O próximo governo terá uma adversidade pela frente. O cenário de altos preços de commodities, que ajudou a turbinar a arrecadação de impostos neste ano, não deve se repetir diante da desaceleração econômica global e do risco de recessão nas principais economias desenvolvidas, alerta a gestora SPX na carta de gestão de setembro.
Nesse ambiente, a surpresa positiva na arrecadação fiscal neste ano, beneficiada pelos royalties e Imposto de Renda de empresas de petróleo e mineração, está em risco no próximo ano, assim como a receita de mais de R$ 60 bilhões de dividendos pagos pela Petrobras (PETR3) a mais do que no ano anterior.
A gestora, que tem à frente o famoso gestor Rogério Xavier, aponta que o crescimento econômico surpreendeu positivamente após diversas medidas fiscais estimulativas, propiciadas pelos efeitos favoráveis dos altos preços das commodities. Contudo, esse cenário não deve se repetir no ano que vem diante do cenário de desaceleração global.
A SPX aponta que as benesses entregues pelo atual governo durante o último semestre, com medidas como corte de impostos e aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, e as promessas feitas durante a campanha devem custar cerca de 2% do PIB projetado para o próximo ano.
“Possivelmente, teremos que discutir um novo arcabouço fiscal em substituição ao teto de gastos instituído em 2016, que não vem sendo cumprido a rigor desde 2020, com os gastos extraordinários requeridos ao longo da pandemia”, destaca a gestora.
Nesse cenário, a SPX aponta a necessidade de a equipe econômica apresentar um plano fiscal crível para recuperar a confiança dos investidores.
“Reformas estruturais com impactos positivos de médio e longo prazo nas contas públicas, reestruturação de impostos, competitividade e melhoria da educação serão cada vez mais urgentes para que tenhamos chances de ter um crescimento sustentável à frente”, afirmou na carta.
SPX se posiciona para ciclo de queda de juros
Nesse ambiente, a SPX está com posição aplicada em juros no Brasil – isto é, apostando na queda das taxas de olho no possível início de corte da Selic pelo Banco Central no ano que vem.
Lá fora, depois de ganhar com a alta das taxas de juros no mercados desenvolvidos, a gestora agora está posicionada para o próximo movimento que deve ser de queda de juros a partir do fim do ano que vem, diante do risco de recessão nessas economias.
Nos mercados de moedas, a SPX continua com posições compradas (apostando na alta) no dólar americano.
A gestora destaca o risco de uma escalada da guerra da Ucrânia relacionado ao uso de armas nucleares pela Rússia como último recurso para um avanço militar, além dos efeitos nas condições financeiras de uma situação fiscal mais frágil em países desenvolvidos como o Reino Unido.
No mercado de ações, a gestora segue com posições vendidas (apostando na queda) nas bolsas dos Estados Unidos e Europa e com posições relativas na Bolsa no Brasil.
Nas commodities, a SPX está com posições vendidas (apostando na queda) em metais industriais e preciosos.
No mês de setembro, o fundo multimercado SPX Nimitz, gerido por Rogério Xavier, registrou ganho de 5,17%, ante alta de 1,07% do CDI no mesmo período. A valorização foi impulsionada pelos ganhos com posições nos mercados de ações, crédito, juros e moedas.
No ano, até setembro, o fundo acumula alta de 29,07%, contra variação positiva de 8,89% do CDI.