Os planos dos bancos centrais ao redor do mundo seguem a todo o vapor, mas nesta semana, na Inglaterra, esbarraram em um obstáculo.
O Banco da Inglaterra, banco central do país, precisou voltar atrás em seu projeto de se desfazer de títulos de dívida. O motivo: os juros por lá estavam subindo rápido demais.
Os juros de mercado no país estavam subindo gradualmente ao longo dos últimos meses como reflexo da política da instituição para conter a inflação. No entanto, em menos de uma semana aumentaram na mesma proporção que ao longo dos 30 dias anteriores.
Parte disso foi culpa do próprio Banco da Inglaterra, que dias antes tinha anunciado que começaria em breve a vender os títulos da dívida do país que possuía em balanço. Os investidores, com medo de terem prejuízos à frente, resolveram se antecipar e vender antes.
Isso provocou a queda nos preços destes papéis. Os juros projetados pelos títulos de dívida, que se movem na direção oposta, subiram.
A outra parte da responsabilidade ficou com o governo da Inglaterra, que apresentou um plano de estímulo econômico que aumenta o rombo nas contas públicas e deixou os investidores menos propensos a emprestar para o país. No mercado, isso se manifesta com o aumento da taxa de juros – na prática, o preço do dinheiro.
Para evitar uma crise de grandes proporções, o Banco da Inglaterra resolveu voltar atrás, e disse que em vez de vender títulos da dívida, voltaria a comprá-los. Mercado respirou aliviado, juros começaram a cair.
Mas nem tudo são flores.
A experiência na Inglaterra sugere que, além das consequências já mapeadas da alta de juros – como a possibilidade de recessão em 2023 -, o mercado pode ter que lidar com uma crise financeira decorrente deste movimento. Basta haver uma pitada de dúvida dos investidores sobre a solidez das contas de um determinado país.
A zona do euro é uma região particularmente crítica, pois ali as taxas de juros sobem em uníssono, obedecendo ao ritmo ditado pelo BCE (Banco Central Europeu), mas as decisões sobre os gastos públicos são tomadas por vários governos distintos. E vários deles estão aumentando os gastos para lidar com a crise de energia que assola a região.
Em 2010, este mesmo desequilíbrio levou a uma crise na Europa, começando pela Grécia, mas se espalhando depois para outros países com economias maiores, como a Itália.
Veja os destaques da semana da Agência TradeMap.
Decisão do BC incomoda fintechs
O Banco Central alterou as regras sobre a TIC (tarifa de intercâmbio) dos cartões de débito e pré-pagos. Embora tenham efeito neutro sobre os bancos tradicionais, as mudanças podem prejudicar as fintechs – as empresas que se apoiam na tecnologia para oferecer serviços financeiros e bater de frente com os bancões.
China empata com o Brasil
A China é um país conhecido por ter crescido em ritmo alucinante no passado recente. De 2000 a 2010, a economia do país aumentou perto de 10% ao ano, e de 2011 para frente só cresceu menos que 6% ao ano uma única vez – em 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.
Estimativas do Banco Mundial, porém, sugerem que em 2022 a China pode ter mais um ano de crescimento tímido para os padrões do país – e inclusive empatar com o Brasil.
Receita em alta, mas ação caindo
Empresas ligadas ao setor automotivo têm apresentado forte avanço nas receitas. Apesar disso, as ações não estão acompanhando o crescimento, uma vez que a rentabilidade e os lucros estão em queda.
Os papéis da Randon (RAPT4), que têm como principal produto carretas para caminhões, caem mais de 10% nos últimos 12 meses, enquanto Iochpe-Maxion (MYPK3), produtora de componentes e rodas para automóveis, recua 20% no período.
Leão também tem fome de dividendos
Ter ações boas pagadoras de dividendos faz parte da estratégia de muitos investidores, que podem garantir uma renda periódica e isenta de Imposto de Renda (IR). Mas é justamente nessa isenção que os principais candidatos à Presidência da República estão de olho.
Querosene mais barato ajuda empresas aéreas?
O preço do QAV (Querosene de Aviação) vai cair de novo em outubro, de acordo com informações divulgadas pela Petrobras (PETR4).
A notícia é positiva para as companhias aéreas, que tentam se reerguer da crise enfrentada durante a pandemia de Covid-19. No entanto, ainda está longe de significar alívio para estas empresas, que continuarão pagando mais que nos últimos anos para abastecer as aeronaves.
Agenda
As atenções do mercado estarão todas voltadas ao resultado das eleições, que acontecem no domingo (2). Os candidatos a presidente com mais intenções de voto são Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), e segundo pesquisas de intenção de voto existe a possibilidade de uma vitória do candidato petista em primeiro turno – cenário que surpreenderia o mercado, que espera mais um turno de votação.
Entre os indicadores, destaque para os dados sobre a produção industrial e as vendas no varejo referentes ao mês de agosto, que serão divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) respectivamente na quarta e na sexta-feira.
No exterior, os destaques serão dados a respeito da atividade dos setores industrial e de serviços dos Estados Unidos, na segunda e na quarta-feira, e para o relatório mensal sobre o emprego no país. A previsão do mercado, segundo o banco americano Wells Fargo, é que de os números mostrem criação de 250 mil postos de trabalho em setembro e taxa de desemprego estável em 3,7%.