Banco da Inglaterra amplia intervenção e Capital Economics vê necessidade de elevar suporte

Banco da Inglaterra anuncia nova intervenção no mercado de dívida para estabilizar as taxas dos títulos do governo

Foto: Shutterstock/aslysun

O Banco da Inglaterra (BoE) anunciou uma nova intervenção nos mercados de títulos de dívida do governo nesta terça-feira (11) e alertou que a disfunção traz um “risco material” para a estabilidade financeira do Reino Unido.

Em relatório, após a divulgação da iniciativa pelo BoE, a consultoria britânica Capital Economics afirmou que mais intervenções por parte do BoE podem ser necessárias para dar um suporte aos títulos do governo do Reino Unido, o que pode adiar o início das vendas desses papéis adquiridos pela autoridade monetária, que estava previsto para 31 de outubro.

O BoE disse que ampliará as compras dos títulos do governo dos papéis indexados à inflação, chamados de gilts, previstas para o período de 28 de setembro a 14 de outubro, que inicialmente somariam 65 bilhões de libras.

A iniciativa do banco central inglês tem como objetivo conter o impacto das vendas maciças dos papéis por parte de fundos de pensão após o anúncio do pacote de corte de impostos pelo governo britânico no mês passado, o que provocou a forte alta das taxas desses títulos.

A taxa dos gilts de 10 anos indexados à inflação saltou 1,30% ontem e caíram hoje depois do anúncio de intervenção do BoE.

Ontem, o BOE anunciou que vai lançar um novo mecanismo (TECRP) que, ao invés de comprar esses títulos diretamente, vai emprestar dinheiro às instituições em troca de garantias. A autoridade monetária ainda disse que vai ampliar as compras diretas dos papéis indexados à inflação, já prevendo a venda dos títulos no curto prazo.

“A boa notícia é que o TECRP significa que o banco tem agora um esquema de injeção de liquidez no mercado para além de 31 de outubro. Mas não ficaríamos surpresos se o BoE tivesse que estender sua promessa de comprar os gilts além de 14 de outubro, ou se tivesse que estender o TECRP além de 10 de novembro”, destacou a Capital Economics.

Segundo o presidente do BoE, Andrew Bailey, os fundos de pensão têm até sexta-feira para se reequilibrarem, que é quando termina o prazo do programa temporário de compra de títulos para estabilizar esse mercado.

“O fato de ser mais do que apenas uma questão isolada no setor de previdência nos deixou mais preocupados. Ou seja, ser resultado da mudança de um ambiente de baixas taxas de juros para um ambiente de altas taxas de juros”, destacou a Capital Economics.

A fala do presidente do BoE contribuiu para aumentar a aversão a risco nos mercados, com os investidores preocupados com a situação fiscal do Reino Unido.

Lá fora, as bolsas americanas acentuaram a queda. Já no after market, por volta de 17h50, o índice S&P 500 recuava 0,65% e o Nasdaq perdia 1,10%.

No câmbio, a moeda americana ampliou a valorização frente às principais divisas e no Brasil o dólar comercial fechou em alta de 1,57% frente ao real, a R$ 5,272.

Mas o que realmente a Capital Economics acha de tudo isso

Para a consultoria, o Reino Unido ainda não está em situação de dominância fiscal, quando os efeitos da política monetária ficam limitados devido à grande expansão da dívida pública. Com isso, espera que o BoE continue elevando a taxa básica de juros para trazer a inflação para a meta de 2% ao ano.

A Capital Economics esperar também que o BoE suba a taxa básica de juros em 1 ponto percentual em 3 de novembro, para 3,25%, devendo alcançar o pico de 5% no fim de 2023, abaixo do aumento precificado no mercado, que é entre 5,75% e 6% para o ano que vem.

“Dito isso, é claramente possível que as taxas dos gilts permaneçam mais altas por mais tempo no curto prazo, ou até aumentem ainda mais porque os planos fiscais do Reino Unido são considerados inadequados, ou porque surgem mais problemas de estabilidade financeira”, destaque a consultoria.

A consultoria ressalta também que o problema provavelmente não desaparecerá até que as preocupações dos mercados com a política fiscal diminuam. O governo do Reino Unido vai anunciar um plano fiscal em 31 de outubro, o que deve ser acompanhado de perto pelos investidores e será crucial para estabilizar o mercado de dívida inglês.

“A chanceler terá que trabalhar muito para convencer os mercados de que seus planos fiscais são sustentáveis”, enfatizou a Capital Economics.

Impacto para libra

Nesse cenário, a moeda do Reino Unido, a libra, chegou a cair para o menor patamar em 37 anos em 23 de setembro, quando quase atingiu a paridade com o dólar.

De acordo com a Capital Economics, o grande déficit em conta corrente do Reino Unido significa que é particularmente vulnerável a choques econômicos ou políticos globais e domésticos.

A consultoria prevê que a libra alcance US$ 1,05 até o fim do ano, ante US$ 1,09 de hoje, mas pode se desvalorizar mais se o plano fiscal a ser anunciado em 31 de outubro não for visto como crível.

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