suas subsidiárias.

Foto: Divulgação

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Com o avanço das pessoas físicas à Bolsa nos últimos anos, o varejo se tornou a menina dos olhos dos grandes players do mercado. Para o BTG Pactual (BPAC11), isso não é novidade, mas nas últimas duas semanas o banco de investimento mostrou que 2022 será de forte consolidação do mercado. 

Após acertar a compra da corretora Planner na última semana, ampliando seu market share com mais de R$ 8 bilhões sob custódia, o BTG Pactual anunciou a aquisição da Elite Investimentos nesta terça-feira (1). 

Se na semana passada o BTG procurou fortalecer seu braço digital, que ainda corresponde a uma pequena fatia do seu negócio como um todo, segundo reportou a Agência TradeMap, o movimento da instituição hoje mostra que a disputa por assessores de investimentos se tornará cada vez maior.

A Elite Investimentos, com quase 40 anos de história, é tradicional no mercado carioca. Um dos seus destaques é o serviço de atendimento aos clientes de forma customizada, além das equipes de mesa de operações e assessoria.  

Em dezembro, o número de investidores pessoa física na Bolsa atingiu 4,2 milhões, avanço de 22% na comparação trimestral e mais de 50% em 12 meses, de acordo com os dados operacionais da B3.

A intenção do BTG é criar um ecossistema digital cada vez mais amplo para dar suporte personalizado ao varejo, ampliando suas soluções. As aquisições contemplam altas sinergias, com a expertise de profissionais do mercado e a capilaridade e tecnologia do BTG Brasil afora. 

A concorrência, contudo, não deixará barato. O BTG, aliás, responde ao começo de ano agitado nos meandros da Faria Lima. 

Compra daqui, compra de lá

Os últimos dias agitados no setor de M&As do BTG não são novidade. As aquisições acompanham as compras da Fator Corretora, da Universa (que inclui a casa de análise Empiricus e a gestora Vitreo) e a Necton Investimentos, nos últimos meses pelo BTG.

Seu maior concorrente, a XP Inc., fechou duas compras relevantes no início deste ano, ampliando seu ecossistema, com o objetivo similar ao do BTG.

A ideia é angariar forças para surfar o crescimento do mercado de capitais no Brasil. A questão é: há demanda potencial para tanta oferta de serviços?

Além das corretoras de valores adquiridas pelas empresas, entram em pauta as casas de análise. Das consideradas independentes e maiores do mercado, três são ligadas à XP enquanto uma é do BTG – as quais oferecem serviços relativamente parecidos.

Outrora, a disputa foi sobre os agentes autônomos. Enquanto o BTG atraiu a EQI, Acqua-Vero e Lifetime, escritórios que somam R$ 17 bilhões sob assessoria, a XP tem Monte Bravo, Messem, Faros e Blue3, que ao todo controlam R$ 52 bilhões.

Embora a fatia do BTG equivalha a apenas 32% do agregado da XP, os investimentos em crescimento inorgânico neste sentido têm sido amplos. O BTG possui 130 escritórios ligados ao banco, com 2,5 mil profissionais da área. 

De acordo com um levantamento da XP, o número de profissionais certificados pela Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores) pode saltar dos 12 mil do fim do ano passado para 35 mil em até três anos, o que seria um avanço de 191%. 

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Seja por um caminho ou por outro, para muitos, o segredo está na proximidade com o público pessoa física e, consequentemente, volume de dados relevante. 

Mas, inegavelmente, representam mais fontes de geração de dinheiro para os grandes líderes desta corrida – seja pela prestação do serviço “independente” ou comissões por produtos específicos. 

A receita líquida do BTG, instável na última década, está próxima da máxima histórica na base acumulada de 12 meses anteriores, conforme a imagem abaixo, extraída da plataforma do TradeMap.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Valor justo do BTG segue distante

Atualmente, o maior banco de investimento da América Latina negocia a 16,61 vezes o lucro dos últimos 12 meses. A média dos últimos 36 meses ficou na casa dos 25,17.

Enquanto isso, a rentabilidade segue em crescimento, mostrando que o capital dos investidores é altamente rentabilizado. O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) está beirando os 20%, enquanto a média dos últimos três anos mostra 13,85%. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

O ambiente propício aos negócios da empresa reforça o otimismo do mercado. Dados compilados pelo Refinitiv, apresentados no TradeMap, remetem a sete recomendações para as units BPAC11

Dessas, seis são de compra e apenas uma de manutenção. Ninguém entende que é um bom negócio vender os papéis hoje. O preço-alvo mediano é de R$ 34, o que representa um upside de 40% sobre a cotação atual. 

Neste ano, o BTG Pactual já acumula uma alta de 20%. Hoje, por volta das 13h, a alta era de 0,75%, a R$ 24,33. O banco é avaliado em R$ 120 bilhões na Bolsa brasileira. 

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