Banco da Inglaterra age para evitar disparada nos juros e reduz queda em bolsas do exterior

Investidores estavam despejando títulos de dívida da Inglaterra no mercado e banco central agiu na tentativa de evitar crise financeira

Foto; Shutterstock

O Banco da Inglaterra anunciou que vai agir para limitar as apostas do mercado no aumento dos juros do país. A medida, segundo a instituição, visa a impedir que o nervosismo do mercado financeiro piore a situação da economia.

Os juros projetados pelos títulos de dívida do governo da Inglaterra vêm subindo gradualmente ao longo dos últimos meses. Esse movimento era esperado, dado que o banco central do país está aumentando as taxas para conter a inflação.

No entanto, em menos de uma semana, as taxas projetadas pelos títulos de dívida do país com vencimento em 10 anos subiram mais de 1 ponto porcentual, passando de 3,3% ao ano em 21 de setembro para 4,5% ao ano na terça-feira (27).  Para fins de comparação, a última alta de 1 ponto porcentual nos juros demorou um mês para acontecer.

O que deflagrou a alta acelerada das taxas no mercado de juros da Inglaterra foi uma combinação de fatores.

O primeiro foi a decisão, anunciada pelo banco central do país na quinta-feira passada (22), de que começaria a vender títulos de dívida pública comprados nos últimos anos.

O mercado considerou que o aumento na oferta diminuiria o preço destes papéis, e também começou a vendê-los para evitar prejuízos futuros. O problema é que, quando o preço dos títulos de dívida cai, os juros projetados por estes papéis sobem.

Este movimento foi exacerbado pelo fato de que o mercado já esperava uma desvalorização dos títulos de dívida porque o próprio governo britânico sinalizou, dias antes, que precisaria de mais financiamento neste ano para pagar por programas de auxílio financeiro à população. Esse financiamento extra também aconteceria via aumento na oferta de títulos de dívida.

Percebendo a movimentação dos investidores, o Banco da Inglaterra avisou na segunda-feira (26) que estava monitorando as taxas de perto e que poderia intervir se julgasse necessário.

Hoje, a instituição cumpriu o prometido, e disse que vai comprar títulos de dívida com vencimento em 20 anos ou mais em todos os dias úteis até 14 de outubro. O limite inicial para as compras será de 5 bilhões de libras por leilão.

O banco central, no entanto, não desistiu de vender os títulos que estão em seu poder. Apenas adiou o início das vendas do final de setembro para o fim de outubro.

Segundo o banco holandês ING, a decisão do Banco da Inglaterra foi “muito tímida, mas é um começo”. O mercado aparentemente chegou à mesma conclusão. Por volta das 10h25, as taxas dos títulos de 10 anos da dívida inglesa caíam para 4,0% ao ano.

Os mercados de ações também reduziram as perdas após o anúncio do Banco da Inglaterra. O índice Euro Stoxx 50, que reúne as principais empresas da Europa, caía 0,84% por volta das 10h25, mas chegou a cair 2,0% antes da intervenção. O FTSE 100, principal índice da Bolsa de Londres, caía 0,26%, depois de também ter chegado a cair 2,0% mais cedo.

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